A Construção da Escrita

Publicado em 29/06/2020 - paulo-botelho - Da Redação

A Construção da Escrita

Um leitor deste Semanário, tão bem construído pelo Vagner e sua equipe, me manda um E-mail pedindo orientação para que ele possa escrever melhor. - Então, vamos lá!
Há uma frase de Gustave Flaubert, escritor francês,  à qual eu me apego: "Um escritor crê escrever de forma razoável". - É o que sempre busco, além de procurar exemplos. Os bons exemplos são raros, não obstante a enorme quantidade de textos em livros que são publicados. E vendidos como chuchu na feira!
Constatar o quanto os grandes escritores alcançaram sucesso com os seus escritos é exemplar.
O que há de mal construído nos textos de Miguel de Cervantes, James Joyce, Ernest Hemingway, Machado de Assis? - Eu li todos e nada encontrei fora do lugar. - Quanto a mim, chego a empilhar pedra sobre pedra para construir minha pirâmide. Ela não chega a um centésimo das deles que foram construídas de um bloco só. Eles são grandes  porque não utilizaram de procedimentos menores.
É claro que a dificuldade está em encontrar a palavra certa - o le mote juste - de que falava Flaubert. Isso se obtém por uma condensação  da ideia que eles conseguiam de forma natural, sem muito esforço.
Os melhores textos são os que mais se assemelham à conversação diária que praticamos.
Todas as palavras que escrevemos precisam ter alvos definidos. Se a gente pode transmitir alguma coisa em três frases, não precisa escrever três parágrafos ou três páginas para dizer a mesma coisa.
Mesmo ao transmitir más notícias, uma redação precisa registrar que as boas notícias chegam depois dos temporais, com raios e trovões.
Um computador aumenta a variação da escrita; multiplica a velocidade da transmissão.
Para poder me expressar melhor, entendo que a música é essencial a qualquer ouvido. "A boa música basta" dizia o compositor Tom Jobim.
"Era ainda muito cedo quando Inês saiu de casa pra comprar pavio pro lampião; e não mais voltou". - É uma estrofe de música do biólogo e compositor Paulo Vanzolini. Com uma temática assim, em mãos, você pode escrever um livro de trezentas páginas!
O escritor como o cego pode enxergar na escuridão.

Paulo Augusto de Podestá Botelho é consultor de empresas e escritor. E-mail: [email protected]