UMA MARAVILHOSA TRANSFORMAÇÃO DO SER HUMANO

Publicado em 25/11/2013 - paulo-botelho - Paulo Botelho

Por Paulo Botelho

“Somos o que fazemos, mas somos sobretudo o que fazemos para mudar o que somos”. Eduardo Galeano, escritor uruguaio.

Baixo, magrinho e meio calvo acho que ele já ultrapassou a casa dos 50 anos de idade; acho mesmo que ao nascer ganhou de sua mãe aquela escada metálica, leve, de 20 degraus. Acrobata do Cirque du Soleil, ele faz o que quer com a escada. – É o ponto alto do espetáculo “Corteo” que fui ver lá no Parque Villa-Lobos onde a tenda está instalada para uma visualização de 360 graus. O “Corteo”, do idioma italiano, significa cortejo, em português. É uma procissão alegre, uma parada festiva imaginada por um palhaço. Ele busca vivenciar o seu próprio funeral num clima de festa e observado pelos anjos lá do céu. O espetáculo mostra a força e a fragilidade dele, mas também toda a ternura que  retrata a dimensão humana existente lá no fundo do coração de cada um de nós .

Thomaz Wood, jornalista especializado em Gestão de Empresas, descreve em artigo, a trajetória da experiência de mais de 30 anos do Cirque du Soleil. Ele diz que uma das grandes lições do Cirque du Soleil para o mundo corporativo é a recriação do espetáculo circense. E é verdade. Ao contrário do que ocorre nos circos tradicionais, nos espetáculos do Cirque du Soleil não são utilizados animais. Não há brutalidade. Basicamente, os shows são histórias que permeiam as apresentações de palhaços, acrobatas e ginastas. Os artistas do Cirque du Soleil são recrutados e selecionados em todo o mundo e falam diversos idiomas, até o português. Recrutá-los, selecioná-los e treiná-los constitui uma tarefa permanente. Além da necessária disciplina, acrescentam-se capacidade técnica e emocional, pois nada pode aconte cer por acaso nos espetáculos do Cirque du Soleil. Após cada apresentação, todos se reúnem para as análises de causas e efeitos dos problemas que ocorrem com frequência. E o idioma é o francês. Acho mesmo que todos os integrantes do Circo devem estar familiarizados com o “Discurso do Método” do filósofo e matemático francês Renée Descartes e com o Diagrama Sequencial do professor japonês Kaoru Ishikawa. Baseado em Descartes, Ishikawa ensina que todos os nossos problemas de arrumação e organização encontram respostas de solução em 4 segmentos sequenciais: Máquinas e suas Engrenagens; Materiais e suas Resistências; Métodos e seus Processos e Pessoas e suas Equipes. Não existem problemas que não possam ser solucionados quando temos paciência e disciplina para por em prática o raciocínio de Descartes e Ishikawa.

Mas, quase que já ia me esquecendo: fui ver o espetáculo com minha mulher e uma de minhas filhas; fomos de táxi, sem problemas. Entretanto, na volta para casa, não encontramos táxi, sequer lotação ou ônibus. Só depois de quase l hora de espera – cansados, com frio e com fome – achamos um táxi. – Por acaso!

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor, Escritor e Consultor de Empresas. www.paulobotelho.com.br