Por quê o trabalho mata?

Publicado em 28/09/2015 - paulo-botelho - Da Redação

Por quê o trabalho mata?

O trabalho em si é prazeroso; não mata. O que mata é a forma inadequada de como ele é organizado. Uma das coisas mais difíceis que existe é ter que trabalhar duramente, de forma mal remunerada e desorganizada; sobretudo desconfortável.
É preciso compreender o trabalho e suas relações para poder transformá-lo. O economista Celso Furtado dizia que as pessoas são ativos que devem ser valorizados e desenvolvidos; e não recursos a serem consumidos. Nada mais correto. Riad Younes, diretor clínico do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo analisa que trabalhar muitas horas por dia tornou-se uma rotina na vida de muitas pessoas: empresários, professores, funcionários, técnicos das mais diversificadas organizações; deixando para trás as conquistadas jornadas de 40 horas semanais.
Todos sabemos que o dia tem 24 horas; e precisa ser vivenciado de forma salutar e bem distribuída. Mas, isso não ocorre com a maioria das pessoas. A única coisa que uma pessoa pode fazer durante 8 horas, ou mais – todos os dias – é trabalhar. Não se pode comer por 4 horas, tampouco descansar ou fazer sexo por outras 4 horas; dormir um sono reparador por 8 horas é sempre difícil, quase impraticável. E é mesmo por essas situações que tantas pessoas fazem de si mesmas tão infelizes e miseráveis em suas 24 horas.
A palavra trabalho vem do latim Tripallium, instrumento de tortura criado e utilizado pela Igreja Católica no Século IV para punir seus serviçais e desafetos. Feito com três estacas de madeira de lei, encravadas no chão, os réus eram amarrados e torturados até ficarem "bem bonzinhos". – Não é por acaso que as relações de produção possuem, ainda nos nossos dias, essa desprezível denominação. Claro está que isso está ligado às circunstâncias que precisam ser enfrentadas no sentido de colocar o trabalho em evidência; dar destaque a seu valor qualitativo de que falava Celso Furtado. O verdadeiro trabalho contém axioma. Axioma quer dizer justiça e amor1

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Consultor de Empresas e Escritor. www.paulobotelho.com.br