Ah! SE FOSSE COM O PT SERIA NARCO-GOVERNO!

Publicado em 28/06/2019 - marco-regis-de-almeida-lima - Da Redação

Ah! SE FOSSE COM O PT SERIA NARCO-GOVERNO!

Longe de mim está o vocábulo tripudiar no que concerne a algum tipo de regozijo diante de tragédias humanas. Por essa razão, tenho mais é que lamentar o acontecimento bombástico desta semana, que foi a prisão, no aeroporto da cidade espanhola de Sevilha, do 2º Sargento da Aeronáutica, Manoel Silva Rodrigues, tripulante de um avião oficial da FAB - Força Aérea Brasileira - membro da Equipe Avançada de Transporte, que dava apoio à viagem do Presidente Jair Bolsonaro rumo ao Japão, flagrado pela polícia do aeroporto sevilhano com 39 quilos de cocaína em sua bagagem. Vale ressaltar, que as viagens presidenciais são realizadas por dois vôos, um deles de apoio que vai antes, e funciona como suporte para alguma emergência. Este foi o vôo do Sargento Rodrigues, que fez escala em Sevilha, onde esperaria a aeronave presidencial. O alarido mudou a rota do avião do Presidente Bolsonaro, que preferiu fazer escala em Portugal, seguindo para o Japão, onde ele participa da reunião do G-20 - os mais ricos do mundo.

Ao traduzir este fato como texto desta coluna, tive o cuidado de bem ouvir os telejornais desta 4ª feira, 26, bem como de extrair tópicos de maior interesse contidos no Portal Terra e nas edições digitais dos jornais O Globo, do Rio de Janeiro, da versão brasileira do espanhol El País, bem como de “sites”, a exemplo de O Antagonista, ferrenho antipetista, que se apressou em destacar que o Sargento não servia ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

A mídia “global”, através das duas fontes antes citadas, escarafunchou a vida do sub-oficial da Aeronáutica, revelando não somente o seu salário bruto, de R$7.298,10, também o montante de diárias que ele recebeu em 28 viagens pelo território nacional entre 2014 e 2019, sendo que em 11 ocasiões, a partir de 2017, a fonte pagadora foi a Presidência da República. Sempre mencionando como fonte o Portal da Transparência, essas mídias se alongaram nesses detalhes dando-nos a impressão de esfumaçar o episódio. Neste sentido, descrevem pormenores de outras viagens do militar Manoel Silva Rodrigues, no período demarcado de cinco anos, na ânsia de proclamar que ele havia servido na equipe da Presidente Dilma Rousseff em viagem que ela fizera a Juazeiro-BA e Cabrobó-PE, em visita às obras de transposição do rio São Francisco, em 2014.

Bem diferente é o enfoque da imprensa mundial, que não está alinhada com subserviência ao governo brasileiro nem com o conservadorismo que aqui manipula a grande imprensa. Vejamos o que diz o El País/Brasil, a começar da sua manchete: “39 kg de cocaína constrangem o Governo Bolsonaro”, continuando com o subtítulo: “Prisão de sargento flagrado com droga na Espanha vira notícia internacional e memes, pressionando Aeronáutica e Planalto por falha em segurança de comitiva presidencial”. O mesmo jornal mostra a repercussão mundial, da seguinte maneira: “Para qualquer ocupante do Planalto o caso seria um dissabor importante: a prisão ganhou destaque na imprensa espanhola e apareceu em jornais como o ‘Financial Times’ (Londres), ‘The New York Times’ (U.S.A.) e ‘Le Monde’, Paris, que colocou no título ‘O Caso do Aerococa’. Para Bolsonaro, tem ainda um viés adicional. Defensor dos militares como uma espécie de reserva moral do País, o Capitão reformado do Exército tentou se antecipar e comentar o tema no Twitter ainda na noite de terça-feira, defendendo que o flagrante com o Sargento Rodrigues não representava a corporação. Nesta 4ª feira, Bolsonaro voltou ao Twitter e tratou o episódio como ‘inaceitável’. Longe de colocar panos quentes sobre a situação, o Presidente em exercício, Hamilton Mourão, entende que o Sargento não agiu sozinho: ‘É óbvio que, pela quantidade de droga que ele estava levando, não comprou na esquina, né? Ele estava trabalhando como mula. Uma mula qualificada’. Enquanto a notícia se espalhava, o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, em viagem aos Estados Unidos da América, coincidentemente, visitava a Agência Antidrogas norte-americana”.     

