História da Paróquia de São José de Muzambinho

Publicado em 02/12/2018 - especial - Da Redação

História da Paróquia de São José de Muzambinho

Embora a Paróquia de São José da Boa Vista tenha sido implantada em Muzambinho, a 22 de julho de 1866, sua história remonta ao ano de 1853, ocasião em que foi construída a primitiva capela em louvor a São José.

Segundo consta de um panfleto publicado em 1966, por ocasião das comemorações do centenário da Paróquia de São José da Boa Vista (Muzambinho), em 1853, teria sido edificada uma pequena capela localizada na atual Avenida Dr. Américo Luz, a qual teria sido demolida em 1897. Este teria sido o primitivo templo Católico da atual cidade de Muzambinho.

Em 28 de agosto de 1854, através de documento particular, a senhora Maria Benedicta Engracia fez a doação de uma determinada área para a formação do arraial de São José da Boa Vista.

O mencionado documento encontra-se transcrito às fls. 45 verso do primeiro livro do Tombo da Paróquia de Muzambinho, cujo inteiro teor é o seguinte: Digo eu Maria Benedicta Engracia que sendo Senhora e possuidora de um terreno sito annexo à capella de S. José da Boa Vista, cujo terreno me coube em partilhas, e suas divisas são as seguintes: da capella seguindo pelo espigão que passa pella mesma capella até frontear com a cabeceira do córrego do Retiro, e por este abaixo até a estrada onde tem princípio, de cujo terreno por minha livre e espontânea vontade faço dádiva ao Senhor São José, não só por me ser tocado em minha terça e por falecimento do meu marido, mas também por ser de combinação com o falecido, pois era a sua tenção, e assim hei dado e como de verdade dado tenho ao mesmo Senhor São José, Padroeiro desta Capella com as condições seguintes: e são: que eu mesmo ou pessoa de minha confiança será vendedora deste terreno aos que quiserem e o produto será immediatamente aplicado na Egreja de São José, digo, nas obras da Egreja, e por verdade do referido, pedi ao Padre Antônio Lisboa Lima que esta por mim passasse e a meu rogo assignasse o meu filho André Vieira Homem e este será archivado no Livro Tombo da dita Capella para todo tempo constar. Cabo Verde, 28 de Agosto de 1854. A rogo de minha mãe Maria Benedicta Engracia, André Vieira Homem. Ttª presente Luis Theodoro Soares, Ttª presente Ernesto José de Oliveira. Tta. que esta fiz e vi assignar Pe. Antônio Lisboa Lima.

Curato de São José da Boa Vista

Até 12 de fevereiro de 1861, o que hoje constitui o município de Muzambinho encontrava-se sob a jurisdição da Paróquia de Cabo Verde, a qual se encontrava inserida na Diocese de São Paulo. Depois da formalização de um pedido dos moradores do arraial de São José da Boa Vista (atual cidade de Muzambinho), o bispo de São Paulo concedeu autorização para a criação do “Curato de São José da Boa Vista”.

No passado, como a área das paróquias era muito grande, a Igreja Católica Apostólica Romana autorizava a instalação de curatos nas áreas de jurisdição das paróquias.

Para a instalação de um curato era preciso que no arraial existisse um templo com um cemitério que atendessem as exigências prescritas nas “Constituições do Arcebispado da Bahia”, ou seja, dentro das normas canônicas.

No curato havia um capelão especialmente designado para a prestação de assistência religiosa e que também ficava responsável pela escrituração da igreja. Vale lembrar que o Registro Civil só foi implantado no Brasil a partir de janeiro de 1889. Antes disto, para efeito civil, uma pessoa só existia após o padre efetuar o registro do batismo, só era considerada casada após a realização do casamento religioso, e só era considerada falecida após o sacerdote efetuar o registro do óbito no livro competente.

