A Comedeira

Publicado em 15/01/2021 - paulo-botelho - Da Redação

A Comedeira

Mulato, pobre, estudante de Marx e ignorado (pelos ignorantes), mas de enorme talento literário, Lima Barreto, ao escrever sobre a República no Brasil em 1918 - o mesmo e fatídico ano da epidemia da Gripe Espanhola - disse que o país estava sob o regime da corrupção e que todas as opiniões eram impostas pelos poderosos que ficavam muito irritados quando contrariados.

Até hoje tem sido assim; ninguém pode ser contrariado, mesmo nas mínimas e prosaicas relações sociais. - Se uma mulher reclama do marido (ou do projeto de homem) corre o sério risco de ser esfaqueada. - A faca continua sendo o símbolo fálico de homens desajustados, violentos, covardes!

Quase ninguém quer discutir; quase ninguém sabe ou quer propor ideias, sugestões, soluções. - E fica-se no bizantino ou naquilo que não apresenta resultados práticos. - Resultados são obtidos pelo aproveitamento de oportunidades e não de oportunismos de protagonistas.

Mas, no fundo, quase todos comem ou querem comer. - Comem ou querem comer certos juízes, desembargadores e ministros com suas excrescências; comem ou querem comer certos políticos pusilânimes; comem ou querem comer certas figuras sinistras do poder Executivo.

E neste momento de tanta aflição e luto, comem ou querem comer os protagonistas que brigam entre si para definir qual é a vacina para combater a Covid-19.

É chegada a hora das carências, das necessidades; é o momento em que o mais voraz - o mais comedor - é o mais primitivo, o mais embusteiro.

- Aos pobres, aos miseráveis, aos excluídos: migalhas, restos!

E aí, eu me lembro da Bruxa de Macbeth de Shakespeare: "Something wicked this way comes! (Vem merda por aí!) - Constrangedor efeito intestinal da comedeira!

Mas, o que falta? - Falta (aos dirigentes) entrar em contato com os 4 princípios básicos do Karatê, arte marcial: 1. Kata (Força) - 2. Kihon (Resistência) - 3. Kumite (Afeto) - 4.Shitsukê (Disciplina). 

O que fazer? - Não sei ao certo, além de me dispor a treiná-los, mesmo que seja por EAD - Ensino à Distância. Mas, caso não haja interesse, vou deixar a resposta por conta do Sobrenatural de Almeida, aquele personagem que o dramaturgo Nelson Rodrigues invocava sempre para explicar o imponderável. - É isso.

 

Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor e Escritor. - Associado-Docente da SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

E-mail: [email protected]     Website: https//paulobotelhoadm.com.br