A Voz de Todos - Edição 1024

Publicado em 04/02/2011 - vonzico - Ivon W. Vieira (Vonzico)

PENSAMENTO DA SEMANA – “Os anos enrugam o rosto; renunciar a um ideal enruga a alma” (General MacArthur)
VAMOS SER MAIS OTIMISTAS E ESQUECER OS MAUS? – Em toda sociedade existem aquelas pessoas “derrotistas”, que somente procuram ouvir e ao mesmo tempo ficar falando, procurando denegrir imagens de pessoas, e também ver somente o mal, o que é lamentável. Precisamos amar mais o próximo e se não podemos ajudar  quem precisa, que pelo menos não atrapalhamos. Infelizmente, no mundo atual existem certas pessoas que se julgam superiores, melhor que todos, passando como um roldão sobre pessoas mais humildes o que é lamentável. Precisamos ter em nossa consciência que a “vida é passageira” e o que fazemos, seja para o bem ou o mal, pode transformar o mundo. Assim sendo, vamos tomar ciência, e em caráter definitivo, que devemos amar a todos sem distinção de ordem financeira, cor ou raça, pois perante o Criador somos iguais e seremos julgados de acordo com nosso procedimento. Usando aquelas palavras que eram colocadas nas passagens da Cia. Mogiana de Estrada de Ferro: “Pare, olhe e escute”, pois o tempo e a vida são implacáveis, e aquela pessoa que repudiamos, pode muito bem, um dia, ser a nossa salvação, pois como dizem os poetas: “O mundo pode dar muitas voltas, para o bem ou para o mal”. Cuidado!

SAUDADE DA “FRENTE NEGRA” NO CARNAVAL – Em nossa infância e juventude, presenciamos o desfile no carnaval, dos membros da “Frente Negra”, um clube que os negros de Muzambinho fundaram e tinha como principais membros José Roxo, Zé Ernesto e seus irmãos, Negrita, Nô, Zé Totó, Chico da Sá Rita, D. Celina (uma das mais animadas) e uma turma que alegrava os dias de Momo, tudo dentro da maior harmonia, respeito e felicidade. No domingo e terça-feira gorda (como diziam) haviam desfiles chamados de “corço” com todos os automóveis disponíveis (que eram abertos) todos enfeitados e blocos, dando voltas por nossa Avenida Américo Luz. Vamos mostrar em outra edição algumas fotos de nosso “velho carnaval”! Que saudade, diria o poeta, que não voltam mais!

REVISTA RECEBIDA: “DOS ANOS DOURADOS AOS ANOS DE CHUMBO” – Recebemos de nossa filha Iara Lúcia, um exemplar da revista Extra, onde foi publicado um artigo sobre os anos dourados e os anos de chumbo do Brasil, numa edição histórica da Revolução, depois da renúncia do presidente Jânio Quadros, em 29 de agosto de 1961. Foram anos “negros” do Brasil e a revista conta tudo, inclusive com fotos e comentários. É uma relíquia que inclusive pode ser usada nas escolas. Foram momentos críticos e esta revista merece uma especial atenção. Esta revista foi publicada em 16/04/1964.

12 CÚMULOS

1) Qual é o cúmulo da vaidade? Passar batom na boca do estômago.
2) Qual é o cúmulo da força? Dobrar uma esquina.
3) Qual é o cúmulo do regime? Tomar caldo de cana com adoçante.
4) Qual é o cúmulo do atraso no basquete? Acertar a bola na cesta e ela somente cair no sábado.
5) Qual é o cúmulo da distração? Engolir o guardanapo e limpar a boca com o bife.
6) Qual é o cúmulo da paciência? Contar os degraus da escada rolante.
7) Qual é o cúmulo da magreza? Usar um pijama de uma listra só.
8) Qual é o cúmulo da rebeldia? Morar sozinho e fugir de casa.
9) Qual é o cúmulo do viajante? A morte bater na sua porta e você não estar em casa.
10) Qual é o cúmulo da burrice? Abrir o lápis para ver as letrinhas.
11) Qual é o cúmulo do astronauta distraído? Bater a nave e dizer que foi por falta de espaço.
12) Qual é o cúmulo da tecnologia? Construir um submarino conversível.

VOCABULÁRIO DE MUZAMBINHO – Nos primórdios da fundação do povoado “São José da Boa Vista” em 19 de março de 1852, os primeiros moradores eram filhos de portugueses, já arraigados no país desde sua descoberta e alguns portugueses natos. Posteriormente no começo do século os imigrantes italianos tomaram conta da região; e antes, mais ou menos, 1880 ou um pouco antes os escravos negros e cada um tinha o seu dialeto, pois eram originários de diversos lugares da África e mesmo da Península Itálica, onde proliferam dialetos.  Posteriormente os sírios, libaneses e alguns espanhóis, formando uma “barrafunda” de línguas.
Mas o que arraigou mais no município foi a linguagem “cabloca” do homem do campo, não havendo registro.
Posteriormente com a fundação do Lyceu Municipal, a linguagem tornou-se mais erudita, pois os professores eram homens cultos e de formação acadêmica extraordinária. Vamos enumerar alguns termos muito usados pelo pessoal da zona rural no início do século e mesmo até a década de 50 mais ou menos: “Inté-tur-dia” (Até outro dia); “pra mode” (pra isso ou aquilo); “tapacê” (está para ser); “vorte mula” (exclamação negativa); “Uai (palavra originária do inglês que usava um termo parecido por ocasião da construção das linhas férreas); “conóis” (conosco); “geringonça” (coisa atrapalhada); “de mala e cuia” (com tudo); “Tutaméia” (pequena coisa, ínfima);  “ó trem bão” (coisa boa); “trem” (alguma coisa); “trem ruim” (coisa má, péssima); “bacuri” (criança pequena); “sem seca” (pessoa simples, sem mesuras); “deu na sapituca” (deu na idéia, pensamento); “dando uma de João sem braço” (esquivando-se, fugindo do compromisso); “nóis vai” (nós vamos); “fulano ficou tiririca” (bravo, raivoso); “malemá” (mais ou menos); “tintiano” (ir mais ou menos menos, vivendo); “trupicá” (tropeçar); “tropicão” (tropeço grande); “rabiá” (dar meia volta); etc. Em razão da miscelânea de raças, Muzambinho ficou sem uma linguagem própria, e cada um procurava se entender da melhor forma.

