OLIMPÍADAS 2012: VALEU A PENA O INVESTIMENTO?

Publicado em 31/08/2012 - ze-nario - Zé Nário

O Brasil saiu de Londres com a 22ª posição no quadro de medalhas das Olimpíadas de 2012. Foram conquistadas três medalhas de ouro, cinco de prata e nove de bronze, num total de dezessete. As medalhas mais esperadas, na natação e no atletismo, não vieram. Atletas tidos como os melhores do mundo em suas especialidades, decepcionaram. Inclusive, mais uma vez, o futebol masculino.
Mas este fracasso não foi por falta de investimento. Já nas olimpíadas de Pequim, quatro anos atrás, o país investiu um bilhão e duzentos milhões de reais. Em Londres o investimento de dinheiro público foi de dois bilhões de reais. Além dessa fortuna, muitos outros milhões de reais vieram de patrocinadores. Porém, ninguém sabe qual seria esse valor. Duzentos e cinquenta e nove atletas representaram o nosso país na última olimpíada. Se dividirmos somente os dois bilhões de reais (R$ 2.000.000.000,00) de investimento oficial pelo número de atletas, teremos um custo aproximado por atleta de sete milhões, setecentos e vinte e dois mil e sete reais (R$ 7.722.007,00) em quatro anos. Ou quase dois milhões por ano. Devemos lembrar que esse valor na realidade é maior, pois muitos outros milhões são investidos por patrocinadores.
Todo esse investimento nos deixou muito abaixo de países minúsculos como Jamaica, Cuba e Nova Zelândia na classificação final. Todos eles com populações e investimentos públicos infinitamente menores. Daí fica fácil concluir que algo está errado nessas contas, ou melhor, na forma de gastar toda essa dinheirama.
Essa fartura mal aproveitada começou em 2001, quando a “Lei Agnelo Piva” destinou 2% da arrecadação das loterias federais para o desporto olímpico. No entanto, aqui já dá pra ter uma idéia das distorções, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) fica com 85% desse valor e destina 35% para as confederações de cada modalidade esportiva. O esporte escolar, até o nível médio, recebe 10%. Os 5% restantes vão para o esporte universitário.
Resumindo: a fase de descoberta das vocações esportivas e a formação inicial dos atletas recebem somente 15% das verbas. O grosso mesmo vai para o trabalho com os poucos atletas que se destacam ao longo do tempo. Grande parte dos recursos vai para esportes coletivos e de massa, como futebol e vôlei, que geram maior visibilidade e prestígio. O atletismo, com suas tantas categorias, não é valorizado.
Na contramão de tudo isso, pequenas nações como a Jamaica investem no atletismo e faturam mais medalhas de ouro do que nós. E garanto que o investimento total é muito menor. Isso fica evidente no número de atletas da delegação jamaicana presente em Londres, cujo total não passou de cinquenta pessoas.
Especialistas garantem que, nessa altura das coisas, é impossível mudar o foco do investimento para as olimpíadas de 2016, que acontecerão no Rio de Janeiro. Quer dizer, o vexame nas “nossas olimpíadas” já está anunciado. Corremos o risco de nem alcançarmos as magras dezessete medalhas da última olimpíada. E só três - há, há,há – só três de ouro.
E os bilhões de investimento certamente vão aumentar. Mas continuarão a ser usados de forma errônea e inconsequente. Países recordistas em medalhas, como China e Estados Unidos, já descobriram há tempos que o negócio é investir nas bases. E as bases estão nas escolas. Porém, como vimos acima, aqui no Brasil somente uma parte ínfima dos recursos oficiais vão para o esporte escolar.
Respondendo à pergunta do título, não valeu a pena mandar 259 atletas para Londres! Definitivamente! A imensa maioria foi fazer turismo às nossas custas.
Portanto, a caminhar desse jeito, não há nada capaz de evitar o vexamão das olimpíadas de 2016 aqui no Brasil. Mas, se alguém acredita em milagres, pode começar a rezar e convocar os santos prediletos...

José Nário F. Silva / Muzambinho