GOLPE À DEMOCRACIA USA MÉTODOS DA PROPAGANDA NAZISTA

Publicado em 24/03/2016 - marco-regis-de-almeida-lima - Da Redação

GOLPE À DEMOCRACIA USA MÉTODOS DA PROPAGANDA NAZISTA

Embora o nazismo seja permanentemente usado como exemplo de uma abominação à humanidade, pela perversidade como ele atuou na Alemanha hitlerista, o mundo ocidental tem demonstrado, em diversas épocas e situações do pós-guerra, uma simpatia e apreço pelos métodos propagandísticos que fortaleceram essa ideologia e o poder por ela exercido.
Em resumo histórico, devemos dizer o III Reich (3º Império) foi instalado na Alemanha em 1933, por Adolf Hitler. A biografia dele registra que atuou como soldado e com bravura na Primeira Grande Guerra Mundial (1914/18) e que se filiou ao Partido Trabalhista Alemão, no ano seguinte. Dois anos depois, encabeça a troca do nome da agremiação para Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, que prega o rompimento de acordos do fim da guerra e o soerguimento germânico, constituindo pequenas células destinadas a combater e atrapalhar reuniões e movimentos dos comunistas-marxistas. “Reich” (ráich) é palavra relativa a reino ou império, sendo que o I Reich faz referência ao Sacro Império Romano-Germânico, que foi fundado pelo Imperador Carlos Magno no ano 800 d.C, mas que, efetivamente, durou de 962 d.C até 1806. Já o II Reich (1871/1918), foi idealizado pelo chanceler prussiano Otto von Bismarck. O ressurgimento imperialista alemão, esta era a ideia do III Reich. Neste, é criado o Ministério da Propaganda, que é entregue a Joseph Paul Goebbels, que se tornou simpatizante da causa nazista, fundador de jornal, com quem Hitler estabeleceu relação de confiança.
Aos 11 anos de idade, lembro-me de haver encontrado e lido, em um dos porões da casa do meu avô materno, na vizinha Monte Belo, um livro do escritor judeu-austríaco, Stefan Zweig, se não me engano “O Mundo que Eu Vi”, que descrevia o caos econômico e social da Alemanha ao final da I Grande Guerra. Nunca me esqueci de onde aprendi o significado da palavra ‘inflação’, aonde ele exemplificava que o valor de uma casa antes da guerra passou a ser o valor de uma janela depois dela.
Pois bem, extraio do sítio eletrônico da PUC Minas, O Mundo – Comunicação Internacional, de Alina Neves e Vinicius Prado que: “O Partido Nazista chegou à Alemanha para unir as ideias em comum de um povo perdido por diversos motivos, que transmitisse organização em excesso, competência e presença, ainda que por práticas comunicacionais [...] Como a população estava desolada e sem motivações, o nazismo foi fundamental para preencher o vazio político e social no país”.
Nem tão grave como pintam, mas há uma situação parecida no Brasil de hoje. A Alemanha passou pela destruição de duas derrotas em guerras mundiais e sua dantesca inflação, sendo hoje um esteio econômico e moral da Europa. Os Estados Unidos superaram a quebradeira de 1929 e o banditismo dos tempos de Al Capone. Atualmente é a nação mundial hegemônica, preservando sua Constituição original. Do nosso lado, só para falarmos em tempos de globalização, o Brasil já passou por inúmeras crises econômicas, sociais e políticas, convivendo com juros altos, hiperinflação, PIB baixo, desemprego, elevadas taxas de pobreza e miséria e até de empréstimos do FMI – muitas dessas situações vencidas pelo governo Lula. Também eu governei Muzambinho pela primeira vez, “sem experiência legislativa e executiva”, como difundiam meus adversários, enfrentando uma inflação de 80% ao mês, não ao ano, nos tempos do Presidente Sarney, sem a assessoria de qualquer economista, apenas dos valorosos e prudentes técnicos em contabilidade, contador Paulo Rogério Santini e tesoureiro Antonio Pinto Tavares, sem que quebrássemos a Prefeitura como muitos não só vaticinavam como torciam.