NOSSA CASA SERÁ “INVADIDA” NO CARNAVAL! – Como dizem alguns: “Muzambinho tem açúcar”, haja vista que cinco jovens paulistas, amigas de nossas netas Paula e Victória, estão planejando virem no carnaval, e pelo que estamos ouvindo de outras pessoas muitos jovens virão nos visitar nos dias de Momo e a cidade receberá centenas de carnavalescos. Somente esperamos que as autoridades tomem providências sobre a segurança, pois, infelizmente, no meio de gente boa, sempre se infiltra alguns “maus” o que nos preocupa. Prevenir sempre, é ainda o melhor remédio, como diziam nossos avós. Esperamos que tudo corra bem e todos possam passar momentos alegres e descontraídos e a diversão sadia prevaleça e que voltem sempre, pois nosso povo é acolhedor e a cidade é uma das melhores da região, com clima ameno e toda a estrutura para satisfazer os visitantes.

VOCABULÁRIO MUITO USADO EM MUZAMBINHO E ADJACÊNCIAS – O mineiro por excelência tem um “palavreado” todo especial e a seguir vamos enumerar alguns termos muito usado no dia-a-dia, mormente na área rural e em bairros mais distantes. Hoje, com a evolução geral, inclusive com programas televisivos, muitas palavras caíram no esquecimento, mas as pessoas mais idosas, como é o nosso caso, lembram muito bem de um passado não mui distante.

O FUTEBOL DE MUZAMBINHO ACABOU DE VEZ? – Na nossa juventude o futebol era o esporte mais praticado em nossa cidade e na região num todo, mas de uns tempos a esta parte não se ouve falar nada, e até nos bairros quando todos os domingos enchiam os campos para disputas entusiasmadas, parece que caiu no esquecimento. Lembramos do Atlético, Comércio, os times da zona rural; o Bandeirantes, e outros, mas hoje os domingos passam em branco. Será que tudo acabou mesmo? E o Campeonato que enchia o estádio Antônio Milhão, acabou de vez? Será o sinal dos tempos, ou não temos mais ninguém interessado? É uma pena, pois Muzambinho sempre se destacou no futebol na região. No nosso tempo de jovem chegamos a jogar contra Alfenas, Guaxupé, Varginha, Guaranésia, Nova Resende, Cabo Verde, Poços de Caldas e até alguns times profissionais de São Paulo, e hoje não se ouve mais nada e os domingos e feriados nada acontece e o Estádio Antônio Milhão está as moscas. E o timão da Escola Agrotécnica, lembram os mais velhos? É uma pena, pois tínhamos famílias tradicionais com grandes jogadores, tais como: Montanari, Rondinelli, a nossa família. Lembram do “velho” Corote, um dos maiores jogadores de nossa terra e das vizinhas? Que tal alguém voltar a se interessar?

NUNCA DAMOS VALOR AO QUE TEMOS OU POSSUÍMOS! – Para ilustrar o pensamento acima, transcrevemos a seguir um anúncio feito pelo poeta Olavo Bilac, a pedido de um amigo: “O dono de um pequeno comércio, amigo do grande Olavo Bilac, certo dia abordou-o na rua e disse: Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio que o senhor tão bem conhece. Será que poderia redigir o anúncio para o jornal? Olavo Bilac apanhou o lápis e papel e escreveu: “Vende-se encantadora propriedade, onde cantam pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortando por cristalinas e merejantes águas de um lindo ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes na varanda.” Alguns meses depois o poeta encontra-se com o comerciante e pergunta-lhe se já havia vendido o sítio. Nem pensei mais nisso, disse o homem. Depois que li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha! Às vezes, não percebemos as coisas boas que temos conosco e vamos longe atrás da miragem de falsos tesouros. Devemos valorizar o que temos e que nos foi dado gratuitamente por Deus: os amigos, o emprego, o conhecimento que adquirimos, a saúde, o sorriso dos filhos e o afago do cônjuge. Estes sim, são verdadeiros tesouros”. Resumindo: Precisamos valorizar mais o que temos e agradecer a Deus por esta dádiva!

PIADA DA SEMANA: FOTOGRAFIA NA ROÇA ANTIGA – Certo dia, um caipira convicto comprou uma máquina fotográfica e a levou para seu sítio. Chegando lá com o aparelho, que ninguém conhecia, ele disse: Pessoal, fiquem todos perto da cerca de arame farpado porque vou fazer uma foto muito bonita de todos! Ele programou a máquina para disparar sozinha e correu em direção aos amigos. Porém, quando as pessoas o viram correr, foi um alvoroço. Cada um correu para um lado diferente. Assustado, o caipira perguntou: O que aconteceu, uai? A tia respondeu: Se você, que conhece o negócio, ficou com medo, imagina a gente, que nunca viu nada parecido.