Na ponta do lápis

Publicado em 09/12/2015 - paulo-botelho - Da Redação

Na ponta do lápis

"Ponha tudo na ponta do lápis!" insistia comigo a dona Maria de Luna Botelho – minha avó. Ela queria que eu me tornasse uma pessoa organizada. Acho que não tive muito sucesso, embora o lápis tenha ajudado um pouco. Sempre fui fascinado por lápis, especialmente os de ponta macia  número 1 da Johann Faber.

Gabriel Garcia Marques, o consagrado autor de Cem Anos de Solidão, escrevia à lápis e de uma maneira peculiar: dedos indicador e médio "montados" no lápis. Minha neta Rebeca, de 9 anos, escreve com o polegar "em cima" do indicador como que a impedir que o lápis fuja de sua mão!

O lápis foi inventado pelos ingleses em 1564; e tem o Brasil como o seu maior produtor mundial com 1,4 bilhões/ano. Os Estados Unidos constitui o  maior consumidor com 2 bilhões/ano.

Quando a NASA iniciou o lançamento de astronautas no espaço descobriu que as canetas não funcionavam com gravidade zero. – Escreve-se muito no espaço nessas missões. Para resolver o problema, a NASA contratou a fábrica de canetas Cross. Ela levou 2 anos e gastou quase 1 milhão de dólares para desenvolver uma caneta que escreve com gravidade zero, de ponta cabeça, debaixo d"água, em qualquer superfície, inclusive cristal e com variação de temperatura. Os russos – rivais dos americanos na corrida espacial – resolveram o mesmo problema com um lápis.

Fico pensando no trabalhão de Machado de Assis, nosso melhor escritor, molhando a pena no tinteiro o tempo todo. Acho que ele não gostava de lápis!

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Consultor de Empresas e Escritor. www.paulobotelho.com.br