Por uma Doce Primavera

Publicado em 23/02/2015 - paulo-botelho - Paulo Botelho

Por uma Doce Primavera

O francês Gilles Fert, um dos mais renomados apicultores e criadores de abelhas do mundo vem constatando que há cerca de 15 anos era comum perder de 5 a 10% das colméias; e que hoje em dia os apicultores sofrem perdas da ordem de 35 a 50% das colônias. E Gilles faz uma pergunta perturbadora: “E se as abelhas estiverem tentando nos avisar de alguma coisa?” – Não é difícil, portanto, chegarmos à conclusão de que o mundo sem abelhas seria um mundo sem flores, sem frutas, sem hortaliças. Noam Chomsky, cientista americano, constata que o cérebro das abelhas é do tamanho de uma semente de grama, com menos de 1 milhão de neurônios; e que mesmo assim elas se comunicam com alta eficiência para produzir mel. Ao contrário dessa constatação de Chomsky, o monstro da ignorância está instalado dentro do ser humano, portador de bilhões de neurônios. Esse monstro está, na verdade, disfarçado com uma linguagem de comunicação oblíqua e dissimulada, fazendo com que palavras e fatos não se encontrem porque não se reconhecem. Quando palavras e fatos perdem o seu sentido é o mundo que fica sem significado. E, então, a imbecilidade ganha espaço nas relações humanas funcionando com alta eficiência para produzir fel. Exceto para aqueles seres humanos que têm a doçura da primavera em flor; a estação preferida das abelhas.

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor, Escritor e Consultor de Empresas. www.paulobotelho.com.br