MELHOR O CAOS PREVIDENCIÁRIO DO QUE O PLANETÁRIO

Publicado em 06/11/2015 - marco-regis-de-almeida-lima - Da Redação

MELHOR O CAOS PREVIDENCIÁRIO DO QUE O PLANETÁRIO

 A imprensa mundial noticiou, nos últimos dias, que a China decidiu quebrar a rigidez da sua Política do Filho Único, implantada no final da década de 1970, abrindo-a para um segundo filho. Claro que a nova determinação não se deu por conta da crítica ocidental, que sempre a atacou, muito mais pela ideologia comunista do que pelo autoritarismo estatal chinês em si, ou pelo crescimento do número de abortos clandestinos e a discriminação de bebês do sexo feminino. O próprio governo local assimilou aquilo que, atualmente, é constatado por estudiosos no assunto por todos os cantos: fatores como o saneamento ambiental e a medicina aumentam a expectativa de vida das pessoas; a redução da natalidade diminui o contingente de jovens e, por conseguinte, a faixa economicamente ativa, que contribui para o sistema previdenciário que sustenta os mais velhos e os inativos.

            Certo é que esse mesmo noticiário estimou que a medida de controle da natalidade pode ter evitado o nascimento de uns 400 milhões de chineses, nestes quase quarenta anos, ou seja, duas vezes a população brasileira de hoje. Como consequência demográfica mundial, esse ‘mundo amarelo’ deverá perder a condição de país mais populoso para a Índia, a partir de 2025, sendo que estes dois países são os únicos que já ultrapassaram a escala de mais de um bilhão de habitantes, com a dianteira atual da China.

           Segundo informação do DW Notícias (Deutsche Welle = Onda Alemã), de 12-1-2009, através de pesquisa do famoso Instituto Max Planck, da cidade de Rostock, publicada na revista ‘Pesquisa Demográfica em Primeira Mão’, a busca dos jovens por melhor educação e emprego, principalmente a maior inserção da mulher no mercado de trabalho, foram fatores que reduziram a taxa de natalidade na Europa, que ainda é um pouco maior ao norte e a oeste, mas bastante baixa nas regiões central, leste e sul do continente. A pesquisa aponta que o nível de substituição ideal seria uma taxa de natalidade de 2,1 filhos por mulher, isto é, a taxa mínima para evitar redução da população. França, Reino Unido, Irlanda e países escandinavos estão mais próximos disso, de 1,8 a 2,0 filhos por mulher. Nos demais países, inclusive Alemanha, houve drástica redução, ficando entre 1,3 e 1,5. Muitos incentivos vêm sendo dados aos casais, nos últimos anos, tipo bônus, abonos e regalias com licenças, mas de nada têm valido. Acrescento que as recentes iniciativas da chanceler Angela Merkel,  para o acolhimento de refugiados da Síria e do norte da África, mais do que razões humanitárias são uma razão para contrabalançar o ‘deficit’ populacional, sobretudo de mão-de-obra,  que vem preocupando seu país e toda a Europa. A situação não é diferente no Japão e na Rússia.

            No Brasil, o IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas – analisou dados da pesquisa divulgada em setembro último pelo PNAD – Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio – constatando que a taxa de fecundidade brasileira é em média de 1,8 filho por mulher, decrescendo para 1,6 no sudeste e aumentando em 0,5 no nordeste. O estudo revela que o único grupo populacional a crescer entre 2030 e 2045 será daqueles com idade superior a 45 anos e que, desde 2010, já começou a declinar a população jovem entre 15 e 29 anos. Estima, ainda, o IPEA que o Brasil terá uma população de quase 207 milhões de habitantes em 2030, mas, deverá cair para cerca de 205 milhões em 2040, dados estes que encontramos no Portal Sul do Piauí, de 04-11-2015.

          Pessoalmente, sempre vislumbrei que o crescimento populacional significaria o caos para o nosso planeta, uma real ameaça à própria existência humana. De maneira simplista e, ao mesmo tempo, ampla, é fácil imaginar o que representa mais gente: são mais bocas para comer e alimentadas com danos ambientais devido ao uso abusivo de agrotóxicos na agricultura; mais utilização de água para a satisfação de necessidades biológicas, higiênicas e recreativas; maior exploração dos recursos naturais planetários, que são finitos, para dar conforto e bem-estar a uma sociedade cada vez mais consumista e, na maioria, preocupada com o presente e ignorante no conceito de sustentabilidade. Tenho demonstrado essa preocupação publicamente, inclusive em textos escritos para este semanário, desde 1993, inclusive, recentemente, em março de 2015, no artigo “A Detroit dos meus sonhos”. Tem sido uma pregação que visa as futuras gerações, pois, eu mesmo estarei fora de cena, em breve fenecerei.

*[email protected] – Marco Regis é médico, foi prefeito de Muzambinho (1989/92; 2005/08) e deputado estadual-MG (1994/98; 1999/2003).