O Falcão

Publicado em 17/11/2014 - paulo-botelho - Paulo Botelho

Por Paulo Botelho

“Não há ansiedade maior do que carregar dentro de si uma história não contada”. Maya Angelou, dramaturga americana.

Eu vi na tv em um canal desses que quase ninguém vê. Preferiria ter visto ao vivo. E que vivo! Foi bem ao lado de um bueiro quase em frente ao edifício Empire State Building na 5ª Avenida, cidade de Nova York. Observado por dezenas de transeuntes, lá estava um falcão de médio porte a devorar o seu almoço: um rato de razoável porte. Ele estava só. Solitário, falcão nunca partilha sua presa. É o mais rápido dos seres vivos: uma das mais espetaculares e admiradas aves da fauna mundial. Chega a atingir 300 km/h em um estol ou perda de sustentação. Velho e defasado aviador chego a ficar besta de admiração pelos falcões. Uma das estratégias de caça deles consiste em subir nas correntes de ar quente (térmicas) a grande altitude, por vezes a mais de 1.500 metros em relação ao nível do solo; e se deixam cair sobre a presa avistada num ângulo de queda livre vertical. E o falcão ficou por lá, ao lado do bueiro, completando a sua dieta sob os olhares das pessoas por mais de 15 minutos. Terminada a refeição, subiu – ou decolou – em linha vertical com rápidos bater-de-asas até o topo do Empire; edifício concluído em 1931 e que tem mais de 400 metros de altura. Não satisfeito com a exibição, ainda deu um maravilhoso looping (manobra acrobática em circulo) antes de sumir no céu de Nova York, rumo a New Jersey, passando alguns metros acima da Estátua da Liberdade.

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor, Escritor e Consultor de Empresas. www.paulobotelho.com.br