Eu pago a minha água

Publicado em 18/02/2015 - paulo-botelho - Da Redação

Eu pago a minha água

Andar de meio-galope, sempre de óculos-escuros, aparenta ter uns quarenta anos. Ele é meu vizinho faz pouco tempo, mas mal me cumprimenta. Foi num domingo à tarde, desses de forte calor; e eis que se inicia a operação lavagem com mangueira dos  dois carros da família. Calção, camisa do time do coração, havaianas e os óculos-escuros. Falei-lhe sobre a má utilização de água que afeta a cidade e toda a Região Sudeste. Resposta ao intrometido: “Eu pago a minha água!” – Não sei por que cargas d’água acabei me lembrando de minha bisavó materna, a fazendeira dona América Bueno Alves - sempre descalça a assar os seus deliciosos biscoitos de polvilho!  A fazenda ficava próxima à cidade de Monte Belo, em Minas Gerais. E tinha aqueles bois que a dona América dava nomes de gente; de gente que não cheirava nada bem: Getúlio, Benedito, Felinto, Dutra e outros tantos malcheirosos que não vale a pena nomear. O meio ambiente, especialmente o clima, lembra aqueles bois cheios de carrapatos que, quando muito incomodados, davam uma chacoalhada no couro para derrubar, pelo menos, a metade daqueles parasitas. A misteriosa e providencial natureza, tão maltratada, haverá de continuar com suas respostas generosas. Mas é preciso colaborar muito mais e melhor com ela. Ainda tem sido possível comer um Curimbatá ou um Dourado, limpinhos e fresquinhos saídos do rio Tietê. – Onde? – Em Barra Bonita, local próximo à cidade de Jaú – Interior do Estado de São Paulo. – E a chuva que revigora a natureza vem chegando aos poucos; e deixa que chova, deixa que o céu lave minha dor!

por: Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor, Escritor e Consultor de Empresas. www.paulobotelho.com.br