O Quinto Evangelista

Publicado em 04/05/2020 - paulo-botelho - Da Redação

O Quinto Evangelista

Em busca de ultrapassar esse surpreendente e doloroso tempo de coronavirus, muito tenho pensado. Tenho pensado nesse Brasil tão desigual, enquanto a maioria das vítimas do virus caminham para a extinção. Elas não têm com quem contar, apenas com as migalhas distribuídas pelos donos do poder - os senhores da Casa Grande. 

As ideologias nos separam; os sonhos e as angústias nos unem.
Além dos quatro evangelistas, João - Mateus - Lucas e Marcos, que nos dão alento e consolo, quero acrescentar um quinto: Bach (Joannes Sebastian) - o maior e melhor de todos os compositores. Tom Jobim, nosso iluminado compositor, dizia que a poesia desprende-se das harmonias de Bach como suave perfume. E é verdade, poesia musical constitui o resumo da música de Bach. Sua música não é um objeto de museu e sim um organismo vivo que, mais de 250 anos depois de sua morte, continua a emocionar. Bach não envelhece.
A estrutura da obra de Bach é igual ao desenho perfeito de uma figura geométrica. Tudo tem o seu lugar e não há uma única nota de partitura a mais ou a menos. Elas são apaixonadas, repletas de sentimentos poderosos, arrebatadores, refinados.
A música de Bach nos fala de humanidade, de dor, de prazer, de recolhimento, de espiritualidade e da simples alegria de viver.- E nela todo ser humano, ao se reconhecer, pode ficar melhor.

Paulo Augusto de Podestá Botelho é professor e escritor. E-mail: [email protected]