A MINHA RESENHA ESPORTIVA DE 2015

Publicado em 30/12/2015 - marco-regis-de-almeida-lima - Da Redação

A MINHA RESENHA ESPORTIVA DE 2015

Sem as atividades do FUTEBOL brasileiro profissional, o mês de dezembro é tedioso, exceto na semana final em que as famílias se esforçam para estar reunidas nas celebrações do Natal e do Ano Novo. Porém, ter de aturar programas ou comentaristas esportivos falando em retrospectiva ou resenha do ano sempre é uma chatice ainda maior. No meu caso, consciente do que é enfadonho e desinteressante, me proponho a destacar pontos marcantes do esporte brasileiro no ano que finda, um resumo ou resenha que mantenha o caro leitor e desportista razoavelmente informado. Nada a ver com o futebol estrangeiro, que acompanho, sem morrer de amores, pois rouba os nossos craques, por influência da malévola Lei Pelé, que, como jogador nunca foi o meu rei e como esportista influente favoreceu cartolas e mercadores de jogadores.
Antes de tudo, quero exaltar o clube para o qual torço desde 1967: América Futebol Clube, carinhosamente chamado de América Mineiro, uma maneira de diferenciá-lo dos xarás carioca, potiguar e o de São José do Rio Preto-SP, só para citar os de maior tradição no Brasil. No entanto, seria injusto sonegar o campeoníssimo América mexicano, que manda seus jogos no Estádio Azteca, na Cidade do México. Ah! Sim, fui palmeirense na minha juventude. Mas, rompi meus laços com os paulistas desde que fui cursar medicina em BH, adotando simpatia pelo antigo decacampeão mineiro por algumas razões: fugiria do irracionalismo das brigas entre cruzeirenses e atleticanos; conservaria um traço do time pelo qual torci antes, o verde da camisa; e homenagearia meu tio em segundo grau, Arthur Bonelli, um montebelense que se tornou famoso meia-esquerda do outrora “time da Alameda”.
O motivo da exaltação: o América está de volta à elite do futebol brasileiro, juntamente com Botafogo, do Rio, o tradicional clube da “estrela solitária”; Santa Cruz, “cobra coral”, do Recife-PE; e o Vitória, de Salvador-BA, todos eles ex-integrantes da Série “A”. Em 2016, eles se agruparão ao campeão brasileiro de 2015, por grande mérito, o Corinthians Paulista, ao vice-campeão Atlético Mineiro, ao Grêmio Porto-alegrense, ao São Paulo, ao Internacional-RS, ao Sport Recife, ao Santos-SP, ao Cruzeiro-MG, ao Palmeiras-SP (que foi o campeão da Copa do Brasil/2015), ao Atlético Paranaense, à Ponte Preta, de Campinas-SP, ao Flamengo-RJ, ao Fluminense-RJ, à Chapecoense-SC, ao Coritiba, de Curitiba-PR e ao Figueirense-SC.
Na série B, ou 2ª Divisão do campeonato brasileiro, que sigo à risca na TV por assinatura, continuará sendo usado o critério de 20 clubes no total, que jogam entre si em turno e returno, do mesmo jeito que na série A. No lugar dos quatro que subiram e acima falamos, entram os quatro últimos rebaixados da série A, que foram Avaí-SC, Vasco da Gama-RJ, Goiás, de Goiânia, e Joinville-SC. E no lugar dos quatro últimos, que foram rebaixados para a Série C, entram os quatro primeiro colocados da 3ª Divisão ou “C”: Vila Nova, de Goiânia (campeão), Londrina-PR (vice), TUPI, de Juiz de Fora-MG, e Brasil, de Pelotas-RS. Os que continuam são: Náutico, de Recife-PE, Bragantino-SP, Paysandu-PA, Sampaio Corrêa-MA, Bahia, de Salvador, Luverdense, de Lucas do Rio Verde-MT, CRB (Clube Regatas Brasil), de Maceió-AL, Criciúma-SC, Paraná, de Curitiba, Atlético Goianiense-GO e Oeste, de Itápolis-SP.
