Pelas boas palavras

Publicado em 05/10/2015 - paulo-botelho - Da Redação

Pelas boas palavras

A falta ou a carência de boas e corretas palavras vem empobrecendo, mais que no passado, as comunicações na vida do cotidiano do brasileiro. Segundo o sociólogo José de Souza Martins, falamos um resquício da língua Nhengatu  que pode ser chamada de língua do povo brasileiro. Martins diz, também, que a Nhengatu foi influenciada pelo padre jesuíta José de Anchieta. E é verdade: com a desculpa de catequese, os jesuítas não fizeram outra coisa a não ser submeter os nossos índios e negros à vontade da toda poderosa Igreja Católica.

Na maioria das vezes, nem percebemos, mas não dizemos uma frase inteira; nossa fala cotidiana tem sujeito e verbo, mas falta objeto e complemento. Sempre dizemos as coisas pela metade. Falando ou escrevendo metade dizemos o que os outros querem ouvir ou ler. – É o dizer o que se quer ouvir, sem dizer o que se pensa. Ando até  meio cansado de observar pessoas utilizando o abominável "magina" para responder ao agradecimento de alguma coisa.

Falar e escrever é comunicar. – E o que é comunicar? – É tornar comum uma informação, uma ideia, um projeto. O que comunicamos – falando ou escrevendo – tem que ir direto ao ponto; sem assuntos periféricos que possam dificultar a compreensão. Ao falar ou escrever, não precisamos ficar obcecados em demonstrar erudição ou cultura. Machado de Assis, nosso melhor escritor, já comparava: "Pode ser um gênio em gramática, mas um idiota ao falar ou escrever".

Se quisermos falar e escrever de modo eficaz, precisamos direcionar a nossa comunicação para três funções básicas de uma correta comunicação: produzir uma resposta, tornar o pensamento comum e convencer. Mas, é preciso ter boas palavras. Palavras agradáveis. As boas palavras são para serem pensadas e salvas no disco rígido de nossa memória. – Ela, a memória, é a escrita da alma!

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Consultor de Empresas e Escritor. www.paulobotelho.com.br