Na busca da verdade

Publicado em 19/07/2019 - marco-regis-de-almeida-lima - Da Redação

Na busca da verdade

Se nossos leitores acreditam que as revelações do “The Intercept” se esgotaram ou foram abafadas pela presença do Ministro Sérgio Moro no Congresso Nacional, estão equivocados.

O assunto permanece vivo, tratado pela jornalista Mônica Bérgamo, de “A Folha de S. Paulo”, na revista “Veja” e, especialmente, no canal de rádio Band News FM, com Reinaldo Azevedo. Certamente que Azevedo, de todos é o mais contundente. Ele angariou credibilidade da direita brasileira com ácidas críticas aos governos petistas diante da corrupção neles instaladas. Seu programa, “O É da Coisa”, é apresentado diariamente, às 18 horas, na Rádio Band News, sendo levado para a sua página no UOL – Universo On Line – e no canal You Tube.

Dizendo-se descompromissado com partidos políticos e com governos, ao mesmo tempo em que se confessa um liberal e intransigente defensor do Estado Democrático de Direito,  Reinaldo Azevedo não tem se limitado a denunciar as violações à Democracia e à ordem legal que têm ocorrido na Operação Lava Jato. Em parceria com o “The Intercept Brasil”, seu programa tem levantado distorcidas ligações legais entre o então Juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, com procuradores da Lava Jato, resvalando na Polícia Federal. Nesta semana, os vazamentos de mensagens trocadas entre os protagonistas, atinge o lado ético-profissional porquanto demonstram que promotores da Lava Jato articularam a criação de uma empresa, a ser gerida por pessoas próximas deles, com a finalidade de captarem agendas de palestras pelo Brasil, sobre corrupção, levando-os a auferirem lucros até superiores aos seus rendimentos salariais anuais. Tais ruídos provocaram a convocação desses elementos da Força Tarefa para uma reunião nesta 4ª feira, 17, em Brasília, com a Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge. Como era de se esperar, a Chefe da Procuradoria nacional emitiu uma nota ao final desse encontro, demonstrando confiança nos seus quadros.

Segundo a Revista Fórum, desta 4ª feira, 17, no dia anterior houve a divulgação de mensagens, através de Mônica Bérgamo, em que o procurador da Força Tarefa de Curitiba e do MPF – Ministério Público Federal, Deltan Dallagnol, aparece conversando com Sérgio Moro sobre palestra que fez na FIEC – Federação das Indústrias do Estado do Ceará – e sugerindo que o Juiz faça o mesmo. Assim diz a Revista a respeito: “Na ocasião, em julho de 2017, o membro do MPF foi tratado como celebridade e defendeu que todos têm o papel de herói [...] A presença de Dallagnol no Fórum Industrial ‘Ideias em Debate’, da FIEC, rendeu espaço em coluna social. Com entusiasmo, Márcia Travessoni, colunista do Diário do Nordeste, repercutiu a participação do procurador no evento que reuniu cerca de 500 pessoas”.

Ainda, segundo texto da Revista Fórum, nas mensagens de Dallagnol a Moro há a seguinte conversa: “Eu pedi prá pagarem a passagem prá mim, família e estadia no Beach Park. As crianças adoraram. Além disso, eles pagaram um valor perto de uns R$30 mil. Fica prá você avaliar”.

A mesma revista, desta 5ª feira, 18, aborda que novos diálogos foram divulgados por Mônica Bérgamo, n’A Folha de S. Paulo, e “The Intercept”. Neles, o então Juiz, Moro, orienta procuradores da Lava Jato sobre termos e condições para homologação de delação premiada, contrariando o que manda a lei.

Apesar do permanente repúdio do atual Ministro Sérgio Moro, e dos procuradores da Lava Jato, a respeito das mensagens vazadas pelo “The Intercept Brasil”, primeiramente, no sentido do não reconhecimento das mesmas por serem provenientes de “fontes criminosas” e, segundo, pela possibilidade de haverem sido editadas e com conteúdos modificados, elas aí estão e merecem explicações mais concretas. Já foi ventilado pela imprensa brasileira, e até cobrada, com veemência, por parlamentares governistas do Congresso Nacional, a prisão do jornalista Glenn Greenwald, um dos editores do “The Intercept”. Entretanto, é estabelecido o sigilo da fonte, em todos os países democráticos, incluindo Brasil e Estados Unidos da América. Aliás, o radical “site” antipetista, ‘O Antagonista’, composto por um dos apresentadores do domingueiro “Manhattan Conection”, Diogo Mainard, do canal de TV paga, Globo News, tenta repelir os vazamentos do “The Intercept”, desqualificando o colega deles, Glenn Greenwald, chamando-o pelo apelido de “Verdevaldo”, numa pejorativa tradução do sobrenome dele.

Claro está que há denúncias da mais alta gravidade, envolvendo a “República de Curítiba” no seu papel contra a corrupção, inclusive com respingos em ministros do nosso STF – Supremo Tribunal Federal. A Justiça e o Governo se protegem delas alegando fontes ilícitas e criminosas. O que tem faltado para os acusados de conluio na Justiça é rebater ou aceitar a veracidade das mensagens. Se possível, a futura elucidação por parte de quem as divulga da maneira como interceptaram o aplicativo “Telegram”. Considerando as consequências para todos os lados, cremos que a apuração da verdade é muito difícil. A conclusão vai ficar para o conjunto da população brasileira, nunca para quem está envolvida no “affaire”.

*Marco Regis é médico, foi prefeito de Muzambinho (1989/92; 

2005/08) e deputado estadual-MG (1995/98; 1999/2003)