Na série C, ou brasileirão da 3ª Divisão, que teve jogos transmitidos pela TV aberta ou gratuita, em 2015, através dos canais Esporte Interativo e TV Brasil, continuarão sendo 20 clubes, regionalizados em dois grupos de 10, que disputarão turno e returno em cada um desses grupos. Classificam-se os quatro primeiros colocados de cada grupo, que vão se cruzar em jogos de mata-mata até sobrarem quatro semifinalistas, automaticamente promovidos para a 2ª Divisão (B). O mata-mata continua sem maior motivação, apenas para apontar o campeão, vice, 3º e 4º colocados. No parágrafo anterior a este já nominamos quem subiu. Os quatro últimos, rebaixados para a 4ª Divisão, em 2015, foram: ICASA-CE, CAXIAS, de Caxias do Sul- RS, Madureira, do Rio de Janeiro, e ÁGUIA, de Marabá-PA. Permanecem nesta série: Fortaleza-CE, Portuguesa Desportos, de S.Paulo-SP, ASA, de Arapiraca-SE, Confiança – SE, América-RN, Botafogo, de João Pessoa-PB, Juventude, de Caxias do Sul-RS, Tombense, de Tombos-MG, Guaratinguetá-SP, Cuiabá-MT, Salgueiro-PE e, lamentavelmente, o Campeão Brasileiro da Série A, de 1978, GUARANI FC, de Campinas-SP, que no ano que se finda teve leiloado, por causa de dívidas, seu famoso estádio “Brinco de Ouro da Princesa”. Juntam-se a eles os promovidos da Série D (4ª Div.): Botafogo FC, de Ribeirão Preto (campeão), Ríver, de Teresina-PI (vice), mais o REMO, de Belém-PA e Ypiranga, de Erechim-RS, que disputou e ganhou a vaga da Associação Atlética CALDENSE, de Poços de Caldas. Completam o número de vinte times os que vêm rebaixados da Série B (2ª Div.): Mogi Mirim-SP, Macaé-RJ, ABC, de Natal-RN, e Boa Esporte, de Varginha-MG, um time nômade e meio empresarial que, no passado, foi fundado em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, com o nome de Boa Vontade FC, transformando-se, depois, em Ituiutaba Esporte Clube (APELIDADO de BOA), que subiu para a 2ª divisão com este nome, mas mudou-se para a cidade de Varginha com o nome de BOA E.C.
Finalmente, a 4ª Divisão do futebol nacional, ou Série D, que poderá ter aumento no número de competidores em 2016, continua em experimentos. Em 2015, participaram 40 clubes, distribuídos regionalmente em oito grupos com cinco clubes cada. Cada grupo tem jogos de ida e volta, classificando-se os primeiro e segundo colocados de cada grupo, num total de 16 times. Daí em diante os classificados se cruzam em mata-mata, ficando oito e, finalmente, quatro, dentre os quais estarão o campeão, o vice , os 3º e 4º colocados, os quais subirão para a Série C (3ª Div.). De onde saem estes quarenta ou mais clubes ? São indicados pelas federações estaduais de acordo com suas colocações nos campeonatos estaduais ou em torneios seletivos. Em Minas Gerais/2015 entraram Caldense e Villa Nova, de Nova Lima.
Já se cogita, com o apoio da entidade rebelde Bom Senso FC, que se organizem as séries E e até F, ou seja 5ª e 6ª divisões, para que grande parte de clubes e atletas profissionais estejam em atividade durante o ano inteiro, o que seria muito bom.
Como futebol não é esporte único, devemos tecer considerações sobre o VOLEIBOL, hoje a modalidade esportiva mais atraente em público depois do esporte bretão. Ainda mais que o SADA CRUZEIRO VÔLEI, que manda seus jogos em Contagem, Betim e Belo Horizonte tornou-se a maior potência desse esporte nacionalmente. Desde 2008/09, no Estado, desbancou equipes como o Minas Tênis Clube e Ginástico, conquistando 7 títulos estaduais mineiros. Nacionalmente, é tricampeão da Superliga Nacional da Série A (temporadas de 2011/12; 2013/14; e 2014/15), campeão da Copa do Brasil em 2013/14, da Supercopa brasileira de 2015/16. Bicampeão Sulamericano de Clubes (2012 e 2014) e bicampeão mundial de clubes (2013 e 2015) sendo o único clube não-italiano a vencer esse mundial. Observem que o Sada-Cruzeiro já se defrontou com o que existe de melhor do clubismo mundial como o Trentino-ITA, o Zenith-Kazan e o Lokomotiv Novosibirsk, da RUSSIA, o UPCN-ARG, o Panasonic Panthers-JAP,etc.