Deduzo, então, que não estamos no inferno de Dante. A crise atual é verdadeira, mas agravada por todos aqueles inconformados que imobilizam Dilma desde que ela foi reeleita, principalmente o meio político pulverizado entre dezenas de partidos políticos e de interesses pessoais. A crise econômica é superável. A corrupção também, pois, afinal de contas tantos países a superaram. Se a Itália da “Operação Mãos Limpas” teve o juiz Antonio Di Prieto, o Brasil reproduziu seu clone, o juiz Sérgio Moro, que faz o que quer, passando, dizem, por cima da própria Constituição. Além disso, conta com um ministro sabidamente político-partidário no Supremo Tribunal Federal e, outros, no Superior Tribunal de Justiça, no Tribunal Superior Eleitoral, no Tribunal de Contas da União. Mas, o furor golpista não se satisfaz com nacos de poder, quer o poder por completo. E o quer na usurpação e já. Não pode ou teme esperar pelas urnas de 2018.
Insuflado por oportunistas encastelados nos partidos políticos, em organizações como o Vem Prá Rua, Movimento Brasil Livre e outros radicais, o povo vai às ruas, na maioria gente que votou contra Dilma e com melhores salários, como o Data Folha apontou em suas pesquisas na Capital paulista, o foco maior da rebelião e que não traduz a vontade de todo o Brasil.
Porém, a insuflação maior é daquele setor que manipula a opinião pública, as grandes redes televisivas. Elas martelam, repetem e enfiam na cabeça da população informações que incitam o golpismo. Observem que a repetição é uma maneira de inundar todos os cérebros daquilo que lhes interessa a fim de arregimentar os incautos e os menos dotados de inteligência para esse propósito. Nas manifestações do último dia 13, durante todo o dia, todos os minutos, legiões de repórteres e comentaristas tinham que descrever os acontecimentos enfatizando que as pessoas se manifestavam a favor do “impeachment” e do juiz Moro, contra a corrupção e pela prisão de Lula, exibindo tudo aquilo de mais provocador que existisse. Cinco dias depois, as manifestações a favor do Governo e de Lula eram exaustivamente comparadas como menores, como se fossem as torcidas que ganhassem o jogo, inexistindo comparações entre a qualidade dos manifestantes e, principalmente, as regras do verdadeiro jogo democrático. O objetivo tem sido notório: influenciar quem de fato tem o controle do jogo – deputados federais, senadores e o judiciário.
Tudo isso, dentro do figurino da propaganda nazista e dentro da pretensa liberdade de imprensa, que, na realidade, é da imprensa dominada pelos grandes grupos empresariais. Foram onze os princípios em que se baseou o nazismo para obter apoio popular. Vamos sintetizar os principais, até agrupando-os: simplificação de ideias e símbolos, apontando o adversário em um único inimigo (PT/Lula/Dilma), reunindo, por contágio, todos os adversários em uma só categoria ou indivíduo; exagero e desfiguração, onde se converte em ameaça grave qualquer notícia, por menor que seja ela; vulgarização, pois toda notícia precisa ser entendida até pelo menos inteligente dos indivíduos; orquestração na utilização de menor número de ideias, mas divulgadas até a saturação das mentes; renovação das informações a fim de que os novos argumentos não permitam que os anteriores sejam respondidos; silêncio a respeito de notícias que favoreçam os adversários; criar a falsa impressão de unanimidade sobre os assuntos veiculados; verosemelhança, argumentos de fontes diversas como verdadeiros balões de ensaio.
Já escrevi antes que essa turba finge que aprova a democracia. Na verdade, para eles o melhor regime é aquele que atende aos seus interesses. Melhor terminar com uma frase muito encontrada nas redes sociais, atribuída a Rainha Amidala, personagem da trilogia “Guerra nas Estrelas”: “ASSIM MORRE A DEMOCRACIA, COM UM ESTRONDOSO APLAUSO”.

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O autor é médico, foi prefeito de Muzambinho (1989/92; 2005/08) e deputado estadual-MG (1995/98; 1999/2003)