Só nos resta aprender

Publicado em 01/09/2016 - paulo-botelho - Da Redação

Só nos resta aprender

“A lição sabemos de cor; só nos resta aprender.” Sol de Primavera, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos.

Minha mulher, quando esteve em Madri, foi visitar o Museo Reina Sofia. É lá que está exposta a tela Guernica, de Picasso. Ela me trouxe de presente uma cópia comum. – Que tela extraordinária! Pouca gente percebe o que está contido nela; pintado no alto tem uma lâmpada elétrica. Na tela Picasso registra crianças mutiladas, casas incendiadas, animais em sofrimento, dilacerados pelas bombas; mostra que a barbárie nazista consistiu, também, em destruir a luz elétrica. Nossa existência depende de iluminação. Luz elétrica é o que há de melhor da tecnologia humana; e a água encanada também.

Um pouco antes do final da ocupação nazista em Paris, um grupo de generais foi visitar o atelier de Picasso. Um deles, ao ver a tela Guernica, pergunta: “Foi você que fez isto?” – E Picasso responde: “Não; foram vocês!”

Acho que as pessoas atrasam de forma subconsciente o seu desenvolvimento intelectual; e quando chegam à idade de seu ajuste pessoal com o mundo param de aprender.

Apenas os medíocres acham que estão sempre no seu máximo. Eles desligam os fios de iluminação de seu interior; e, claro, a luz não acende.

Leio e escreve muito à noite, com boa iluminação elétrica; só não sou uma besta completa por sofrer de insônia!

Na abertura da Olimpíada Rio-2016 é preciso registrar a enorme contradição entre o educado e iluminado compositor Paulinho da Viola, ao executar o Hino Nacional, com o obscuro e estropiado cotidiano da maioria dos brasileiros.

Longo é o caminho da tentativa e erro; curto e eficaz é o do exemplo.

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Consultor de Empresas e Escritor. www.paulobotelho.com.br