ACONTECEU COM O SANTIAGO, MAS PODERIA SER COM VOCÊ!

Publicado em 12/02/2014 - ze-nario - Zé Nário

O cinegrafista Santiago Andrade, da rede Bandeirantes de Televisão, teve morte cerebral na manhã da última segunda-feira, depois de ser atingido por um artefato explosivo enquanto trabalhava na cobertura de manifestações de rua no Rio de Janeiro, na semana passada.

Os culpados já estão presos, principalmente em virtude de uma “blitz” promovida pela imprensa que, unida, acelerou o processo de investigação do acidente. Desde o momento do acontecimento, os órgãos de imprensa fizeram pressão nas autoridades com vistas ao rápido esclarecimento da questão.

Nos últimos dias falou-se muito sobre as manifestações de rua que se repetem insistentemente desde a Copa das Confederações, no ano passado. A presidente Dilma Rousseff postou mensagens nas redes sociais, solidarizando-se com os familiares do cinegrafista e defendendo as manifestações pacíficas. Muito embora a maioria delas acabe em violência descontrolada.

Até a imprensa internacional manifestou-se, estarrecida pelo absurdo acontecimento, ensejando mais segurança para os profissionais que atuam no Brasil. Sejam eles brasileiros ou estrangeiros.

Parece que está tudo certo, não é?

Pois, é! Parece, mas não está! Acho que existe um lado do problema que não foi sequer lembrado na discussão: é a questão da livre fabricação e a venda indiscriminada de fogos de artifícios.

No caso específico da morte de Santiago Andrade ficou tristemente comprovado que esses artefatos explosivos são armas perigosas e fatais, que transitam livremente nas mãos de adultos e crianças, provocando acidentes mais ou menos graves pelo país afora.

Qualquer manifestação religiosa, cívica, política ou até mesmo pessoal, costuma ser abrilhantada pela farta utilização de tais artefatos explosivos. O mais simples motivo serve de pretexto para que as pessoas perturbem a vizinhança, incluindo-se aí os pacientes de hospitais, idosos e bebês, com essas terríveis explosões. Fatos que ocorrem sem o menor controle ou fiscalização por parte de autoridades locais.

Em muitos casos, como no trágico acontecimento que culminou com a morte do cinegrafista Santiago Andrade, os fogos de artifícios podem ser usados como armas de ataque, que nem sempre atingem o alvo esperado. Neste episódio, o ferido poderia ser um policial, que era o alvo pretendido, ou outro manifestante qualquer. Além, é claro, de crianças e adultos que circulavam pelos arredores e não participavam do evento.

Eu acho estranho que ninguém atente para este fato porque o país, há tempos, vem promovendo uma contínua campanha de desarmamento que já retirou milhares de armas de fogo das mãos de civis. E os fogos de artifícios, armas ironicamente utilizadas em ocasiões festivas, são fabricadas livremente.

Talvez, e infelizmente, a morte do profissional da imprensa possa contribuir de forma definitiva para a abertura do debate sobre a fabricação e venda de fogos de artifícios que, comprovadamente, são armas perigosas e mortais. Porque, sem dúvida, mais acidentes vem por aí, nas manifestações de rua que irão se multiplicar nos próximos meses.

José Nário Silva - Muzambinho/MG