A maior TV educativa do Brasil e a derrocada dos costumes

Publicado em 17/12/2013 e atualizado em 17/12/2013 - ze-nario - Zé Nário

Dentre as emissoras educativas de sinal aberto que povoam os ares ainda não poluídos de nossas paragens, temos ótimas opções. A TV Brasil, a TV Cultura, a TV Escola e as emissoras educativas estaduais. A mais antiga delas, a TV Cultura, com base na cidade de São Paulo, exibe excelentes programas, alguns deles premiados nacional e internacionalmente. 

 

A TV Escola também exibe ótimos programas, que cumprem sua função educativa além oferecer apoio para professores e outros profissionais da educação. A TV Brasil produz uma programação que é livremente repetida pelas emissoras educativas estaduais e locais.

Mas, infelizmente, a maior e mais influente TV educativa do país é aquela do “plim-plim”.   E isso é extremamente preocupante. O poder dessa conhecida emissora de TV está comprovado na sua capacidade de impor a moda do momento, na política, na música, nas roupas e calçados, nas expressões repetidas à exaustão pelos jovens e adultos e até nas dietas de emagrecimento.

A última rodada do campeonato brasileiro, acontecida nos dias sete e oito de dezembro, me fez pensar nisso. A partida entre a equipe do Atlético Paranaense e o Vasco da Gama esteve paralisada por mais de uma hora em razão de uma pancadaria entre as torcidas dos dois times. E a televisão mostrou tudinho, no momento do acontecimento e durante os dias subsequentes.

Mas isso não é nada. O programa mais assistido da emissora, a telenovela das oito horas - que começa depois das nove - traz uma pancadaria a cada cinco ou seis capítulos no horário nobre. Sabe-se que a cada ano que passa, as crianças dormem mais tarde e são espectadoras atentas dessas telenovelas. Portanto, a lição que elas aprendem, no futebol do domingo de tarde ou nas noites do restante da semana, é que tudo na vida se resolve com uma bela surra.

Dentro dessa concepção, uma sonora sova conserta todos os problemas do mundo. Desde as desavenças das selvagens torcidas organizadas do futebol até as complicadas querelas engendradas pelos autores de telenovelas. E, na vida real, por todos os cantos, a violência só faz aumentar.

A mesma emissora é a responsável pela disseminação dessa excrescência denominada “funk”, com suas letras de cunho sexual e bestialidade desregrada, que é absorvida e consumida pelos jovens de todo o país como suco de laranja. Esse massacre cultural tem suplantado até o axé, que nos atormentava até recentemente. Nessa altura dos acontecimentos, eu confesso que já tenho saudades do axé.

E muito me admira que os jovens de nossa região circulem com seus automóveis, equipados com potentes amplificadores sonoros, a ouvir essa autêntica besteira, típica dos subúrbios cariocas. A identidade cultural de nosso povo está sendo aviltada pelos piores costumes do carioquismo suburbano.

Não tenho dúvida que a tal emissora do “plim-plim” é a maior disseminadora de costumes e modismos da atualidade, contribuindo de forma definitiva para a divulgação da violência e da linguagem grosseira do funk. Em virtude disso, certamente é a maior TV educativa (ou seria deseducativa?) do país. Apesar de ensinar e disseminar somente o que há de pior na sociedade, principalmente no Rio de Janeiro.

Todavia, como maior TV educativa do país, sua programação deveria obedecer aos mesmos ditames das demais emissoras voltadas para a educação. Da forma que está, divulgando as piores manifestações culturais do país, ela, na verdade, só contribui para a deseducação da população. E, mesmo assim, é o grupo midiático que recebe a maior parcela das verbas de propaganda dos governos em todos os níveis.

Em suma, os próprios governos financiam a derrocada dos costumes e a total falta de boa educação... Coisas do Brasil, né mesmo?

Aproveito o ensejo para desejar bom Natal e boas festas para todos os leitores e respectivas famílias! E também um ano novo maravilhoso, carregado de realizações, boas notícias e muitas alegrias!

Gostaria muito de desejar também um ano novo totalmente livre do funk... Mas acho que isso é impossível...

José Nário (Muzambinho/MG)