PITO, PITÔ! A violência nas escolas brasileiras

Publicado em 30/09/2011 e atualizado em 30/09/2011 - ze-nario - Zé Nário

Nas últimas semanas os jornais televisivos mostraram várias reportagens sobre violência nas escolas brasileiras, inclusive com duas ocorrências em escolas mineiras. Recrimináveis e assustadores os acontecimentos: uma diretora sofreu agressão de um aluno, uma mãe de aluna espancou a professora da filha, a mãe de uma aluna surrou a mãe de outra aluna. Além disso, imagens de alunas se pegando e rolando no chão após as aulas, gravadas por aparelhos de telefonia celular, foram mostradas à exaustão. Na semana passada, mais três ocorrências viraram notícias. No Rio Grande do Sul um aluno atacou uma professora – de cinquenta e quatro anos - pelas costas, depois que ela o privou do aparelho de telefone celular, que ele insistia em usar dentro da sala de aula. Em São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo, um aluno de dez anos atirou na professora com o revólver do pai e depois se suicidou. Os motivos ainda não são claros. Aqui em Minas aconteceu outro caso de tentativa de assassinato com arma de fogo. Desta vez a vítima foi um inspetor de alunos, que foi atacado na sua casa.
Coincidentemente, com esse terrível pano de fundo a reforçar suas justas reivindicações, os professores mineiros passam por um período de greve em busca de seus direitos mais elementares. E esses direitos certamente incluem o respeito pela sua profissão, coisa cada vez mais difícil de ver entre o alunado.
Sabemos que indisciplinas sempre existiram no ambiente escolar, especialmente entre os adolescentes. Os hormônios estão nas alturas nesta fase da vida. Além, é claro, da necessidade de buscar hegemonia entre seus pares.
Alunos sempre se pegaram depois das aulas. Ou para demarcar território ou para estabelecer o comando das tribos. Porque, não se enganem, são tribos! E elas se formam nos primeiros anos da escola, prevalecendo por toda a vida. A diferença dos fatos de antigamente é que hoje existem os celulares para gravar em vídeo digital tais imagens. E, pior (apesar de dizerem que é melhor), existem as redes sociais na Internet para divulgar tudo que acontece no mundo. Especialmente o que acontece de errado e ofensivo.
No entanto, isto é fato, agressões de mães de alunos a professores eram muito raras. Ataques a diretoras, pessoas extremamente importantes e respeitáveis, eram mais raros ainda. As diretoras estavam acima de nós, pairando numa espécie de altar escorado de um lado pela autoridade e de outro pela severidade.
Mães tentando intimidar professores, com argumentos os mais variados, injustificados e até estapafúrdios, também sempre foi comum. Mas sair no tapa - as chamadas “vias de fato” - era coisa quase impossível tempos atrás.
Mas, deploravelmente, esses tempos mudaram. A escola mudou. Os alunos mudaram. E ficou muito mais difícil lidar com eles. As facilidades que vieram para ajudá-los acabaram por prejudicá-los enormemente. Muitos fatos negativos atuam contra a autoridade dos professores e dirigentes escolares. A famigerada progressão automática no ensino fundamental praticamente os isentou de qualquer punição pela indisciplina ou pela falta de dedicação.
Naqueles bons tempos em que a autoridade (sem autoritarismo) dos mestres em sala de aula era mais considerada, o aprendizado era mais efetivo. E não sou eu que o digo, vários são os estudiosos que o afirmam.
Também na relação entre os alunos o respeito era maior. As brincadeiras eram mais sadias e as gozações não incluíam tantas agressões verbais e físicas como as de hoje. O que prevalece na atualidade são brincadeiras extremamente perniciosas e maldosas que geram conflitos ainda maiores.
Não é possível voltar no tempo para que os profissionais da educação possam usar tão somente os recursos da escola antiga. Não é possível transmutar em cordeirinhos passivos e obedientes os alunos de hoje, com tanta informação disponível e com tanta tolerância paterna. Também não é recomendável que professores percam a paciência a todo momento, sob pena de adoecer ou, por outro lado, sofrer agressão de pais, mães e, absurdamente, até dos alunos.
Mas é necessário e urgente que algo seja feito para proteger os professores, e demais profissionais da educação, dos alunos que não querem aprender e dos pais que querem soluções milagrosas para filhos terríveis, cuja “deseducação” começa em casa. Os pais não podem esquecer que os filhos são parecidos com eles, para o bem ou para o mal.
E nos dias atuais eles querem resolver tudo na pancadaria, a exemplo dos jogos de computador que eles utilizam em seus lares, com anuência total dos genitores. Reforçando e evidenciando, as atitudes de indisciplina e a revolta, aliadas à falta de educação, começam em casa. Por isso, não acredito numa solução unilateral.
Há que se estudar uma solução partilhada entre todas as partes envolvidas.
Sem ser saudosista, certamente eram muito mais sadios os tempos em que a vingança para qualquer desavença entre alunos era anunciada com um sonoro: “Pito, pitô! Canudo rachô! Papo da véia rebentô!”. Nos dias de hoje, querem resolver tudo no sopapo, quando não na bala!
E, se algo não for feito – administrativamente - para a proteção dos profissionais da educação, uma alternativa seria ensinar artes marciais a todos, para a sua autodefesa, além do uso de coletes à prova de balas no serviço e nos deslocamentos pelas vias públicas. De outra maneira, os abusos vão aumentar cada vez mais.