Já o BASQUETEBOL brasileiro se reorganizou de alguns anos para cá com a criação da Liga Nacional de Basquete (LNB), chancelada pela Confederação Nacional de Basketball, promovendo temporadas memoráveis da Liga, através da NBB – Novo Basquete Brasil. Apesar de termos exportado alguns dos nossos melhores atletas para os Estados Unidos – a pátria do basquete – temos recrutado alguns outros também de lá, o que tem dado evolução ao esporte nacional. Times como o Brasília, Flamengo, Franca, São José e Uberlândia tem honrado suas tradições. Neste final de ano ocorreu um acontecimento dos mais alvissareiros: foi celebrado um contrato entre a LNB e a REDE TV para a transmissão de jogos da NBB aos sábados, através da citada emissora. É a volta desse importante esporte por meio de uma rede aberta e gratuita.
Não gostaria de falar de esportes violentos, a fim de não ajudar a propalá-los, mas vou limitar-me a dizer que o ano não foi bom para o Brasil, pois Anderson Silva, um de nossos maiores ídolos, depois da desastrada e chocante fratura dos ossos de uma perna, voltou ao octógono, mas foi punido, há pouco tempo, pelo uso de hormônios (anabolizantes) e José Aldo perdeu o cinturão que conquistara há muitos anos. Qual esporte? O MMA – Mixed Martial Arts – uma síntese violenta de vários tipos de luta, estimulada por uma organização fundada em Las Vegas, Estados Unidos, em 1993, que promove lutas por todo o mundo, a UFC – Ultimate Fighting Championship.
No TÊNIS, depois de Gustavo Kuerten, o Guga, nº1 do mundo, temos que nos contentar com o paulista de Tietê, Thomaz Bellucci, atual nº1 do Brasil e 37º do mundo. Ultimamente, temos feito mais sucesso com duplistas, ambos mineiros de BH. Ano passado, Bruno Soares, em dupla com o austríaco Alexander Peya, chegou a Nº3 da ATP – Associação de Tenistas Profissionais. Este ano, pela primeira vez, o Brasil chega ao topo de nº1 do mundo, pela ATP, com Marcelo Melo, quase sempre em dupla com o croata Ivan Dodig, destronando os irmãos gêmeos americanos Bob e Mike Bryan, que lideravam desde 2013.
O HANDEBOL FEMININO do Brasil, que esteve em alta com a conquista do campeonato mundial de 2013, na Sérvia, ganhando a final de 22x20 das donas da casa, sofreu duro revés frente à Romênia, no mundial deste ano, na Dinamarca, sendo eliminado. Grande parte do elenco da nossa seleção joga na Europa, onde o esporte é muito desenvolvido. Em 2013, a paulista de Limeira, Alê, Alessandra Nascimento, foi eleita a melhor do mundo e, em 2014, a catarinense Eduarda “Duda” Amorim ganhou o mesmo troféu. Potência mineira neste esporte, Muzambinho apresenta nomes promissores, tendo à frente a técnica e professora de educação física Cidoca, uma baluarte do nosso handebol interiorano.
O FUTSAL MASCULINO deu em 2015 o 5º título nacional para o time da ACBF – Associação Carlos Barbosa de Futsal – uma proeza conquistada pela cidadezinha de 26 mil habitantes, de mesmo nome do clube, localizada na Serra Gaúcha. Aliás, a força do interior brasileiro tem sido mostrada nesta modalidade esportiva.
A resenha seria esportiva, não somente futebolística, alertei eu no início. Mas há um grande leque de modalidades esportivas, tendo citado aquelas que deram mais prestígio ao Brasil. Certamente que não foi o AUTOMOBILISMO nem o ATLETISMO. Talvez mais o VÔLEI DE PRAIA, a GINÁSTICA RÍTIMICA, a GINÁSTICA ARTÍSTICA, sendo que nesta o ano não foi bom para o nosso ás, Arthur Zanetti.
Será bom que conheçamos mais os esportes, porque 2016 nos promete a ocupação de espaços e mais espaços em todos os meios de comunicação. Será um ano inesquecível para o Brasil, pois o Rio de Janeiro sediará as Olimpíadas e, assim seremos vitrine para todo o planeta. Que tenhamos um Bom Ano Novo, desde que paremos de patrocinar mais crise com esse desejo funesto e mesquinho de derrubada da Presidente da República.

 *[email protected] – Marco Regis é médico, foi prefeito de Muzambinho (1989/92; 2005/08) e deputado estadual-MG (1995/98; 1999/2003)