Rodrigo Pacheco pede união de esforços no combate ao coronavírus

Publicado em 26/03/2020 e atualizado em 26/03/2020 - politica - Da Redação

Rodrigo Pacheco pede união de esforços no combate ao coronavírus

Diante de um cenário novo e cercado por incertezas, o líder do Democratas no Senado, Rodrigo Pacheco (MG), defende que o momento não é de “rompimento” e, sim, de “união de esforços”, por parte de todos os poderes, na busca de soluções para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), no Brasil. Em entrevista, na manhã da quinta-feira (26), o senador criticou o enfrentamento político, protagonizado pelo presidente da República, governadores e prefeitos, no momento que a sociedade espera de todos serenidade e trabalho, no Congresso, pela aprovação de medidas que assegurem recursos  para o combate ao Covid-19.

Segundo o senador, a epidemia envolve questões técnicas complexas e o seu combate, em função do ineditismo, exige maior organização e mobilização de todas as forças do Estado. “Não é hora de rompimento, especialmente em meio a uma crise que está vitimando pessoas e que pode vitimar ainda mais. Como líder de partido, nosso papel e obrigação é ajudar em tudo que for preciso para enfrentar essa crise”, ressaltou. 

Sobre as declarações do presidente Jair Bolsonaro, Rodrigo Pacheco disse que o chefe do Executivo vem sendo “infeliz” ao minimizar a pandemia. Para o senador, é preciso ouvir os órgãos competentes, como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS), sobre as medidas de prevenção a serem adotadas. “Já houve uma manifestação do Senado, criticando de maneira veemente, a fala do presidente (pronunciamento). Eu próprio manifestei que ele não acrescentou, mas gerou dúvida na população. Não foi uma fala feliz, mas eu fiz uma opção de não estabelecer conflito porque não é hora de disputa política. É preciso encontrar um denominador comum, que não está na vontade pessoal, mas no comando da OMS e do Ministério da Saúde que, por ora, recomendam a permanência em casa e o não contato físico”. 

Sobre a disputa política travada pelo presidente e os governadores de Estado, Rodrigo Pacheco ressaltou que o país, no momento, não precisa de mais “choques entre as partes” e, sim, da contribuição de todos os setores para sair da crise o quanto antes. O presidente vem criticando os governadores que adotaram medidas mais restritivas de isolamento social para conter o avanço da doença. “Não é hora de se pensar em eleição de 2020 ou 2022. A hora é de união de quem quer contribuir. Quem não quiser contribuir, que saia disso e deixe quem quer a união. Cada um tem que cumprir seu papel, ter menos vaidade e ouvir o que os órgãos competentes dizem”, frisou. 

Ainda de acordo com o parlamentar, é preciso aguardar, até abril, o cenário de como estará a disseminação do Covid-19 no Brasil para, aí sim, debater um possível cancelamento das eleições municipais, no dia 4 de outubro. O senador se diz “simpático” a uma proposta de emenda à Constituição (PEC 56/19), de autoria do deputado Rogério Peninha Mendonça (MDB-SC), que tramita no Congresso, de coincidir as eleições nacionais com as municipais. No entanto, para ele, o tema precisa ser discutido a fundo e, neste momento, se os dados do coronavírus no país continuarem crescendo, será necessário debater o cancelamento do pleito e transferir todos os recursos para o combate ao Covid-19. “Eu, já antes da crise, era simpático a essa PEC, que busca estender mandatos e unificar as eleições. Já era simpático a isso. Mas, neste momento, muito mais do que uma data de eleição, o que temos que deliberar é se há condições de se ter uma eleição, agora em outubro. Não me parece que seja possível. A persistir essa situação, de todas as pessoas em casa, por recomendação do Ministério da Saúde, é impossível fazer campanha e, consequentemente, ter eleição”, frisou Rodrigo Pacheco. O senador defende que os R$ 5 bilhões a serem gastos com os pleitos de outubro sejam repassados para a saúde pública dos municípios brasileiros. 

Em relação ao impacto econômico da quarentena no país, Rodrigo Pacheco acredita que é também preciso criar estratégias para que o país tenha o mínimo de perdas possível. No entanto, segundo o senador, a preservação da vida deve estar acima de qualquer questão econômica. “Eu acredito que, nos próximos dias, haverá um novo comando de como será essa quarentena. É claro que temos que retomar a economia, ela é extremamente importante para o país e, por isso, cabe ao governo federal estudar e adotar medidas que não a desestabilize. Mas é preciso haver equilíbrio entre os setores. Neste momento, sem sombra de dúvida, o mais importante é a preservação da vida”.