Agora, quero retocar meu texto com algumas afirmativas. Em momento algum, insinuei que o militar detido na Espanha possa ter vínculo com este Governo, embora haja rumores da ligação da família presidencial com as milícias-bandidas do Rio de Janeiro. Sabe-se lá o motivo que levou o Sargento a se envolver com o tráfico internacional de drogas, considerado grave.  Por outro lado, a penalização e o entupimento dos nossos presídios por “mulinhas” ou “aviõezinhos” está a merecer permanentes estudos e revisões, pois os verdadeiros chefões do tráfico dificilmente são atingidos. Aliás, na minha passagem pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, pude melhorar minha visão a respeito do assunto participando da então CPI do Narcotráfico do nosso Estado. Naquela ocasião, tive a  oportunidade de estar em delegacias antidrogas da Polícia Federal de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília - pois investigávamos em primeiro plano a atuação e fuga de Fernandinho Beira-Mar, em Minas Gerais.


MILTON NEVES

A respeito de ter dito não ser da minha índole tripudiar sobre tragédias humanas e, aqui, é uma imensa tragédia, que vai ceifar uma carreira militar, enodoar famílias, além do pior que é a condução de drogas para enriquecer marginais e destruir a vida dos viciados. Talvez, minha assertiva possa parecer contraditória, porque, semana passada, em entrevista à Radio do Povo de Muzambinho, reproduzida neste semanário, o polêmico apresentador esportivo e nosso coestaduano, Milton Neves, repetiu o que já tinha dito em outras ocasiões. Deu a entender que eu comemorei com foguetório (ou tripudiei?) os atentados de 11 de Setembro de 2001 contra o WTC ou Torres Gêmeas. Mais uma vez devo esclarecer: certamente que, a cada tempo mais distante daquele dia, muito me orgulho do meu posicionamento de então quando a imprensa estampou que ‘”Deputado defende atentados”. Ou replicou minha fala de que “quem semeia vento colhe tempestade”. Fui veemente em dizer que o atentado contra o Pentágono - símbolo do poderio militar - e das Torres Gêmeas - símbolo do poder financeiro norte-americano -  foi alvissareiro para a história mundial, ao demonstrar a vulnerabilidade dos Estados Unidos da América, a despeito da forma com que foi feito e com o sacrifício de vidas inocentes. Meu entendimento, na época, foi claro: um ato de guerra, comemorado por uma parte do mundo e condenado por outra. Mas, os meus críticos algum dia clamaram pelos inocentes mortos nas invasões e guerras desproporcionais com que os norte-americanos massacraram países fracos? (Vietnam, Granada, Líbia, Iraque e outros); choraram diante das atrocidades por eles cometidas por todos os cantos, inclusive patrocinando (ou financiando?) as famigeradas ditaduras do Cone Sul das décadas de 1960/70, inclusive a nossa, defendida por Jair Bolsonaro e outros desequilibrados (ou empoderados?).

Finalmente, sem tripudiar sobre quem quer que seja, mas chamando grupos direitistas sectários à realidade, imagino o quanto esses grupelhos se assanhariam e atacariam um governo de esquerda, caso o Sargento preso em Sevilha estivesse numa comitiva de apoio a Lula ou Dilma. Por muito menos atacam a Venezuela e outros países sul-americanos como Narcoditadura. E nunca procuraram elucidar os verdadeiros proprietários da cocaína que lotava o avião do então Senador Perrela e de seu filho, deputado mineiro, aprisionado há poucos anos no Estado do Espírito Santo.

*Marco Regis é médico, foi prefeito de Muzambinho (1989/92; 2005/08) e deputado estadual-MG (1995/98; 1999/2003)