NÃO RELAXE PORQUE O CORONA VÍRUS PODE TE MATAR

Publicado em 23/10/2020 - marco-regis-de-almeida-lima - Da Redação

NÃO RELAXE PORQUE O CORONA VÍRUS PODE TE MATAR

Para grande parte das pessoas não existe mais preocupação com a epidemia do Novo Corona Vírus, popularizada como doença do COVID. Aliás, para boa parte dessas pessoas, preocupação nunca existiu. Mais do que isso, para muitos a doença sempre foi uma fantasia. Sem deixarmos de mencionar aqueles que a negam totalmente como se tudo não passasse de uma guerra biológica e de informação entre a China e o resto do Ocidente. Porém, mais arrogantes são aqueles que dela foram testados comprovadamente como positivos, foram cercados de cuidados médicos, saindo, depois, debochando da doença dizendo serem “atletas”, seres imortais, ridicularizando aqueles tementes à ela, como se tratassem de pessoas fracas, física e psicologicamente. Nesta última classificação não posso deixar de enquadrar o nosso Presidente da República, Jair Bolsonaro, um mau exemplo para seu povo, que teve forma atenuada da doença. Não fugiu muito à regra outro desmiolado e adorador do “deus Mercado”, Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos da América (U.S.A.), que teria tido alguma falta de ar e baixa de oxigenação sanguínea, segundo o noticiário internacional, logo sendo tratado com coquetel de anticorpos, uma espécie de defesa do organismo produzida, neste caso, por alguém selecionado dentre aqueles que tiveram o COVID e se curaram espontaneamente, além do antiviral Redemsivir, que vinha sendo testado na epidemia africana do Ebola Vírus. Aliás, conduta criticada por determinados setores da Medicina, que não viram necessidade da utilização desses recursos em D. Trump, exceto se alguma gravidade maior tivesse sido escondida, o que costuma ser comum em se tratando de chefes de Estado e de Governo.

Mas, acautelemo-nos porque a doença não está dominada. Apenas suas estatísticas deram uma estabilizada. Entretanto, não sabemos se pela chegada do frio, na Europa, o número de casos diários começa a subir como se estivesse vindo uma segunda onda. As autoridades de inúmeros países europeus já sinalizaram seu alerta e medidas antes tomadas podem se repetir. Em parte, tanto lá como aqui as pessoas se enveredaram nos prazeres da vida, aglomerando-se nas praias, nos bares e festas clandestinas. No Brasil, no entanto, tanto o número diário de novos contágios como o número de mortes estão em declínio, apesar de termos percorrido um platô mais demorado de quase dois meses, com mais de mil mortes diárias, ao contrário dos países europeus onde a curva subiu e logo desceu, sendo seu platô muito rápido. Mas, será que não dá para nos conscientizarmos que ainda morrem mais de 500 pessoas por dia de COVID na soma dos estados brasileiros? 

Esta doença e seus mortos, que pareciam tão longe de nós, já podem ser observados em relatos de nossos amigos em redes sociais. Aqui na nossa região já tivemos informações do acometimento e de morte de pessoas próximas de nós, sejam amigos, parentes de amigos ou nossos próprios parentes. Os telejornais desta 4ª feira, 21, noticiaram que a COVID abateu sua primeira vítima dentro do Senado da República, que é composto de 81 senadores. Enquanto escrevo nesta madrugada, posso consultar o noticiário de informativos “on line” como o G1/Globo, a Isto É, o UOL, sobre a morte recente de personagens emblemáticos.

Nesta 4ª feira à noite, morreu o Senador Arolde de Oliveira, 83 anos, que cursou a AMAN – Academia Militar das Agulhas Negras, formando-se em engenharia pelo Instituto Militar de Engenharia. Foi eleito senador pelo PSD em 2018, depois de ficar por 9 mandatos no cargo de Deputado Federal pelo Rio de Janeiro. Dotado de posições reacionárias, era fiel às crenças bolsonaristas ao invés de crer no verdadeiro Deus em face se ser um congregado evangélico. Ele defendia a liberação de armas de fogo, a redução da maioridade penal, o fim da progressão de pena dos encarcerados, bem como combatia o comunismo e era contra o Distanciamento Social no caso da Pandemia do COVID-19, acreditando no remédio Cloroquina. Ele estava internado no Hospital Samaritano desde o dia 5 deste mês, bairro de Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.

Em contraste com a idade do Senador, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – foi notificada nesta 2ª feira, 19, da morte do médico carioca, de apenas 28 anos, João Pedro Rodrigues Feitosa, por causa da Covid.  A razão desta notificação à ANVISA foi por conta que o médico teria recebido uma dose da vacina de Oxford, Reino Unido, porque era um dos voluntários da Fase de Testes da mesma, desenvolvida pelo Laboratório Astrazeneca, que tem parceria brasileira com a FIOCRUZ – Fundação Instituto Oswaldo Cruz. Entretanto, fontes fidedignas confirmam que o voluntário brasileiro foi um dos oito mil em que foram aplicados os testes. Mas, ele NÃO RECEBEU a substância imunizante, pois era do grupo em que foi aplicado um placebo, que é uma substância geralmente sem nenhum efeito, podendo ser mesmo uma seringa com água destilada. Todavia consta que o placebo da Universidade de Oxford é uma vacina contra meningite. Em nota ao Canal Bloomberg, transcrita no “site” Olho Digital, o Laboratório AstraZeneca informa que: “Não podemos comentar sobre casos individuais do estudo clínico em andamento da vacina de Oxford, pois obedecemos estritamente a confidencialidade médica e às regulamentações relativas a estudos clínicos e, em linha com esses princípios, podemos confirmar que todos os processos de revisão exigidos foram seguidos”. Segundo notícia da TV Globo, o jovem médico João Pedro era muito dedicado e competente, tendo se formado no ano passado, e trabalhava no combate à COVID-19 em um hospital particular e noutro municipal do Rio de Janeiro. Apesar do pretendido sigilo por parte do AstraZeneca, a família divulgou fotografias e informações sobre a trajetória heroica do Dr. João Pedro Feitosa e as manifestações de solidariedade da faculdade e da própria universidade federal em que ele se formou.

                       Você que provoca aglomerações fazendo festas, frequentando bares ou comitês políticos deveria ter mais responsabilidade com sua conduta. Até diversos motoristas da Secretaria Municipal de Saúde de Muzambinho podem ser vistos dirigindo seus veículos sem o uso de máscaras. Lembre-se de que, no Brasil, ainda morrem mais de 500 pessoas por dia de COVID. Nem sempre são velhos ou portadores de doenças que colocam as pessoas em grupos de risco por diminuição das defesas do organismo. Veja o caso do médico voluntário da vacina. Se expôs demais no seu trabalho e pagou com a própria vida no seu trabalho heroico. Durante quase um ano este nosso mundo tem andado em câmara lenta, ou mesmo tendo parado, a fim de que a humanidade reflita sobre tudo aquilo que pode ser bom para as pessoas e para o nosso planeta. Mas, tem muita gente que não quer aprender a lição. Vai adoecer ou causar doenças em outras de mais risco, sem que sua consciência acuse arrependimento ou culpa. Cuidado, nossa divisa entre a vida e a morte é invisível e estreita.


Marco Regis de Almeida Lima é médico, foi prefeito de Muzambinho (1989/92; e 2005/08) e deputado estadual-MG (1995/98; 1999/2003)