Foi nestas circunstâncias que, em 12 de fevereiro de 1861, o bispo de São Paulo, Dom Antônio Joaquim de Mello, autorizou a instalação do Curato de São José da Boa Vista através de uma “provisão”, a qual se encontra transcrita às fls. 24 do primeiro livro do Tombo da atual Paróquia de São José, em Muzambinho.

Instalação da Pia Batismal

Depois de autorizada a criação do “Curato de São José da Boa Vista”, ainda em 12 de fevereiro de 1861, o bispo de São Paulo, Dom Joaquim de Mello, autorizou, através de uma provisão, que se instalasse uma pia batismal na Capela Curada de São José.

Nomeação do capelão Próspero Paoliello

Depois de autorizadas, a criação do Curato de São José da Boa Vista, e da instalação da pia batismal na Capela Curada do Arraial de São José da Boa Vista, ainda no dia 12 de fevereiro de 1861, Dom Antônio Joaquim de Mello, através de uma provisão, nomeou como capelão do Curato, recém-criado, o Padre Próspero Paoliello. A mencionada provisão encontra-se transcrita às fls. 25 verso e seguinte do primeiro livro do Tombo da Paróquia de São José, da cidade de Muzambinho.

Elevação do Curato à condição de Freguesia

Depois de instalado o Curato, o Arraial de São José da Boa Vista teve um progresso considerável, inclusive com a elevação do número de fiéis, bem como das receitas da Igreja Católica Apostólica Romana.

Como dissemos anteriormente, a partir da instalação do Curato, Muzambinho passou a ter um “órgão oficial” para a realização da escrituração a respeito das pessoas, pois naquela época não existia o “Registro Civil”. Até 1888 quem fazia todo este controle era a Igreja Católica, através dos capelães e párocos.

Após a sua nomeação, o capelão, Padre Próspero Paoliello, passou a efetuar os registros de batizados, casamentos e óbitos, facilitando a vida das pessoas.

Desta forma, em 26 de junho de 1866, o Curato de São José da Boa Vista foi elevado à condição de paróquia independente, ficando totalmente desvinculado da antiga Paróquia de Cabo Verde. A efetiva instalação da Paróquia ocorreu em 22 de julho daquele ano.

Um detalhe interessante a se observar é de que no passado a criação das paróquias dependia de autorização estatal através de leis.

À medida em que os “curatos” iam prosperando, o Poder Civil instituía as “freguesias” através de leis específicas. Depois de instituída a freguesia, as dioceses poderiam elevar os curatos na condição de paróquia independente.

Em Muzambinho, a “elevação” foi feita através de uma provisão do então bispo da Diocese de São Paulo, Dom Sebastião Pinto do Rego, a qual se encontra transcrita às fls. 26 verso e seguintes do primeiro livro do Tombo da Paróquia de São José da Boa Vista.

Com a instalação da paróquia, a primitiva capela que se localizava na Av. Dr. Américo Luz se tornou a igreja matriz.

Construção da atual Matriz

No ano de 1887 era pároco da Paróquia de São José da Boa Vista o Padre Antônio Camillo Esaú dos Santos. Naquela ocasião ele solicitou autorização do bispo de São Paulo, Dom Lino Rodrigues de Carvalho, para a construção de uma nova igreja Matriz da Paróquia.

 Em 26 de maio daquele ano o bispo atendeu o pedido através de uma provisão, a qual se encontra transcrita às fls. 27 verso e seguinte do primeiro livro do Tombo.

Obtida a autorização do bispo de São Paulo para a construção da nova igreja matriz da Paróquia de São José da Boa Vista, formou-se, em Muzambinho, uma comissão para a execução das obras, a qual era presidida pelo pároco, Padre Antônio Camillo Esaú dos Santos.

Em 2 de abril de 1888 aconteceu a quinta reunião da mencionada comissão, ocasião em que foi proferida a benção da pedra fundamental do novo templo pelo Padre Antônio Camillo.

Finalmente em 8 de maio de 1897 acontece a benção da Capela do Santíssimo, com a transladação solene das imagens da antiga matriz para a atual.