A menina e os livros

Publicado em 02/06/2017 - paulo-botelho - Da Redaçãol

A menina e os livros

Foi Hildebrando Bueno quem chamou a minha atenção. Eu estava a pensar, com muita tristeza, neste país tão humilhado com os desmandos de seus dirigentes-predadores. Por isso, demorei para assimilar a notícia veiculada nos jornais aqui do Sudeste.
A notícia, com foto, veio do interior do Nordeste (Pernambuco): “Uma menina de apenas 8 anos de idade agarrada à mochila enquanto é resgatada de uma enchente”.
E o que tinha dentro daquela mochila? – Alguns livros, caderno e lápis!
A menina de nome Rivânia, foi aconselhada pela avó a pegar apenas o que fosse mais importante para ela. Rivânia não salvou a sua única boneca de pano, tampouco a já gasta sandália havaiana. Salvou, apenas, a mochila com os livros, caderno e lápis.
Tal como o feijão e a farinha de mandioca, o livro é, para ela, um produto de consumo; um bem de subsistência.
Assim como a roda, o livro é uma invenção consolidada, a ponto de as revoluções tecnológicas – anunciadas e temidas – não terem meios de acabar com ele.
Livro é como uma panela, uma colher, uma faca: uma vez inventado, fica para sempre.
O livro nunca descansa. Na estante ou na poeira, os anos passam por ele como sonhos. Entretanto, indiferente, ele segue seu caminho. Resiste a tudo: aos séculos, aos leitores, aos críticos. – E às enchentes, pois ele sabe que sempre haverá uma Rivânia para impedir o seu desaparecimento.

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Consultor de Empresas e Escritor. www.paulobotelho.com.br