NA CÂMARA DE MUZAMBINHO: Comunidade escolar luta contra fechamento de escola estadual

Publicado em 05/09/2015 - legislativo - Da Redação

NA CÂMARA DE MUZAMBINHO: Comunidade escolar luta contra fechamento de escola estadual

TRIBUNA LIVRE - A Professora Gisele Bueno Valentino usou a tribuna da Câmara de Muzambinho na reunião desta semana para falar sobre a situação da Escola Estadual Cel. José Martins. Alunos e professores lotaram o plenário em apoio a professora. A escola atende 200 alunos dos anos finais do ensino fundamental, sendo que 30 deles frequentam a educação integral a tarde. Atende também cerca de 15 alunos portadores de deficiência intelectual. Gisele pediu apoio para que o Coronel não seja fechado.
A professora disse que falaria em nome dos demais professores e pais de alunos; listou os bairros atendidos pela escola e disse que a escola está em um ponto estratégico para atender aos alunos do 6° ao 9° ano da região. Gisele falou sobre o valor investido na escola pelo Governo Estadual nos últimos anos, destacando a fase final da Quadra Poliesportiva Moderna que está sendo construída no local.
Segundo a professora, pela lei de zoneamento a escola não atende alunos da rede municipal desde 2012. O acordo não foi cumprido, porque nas reuniões dos educadores não se atentam a lei de zoneamento, sendo possível encontrar alunos que deveriam estar no Coronel matriculados em outras escolas, disse. Gisele disse que todo ano o número de alunos diminui e os pais reclamam que os filhos estão indo estudar mais longe, porque os alunos que, pela lei de zoneamento deveriam ser matriculados no Coronel, são enviados para outras escolas.
A professora destacou o bom trabalho realizado na escola, com educação de qualidade. