Pais deveriam impedir filhos de comemorar “halloween”

Publicado em 16/10/2015 - marco-regis-de-almeida-lima - Da Redação

Pais deveriam impedir filhos de comemorar “halloween”

Aproxima-se o dia 31 de outubro ocasião em que não faltará, mais uma vez, gente desmiolada a incentivar nossas crianças a participarem de um evento que nada tem a ver com a cultura brasileira, o “Halloween” (helau’i’n), popularmente conhecido como Dia das Bruxas. Se não existe um proveito cultural, ainda podemos invocar crenças religiosas em contrário, seja de católicos, evangélicos ou Testemunhas de Jeová, pelo pouco que pudemos ler a respeito.
Particularmente, acho um despropósito, fantasiar seres inocentes de magos, bruxas e zumbis, incutindo na cabecinha deles fantasias de um mundo dos mortos, do sobrenatural e do ocultismo. Não que eu tenha medo disso. Nem ao menos tenho a convicção dessa existência. Mas, vejo uma gravidade maior nisso tudo, que é a importação de costumes existentes na Grã-Bretanha, nos Estados Unidos e no Canadá e sua aplicação no nosso meio, tão religioso, tão conservador. Uma gravidade maior é essa macaquice ser trazida de fora e receber guarida de escolas respeitáveis, de educadores bem preparados e, certamente, bem intencionados.
O jornal oficial do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, anos atrás citou o perito litúrgico Joan Maria Canals, que disse: “O Dia das Bruxas é uma corrente do ocultismo e completamente anticristão”. Na página da “Canção Nova”, no Clube de Evangelização, de 26-10-2011, a opinião é taxativa: “O ‘Halloween’ é contrário à fé católica”. Também a revista “Despertai”, distribuída pelas Testemunhas de Jeová, de setembro de 2013, não titubeia em afirmar: “Essa celebração está em conflito com a Bíblia”, citando o livro de Deuteronômio 18:10-14: “Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos, pois aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor”.
O surgimento dessas comemorações remonta à disseminação da fé cristã, na Europa Medieval, quando a catequese católica buscava evangelizar os celtas, um dos povos da Grã-Bretanha, incentivando-os a reverenciar o Dia de Todos os Santos, data em que a Igreja Católica passou a homenagear os mártires do cristianismo. Entretanto, a tradição desses povos pagãos continuou e eles celebravam também a noite da véspera do Dia de Todos os Santos (all hallow’s evening), utilizando de fantasias, máscaras assustadoras, comidas e bebidas sob a crença de que o mundo seria ameaçado na véspera do evento por terríveis demônios e fantasmas. Em outras épocas da Idade Média, virou costume que as crianças pedissem bolo às famílias, na véspera de Finados, em troca de orações que elas faziam por familiares falecidos das casas que visitavam. Isso evoluiu para pedidos de doces sob ameaça de que elas fizessem algum tipo de travessura caso não fossem atendidas, redundando no “trick or treat” (doce ou travessura).
Mesmo com todas essas explicações, continuo entendendo que é uma tradição de outros países com o que nada temos a ver. Temos um vasto lastro cultural, desde o nosso Brasil-português, que melhor poderia ser aproveitado pelas nossas escolas na construção e desenvolvimento dos nossos valores cívicos e não esse besteirol ocultista.
Crianças me perdoem. No dia 31 vou manter o portão da minha casa bem fechado e não vou fazer concessões a esse tipo de paganismo e cultura importada. Também estarei alerta para alguma travessura mais ousada. Na verdade, os pais deveriam boicotar qualquer iniciativa escolar neste sentido.

*[email protected] – Marco Regis é médico, foi prefeito de Muzambinho (1989/92; 2005/08)
e deputado estadual-MG (1995/98; 1999/2003).