As razões do coração

Publicado em 14/12/2015 - paulo-botelho - Da Redação

As razões do coração

Augusto Frederico Schmidt, poeta, escritor, editor e principal assessor do Presidente Juscelino Kubitschek estava muito angustiado naquela tarde de 8 de fevereiro de 1965. Por toda a manhã ele acompanhara o Presidente Juscelino em um interrogatório nas dependências de um quartel do Exército na cidade do Rio de Janeiro. O interrogador – ou torturador – era um jovem capitão: primário, arrogante, desrespeitoso, de olhar imbecilizado. Ele queria informações sobre as "Contas na Suiça" de Juscelino. Inexistentes. JK, como era conhecido,  morreu alguns anos depois em um misterioso acidente, pobre e doente. Augusto morreu de infarto naquele mesmo dia, aos 60 anos.

 No final daquele circo arquitetado pelos patifes do Exército, Augusto não voltou para casa. Havia tido dores no peito durante a tarde toda. Não querendo assustar Yeda, sua mulher, pediu ao motorista que tocasse para a casa do amigo Júlio Badaró. – E lá morreu ouvindo Azulão na voz de Maria Lúcia Godoy. – "Vai Azulão, companheiro, vai; diz que sem ela o sertão não é mais sertão!" – Os versos são do poeta Manuel Bandeira e a música de Jaime Ovalle, pai de Yeda.

Ao diagnosticar que o coração tem razões que a própria razão desconhece, Pascal, filósofo francês, quis dizer que as emoções e sentimentos são as causas e efeitos de nossas alegrias e tristezas.

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Consultor de Empresas e Escritor. www.paulobotelho.com.br