LOUVOR À SEMANA SANTA E EFEMÉRIDES DE 12 DE ABRIL NO PENSAR DE UM RENEGADO OCIDENTAL

Publicado em 13/04/2017 - marco-regis-de-almeida-lima - Da Redação

LOUVOR À SEMANA SANTA E EFEMÉRIDES DE 12 DE ABRIL NO PENSAR DE UM RENEGADO OCIDENTAL

Nos meus artigos, neste semanário, muitas vezes tenho questionado a hipocrisia reinante neste lado do mundo. Refiro-me ao lado do mundo em que vivo. Um lado ao qual deveria me alinhar naturalmente. Presencialmente cá estou deste lado. Espiritualmente, psicologicamente e socialmente estou em constante desalinhamento, pois me insurjo contra o figurino que me obriga a ter um comportamento ocidental. Sei lá o porquê deste ocidentalismo, pois afirma-se que estou localizado no hemisfério sul, ao contrário da Europa e Estados Unidos da América, que fazem parte do hemisfério norte. O que faz essa separação é uma linha imaginária chamada de Equador, que é meramente semelhante ao país de mesmo nome. Então, se sou do sul ou meridional e não do norte ou setentrional, que lasqueira é essa de ser eu ocidental? Só se for pela condição de eu ser branco e não ter os olhos puxadinhos, pois os verdadeiros orientais são japoneses, chineses, coreanos, mongóis, vietnamitas, tailandeses e outros daquelas vizinhanças. Ainda assim, temo ser confundido com os do Oriente Médio, pois, apesar do biotipo assemelhado não me classifico como judeu ou árabe.
Já houve tempos em que este meu lado de vivente era imaginado dentro de uma terra plana, sendo as divisas romanas o seu centro. No entanto observadores do universo perceberam que a nossa morada terráquea deveria ser esférica como a Lua e outros astros visíveis. Foi assim que uns cem anos, ou mais, depois de Cristo, o matemático e astrônomo grego Cláudio Ptolomeu imaginou a gente como parte de um Universo, equivocadamente a Terra como o seu centro, tudo girando em torno de nós. Certa ou errada essa teoria geocêntrica foi assimilada e arraigada no seio da Igreja, pois era mais fácil relacioná-la com a visão religiosa romana do relato bíblico da criação do mundo.
Mais de mil anos depois, outro astrônomo, o polonês Nicolau Copérnico, também cônego católico, jurista e médico, expôs a teoria de que nós é que girávamos em torno do Sol. Adeptos dessa ideia, o heliocentrismo, contrariavam a poderosa Igreja. Cometiam uma das muitas heresias catalogadas naquela época, sendo presos e julgados por tribunais de exceção criados pelo papado e geridos por bispos. Quem diria! uma igreja cristã, mandar prender, torturar e condenar à prisão temporária ou perpétua, ou, ainda queimar alguns vivinhos da silva em fogueiras. Na verdade, não foram alguns. Somente em Portugal, aonde a Santa Inquisição chegou por volta do século XV, há registro de uns 25.000 apenados, sendo que 1.500 foram mortos nas fogueiras. Na defesa de que era a Terra que girava em redor do Sol, a vítima principal, ou pelo menos mais simbólica, foi Galileu Galilei.
Neste amanhecer do dia 12 de abril, quando estes meus pensamentos desordenados convergiram para essas divagações planetárias, lembrei-me tratar-se de uma data que nunca me esqueço desde a minha mocidade. Meu cérebro guarda bem as mais variadas efemérides. Principalmente, o 12 de abril de 1961, dia em que os habitantes do nosso planeta se exultaram com a notícia e as primeiras imagens do primeiro homem a executar um vôo espacial. Nesse dia o russo Yuri Alekseievitch Gagarin, a bordo da nave espacial Vostok-1, impulsionada por um foguete, orbitou a Terra durante uma hora e quarenta e oito minutos, a 315 km de altitude e numa velocidade de 28.000 km/hora, pondo à prova o pleno funcionamento do organismo humano na ausência da força da gravidade, a grande incógnita de então.
Yuri Gagarin era piloto militar da antiga URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – servindo em um porta-aviões até 1960, quando foi selecionado para o programa espacial soviético. Sua compleição física, 1,57m de altura e 69kg de peso, foi importante na ocupação do diminuto espaço da Vostok-1, que media 4,4m de comprimento por 4,8m de circunferência, lançada da base de Baikonur, no Cazaquistão. Foi ele o primeiro homem a visualizar o nosso planeta arredondado e haver feito a seguinte descrição, já de volta, no solo: “A Terra é azul”.
Quero dar fim a este artigo, que misturou divagação com um dos grandes acontecimentos da história da humanidade. Mas, ainda estou encafifado com a rotulagem do meu pertencimento ao hemisfério sul e ao ocidente. Principalmente, porque Gagarin provou que a Terra é redonda assim como 2 + 2 = 4. Se a Terra é redonda como pode ter um pólo norte e um pólo sul? Quem vive a constatar isso é um instrumento, a bússola. Mas, para ser sincero, deve ser mais coisa de geologia ou de cartografia, pois já examinei bem bolas de tênis e de futebol e não encontrei os tais pólos.
Independentemente dessa confusão toda de localização o que eu queria mesmo dizer, e poderia ter feito em três ou cinco linhas iniciais, é que ‘eu num tô nem aí’ para mapas, bússolas ou o moderno “Global Positioning System” (GPS). Eu queria me expressar que não pertenço à mídia ocidental “vendida” ou “comprada”. Que tenho ojeriza pelas manipulações feitas pela mesma. Você quer um exemplo e um fatídico exemplo atual? Pois bem, então lembre-se que essa imprensa ocidental inventou uma miragem de “Primavera Árabe”, direcionada para o extermínio específico de Khadaffi, na Líbia, e de Bashar Al-Assad, na Síria, fomentando a guerra e o aniquilamento dos povos líbio e sírio, do mesmo jeito que apoiou a carnificina e o destroçamento do Iraque. Por causa desse mundo ocidental capitalista, e vorazmente consumista, o nosso Planeta cada vez mais se deteriora e se degrada. Por causa desse capitalismo e essa imprensa os farsantes Papai Noel e Coelhinhos da Páscoa substituíram mensagens e valores trazidos pelo Cristo Menino e pelo Cristo Ressuscitado.
Através dessas minhas frases oblíquas, dessas minhas idéias conflitantes, deixo a você uma clara mensagem de Reflexiva e Feliz Páscoa.

*Marco Regis é médico, foi prefeito de Muzambinho (1989/92; 2005/08) e deputado estadual-MG (1995/98; 1999/2003) – [email protected]