ROTATÓRIAS

Publicado em 11/11/2011 - ze-nario - Zé Nário

O trânsito de veículos automotores está se complicando nas cidades, grandes e pequenas, por todo o país. O aumento do número de motocicletas, carros, caminhões e congêneres é evidente e inevitável.
Graças a Deus, ainda bem, cada vez mais pessoas podem realizar o sonho do carro próprio. Não deveria ser assim, mas, para a maioria das pessoas, este sonho é maior do que o sonho da casa própria.
Acho muito bom que as pessoas possam ter o seu carro e deslocar-se soberanamente pelas ruas e estradas desse nosso imenso país, sem depender dos horários restritos do transporte público, reconhecidamente péssimo nas grandes cidades. Circular livremente, inclusive causando problemas de circulação, é um direito de todos. Acho muito bom, mesmo! Vinte anos atrás o automóvel era um luxo. Até mesmo quem dependia dele para trabalhar tinha que pagar caro por isso. Além de caros, os carros eram tecnologicamente atrasados. Consumiam muito combustíveis e poluíam mais ainda o ambiente.    
Na verdade, os carros ainda são caros, mas já são mais acessíveis, devido principalmente às facilidades de crédito. O consumo melhorou muito, além de saírem de fábrica com equipamentos que minimizam a poluição. Apesar de que a poluição decorrente dos automóveis certamente está crescendo por causa do aumento da quantidade de veículos automotores em circulação.
O Brasil tem o mais bem sucedido programa de combustíveis alternativos do mundo, com o álcool e o biodiesel. Contraditoriamente, também tem os combustíveis mais caros do mundo.
Mas, com tudo isso, o trânsito das grandes cidades está ficando insuportável. E essa tragédia já está chegando ao interior, aqui nas nossas pequenas cidades. Até aí, tudo bem! São consequências inevitáveis do progresso.
O problema maior é que a qualidade dos motoristas parece que tem piorado. O estranho de tudo isso é que a formação dos novos condutores é muito melhor nos dias de hoje. As auto escolas são muito bem equipadas e os instrutores muito capacitados. Acredito que transmitam seus ensinamentos com dedicação e paciência.
Mas parece que os alunos é que não estão assimilando os ensinamentos. Depois de devidamente habilitados, saem cometendo absurdos pelas ruas. Não respeitam vias preferenciais, mudam de mão de direção sem sinalizar, abusam da velocidade nas vias urbanas e cometem muitas outras absurdices. E, aqui na cidade, o que mais chama a atenção são os erros cometidos nas rotatórias, que foram instituídas para organizar a trajetória dos veículos e diminuir o risco de acidentes.
No cruzamento das ruas Vieira Homem com Sete de Setembro, é comum que os veículos cortem a rotatória por dentro, à sua esquerda, contrariando a função da sinalização.
Na grande rotatória da entrada da cidade, obra que sem dúvida contribuiu para organizar o trânsito naquela área, os erros são piores. Por várias vezes eu pude observar veículos contornando a rotatória no sentido horário, ou seja, na contramão de direção.
Já vi também veículos saindo da Rua Sete de Setembro e entrando diretamente na Avenida Profa. Fátima Anderson, sem contornar a rotatória. Também já observei carros saindo da mesma avenida sem respeitar a preferência de quem está contornando a rotatória.
Outros erros comumente observados foram veículos saindo da Rua Sete de Setembro e entrando direto na Avenida Frei Rafael. Não sei se é intencional ou se é por desconhecimento das mais elementares normas de trânsito.
Pelo que eu sei, até agora nenhum grave acidente aconteceu ali. Mas, com o inevitável aumento do trânsito, isso pode vir a acontecer, custando vidas de inocentes. Isto porque o número de acidentes vem crescendo assustadoramente no país.
Em pesquisa divulgada na sexta-feira, dia 04 de novembro, o Ministério da Saúde anunciou que houve um aumento de 24% no número de acidentes nos últimos nove anos. Em 2003 foram 32.753 ocorrências. Em 2010 aconteceram 40.610 acidentes. Somente em 2010 quarenta mil pessoas morreram no trânsito no território nacional. Ou seja, quase que o dobro população de Muzambinho.
Os acidentes com motos pularam de 940 em 2002 para 2.948 em 2010. Um acréscimo de mais de 300%, decorrente certamente do aumento vertiginoso no número de motocicletas.
Diante das incontáveis irregularidades no trânsito, fico a imaginar o que poderia ser feito para minimizar os perigos que nos rondam pelas ruas todos os dias. Quem sabe se a colocação de câmeras de vídeo nos locais críticos pudesse auxiliar na punição dos contraventores.
Ou a contratação de agentes de trânsito para atuação contínua, principalmente na educação e esclarecimento dos motoristas, contribuindo enormemente para a prevenção de acidentes. Não podemos esquecer que os pedestres também cometem suas irregularidades, comprometendo o bom andamento do trânsito. E deveriam também ser alertados sobre a forma correta de se comportar
Enfim, acredito que seria necessária a adoção de ações contínuas e ininterruptas para a concreta efetivação dos resultados. Simplesmente porque o comportamento das pessoas no trânsito é uma questão de educação. E dessa forma deveria ser visto.

José Nário F. Silva - Muzambinho/MG