A Viagem da Escuridão

Publicado em 16/02/2021 - paulo-botelho - Da Redação

A Viagem da Escuridão

Quando se acende a luz, sabe-se que ela viaja a 300.000 quilômetros por segundo. - E quando a apagamos, por que demoramos a acostumar os olhos? - Simples: Porque não sabemos com que velocidade viaja a escuridão.

Jorge Luiz Borges, poeta argentino, disse que a experiência é um farol que ilumina para trás, mas que na frente continua tudo escuro.

Quem não dá à experiência um grande valor, quase sinônimo da própria vida: experiência do amor, da amizade, do trabalho? - Experiência significa também orgulho, vergonha, ambição, prazer. E esperança.

Até um "buraco negro" o lugar do universo mais escuro, emite alguma luz. Na física, diferente da percepção humana, a luz sempre espanta a escuridão. Portanto, a escuridão não é uma categoria física, mas um estado mental.

"Possibilidades ilimitadas surgem da nossa própria imaginação" disse o Prêmio Nobel de Física Albert Einstein. - E é verdade: são elas que nos levam à luz. - A luz das possibilidades.

Por nossa conta e risco, o Brasil tem sido governado nos últimos anos (ou mesmo nas últimas décadas) por criaturas sem estatura, naufragadas em escuridão mental; sem luz própria. Por exemplo: Fernando Henrique Cardoso (o FHC) - um político sem nenhuma interação com o país, que teve (e tem) um indisfarçado desprezo pelos pobres, pelos excluídos, e que ocupou o máximo poder por 8 anos. - Com que sentimento de dor, um líder político da estatura de Leonel Brizola conviveu com esse longo reinado do "príncipe dos sociólogos"; mediocridade e entreguismo!

A recente recomposição da Câmara dos Deputados e do Senado constitui alguma coisa de tenebrosa escuridão, a favorecer a ambição política de Jair Bolsonaro. - "Bolsonavirus - 22 não mata, mas imbeciliza", acaba de dizer o poeta e escritor Augusto de Campos.

"In medias res" (no meio das coisas), estamos vivendo no Brasil um tempo em que o fim do mundo não assusta tanto quanto o fim de cada mês. - Bancos a cobrar dívidas, sem dó, com juros e correção monetária; de modo muito especial o Bradesco cuja direção fica encastelada na "Cidadela de Deus"; a Osasco dos trabalhadores!

Poetas e escritores, como os cegos, podem enxergar na escuridão.


Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor e Escritor.

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