PHILIP VAN DER MEL, O DÉCIMO SEGUNDO JOGADOR DA HOLANDA

Publicado em 09/07/2010 - ze-nario - Zé Nário

Muitos leitores tem reclamado do meu silêncio. Ando mesmo muito quieto, contrariando minhas características de falador inveterado. Andam achando que deixei de pensar. Outros acreditam que estou esquentando muito a cabeça e os neurônios foram torrados. Não é nada disso. Nem todos os neurônios foram queimados. Sobraram uns poucos, aqui e ali. E antes que estes últimos desapareçam, vou aproveitar a desclassificação da nossa seleção na copa para falar um pouco e soprar a vuvuzela da decepção.  Andava desconfiado que algo fosse dar errado a qualquer momento lá na África do Sul. Desde o início da competição tinha uma sensação de desastre iminente. Na minha cismância exacerbada, cheguei a pensar que talvez a seleção pudesse ser devorada por uma família de leões ou pisoteada por uma manada de elefantes. Aqui entre nós, talvez fosse o melhor para todos, né não?
Mas, como acontece em toda copa, achava também que era puro pessimismo. Afinal, nossa seleção sempre chega meio desacreditada nessa competição quadrianual. Achava também que era tão somente a desconfiança sobre a competência do Dunga.
Ah, não! Desculpe o trocadilho, mas acho que aí eu estava certo! Os números da copa comprovam. Porém, analisando friamente, no fundo, no fundo, acreditava que o Brasil passava tranqüilo pelas “terras baixas” (Netherlands). Mas não que se enfiasse por baixo da terra que pula do péssimo gramado do estádio Nelson Mandela Bay, na cidade de Porth Elizabeth.
Nem imaginava que o nosso time fosse atropelado por uma dúzia de laranjas maduras, ou melhor, onze laranjas e um banana (Felipe Melo). Depois daquelas primeiras vitórias, todas pouco convincentes, aquele pessoal da televisão já havia convencido a todos nós que a seleção podia ser “hexa” no próximo domingo.
Tudo enrolação! Eles sabiam que a nossa seleção não era lá grande coisa. Mas não podiam contar a verdade porque a audiência ia cair muito.  Os argentinos também foram enganados. Pensaram que a seleção com Maradona era imbatível. Até pegar a Alemanha, os portenhos só tinham encontrado moleza. Foi só bater de frente com os chucrutes que a verdadeira face do time argentino apareceu: eles são razoáveis no ataque e péssimos na defesa.
Voltemos ao nosso desastre. No passado recente tivemos um tal de Kaká no meio-campo, um ex-craque  que já foi até eleito melhor jogador do mundo. Hoje não temos mais Kaká, nem meio-campo. Neste último jogo da Copa de 2010 até parecia que o Galvão Bueno havia ficado gago. Toda hora ele dizia: “Ka-ká... Ka-ká... ka-ká, ca-iu”. Era mais um tombo do Kaká, pedindo uma falta que não existia. Talvez devesse ser chamado de Kaikai.
Ali temos também um tal de Robinho (que virou Bobinho, e nervosinho, contra os holandeses), um daqueles jogadores sortudos que jogam bem uma partida em dez e viram ídolos. Raramente marcam gols, mas driblam muito bem. Para a torcida já basta o espetáculo da driblação sem objetivo.
Mas aí há um equívoco. O Robinho, que pedala muito bem, não deveria ser ciclista ao contrário de jogador de futebol? Aí, sim, como hábil e competente pedalador, ele poderia dar muitas alegrias ao torcedor brasileiro.
Afinal, agora que a vaca já foi pro brejo, podemos criticar à vontade. Podemos inclusive xingar a mãe do Dunga. Mas não vou fazer isso. Muitos outros já o fizeram e não quero ser repetitivo. Vou falar mal de alguns dos outros culpados pela desclassificação.
Luis Fabiano, como se viu, honrou o apelido. É o “fabuloso” perdedor de gols. Chegou lá como possível artilheiro da competição. Não passou de três gols sem importância. Quando tinha mesmo que fazer, não fez.
Eu disse lá no início que a Holanda jogava com doze jogadores e o primeiro a perceber isso foi o árbitro japonês, grande fã do nosso futebol. Todo mundo viu que ele conversava muito, tentando explicar a situação aos brasileiros, seus ídolos secretos. Mas ninguém entendia japonês.
Dunga, que jogou no Japão, até já soube um pouco de japonês, mas esqueceu. Não é muito bom nessas coisas...
Enfim, depois que o Philip van der Mel, quer dizer, Felipe Melo, fez o primeiro gol dos holandeses, o apitador asiático – aproveitando uma falta do volante - o tirou do jogo, para não atrapalhar ainda mais os brasileiros. Se o deixa na partida – Meu Deus! - nossa seleção ia ser goleada da mesma maneira que os argentinos contra a Alemanha(Que sova, ein?).
Por isso, por mais absurdo que pareça e apesar do vexame, temos que agradecer ao Felipe Melo. A coisa poderia ter sido muito pior! Nosso consolo é que uns setenta ou oitenta por cento dessa seleção não estará na Copa de 2014. Assim espero!
Se insistirem nisso, com um técnico “meia-tigela” como o Dunga e jogadores envelhecidos e previsíveis, teremos outra edição da copa de 1950, quando o Brasil foi derrotado pelo Uruguai na final, em pleno Maracanã.  Cruz-credo! Que Deus nos proteja de mais um vexame desses!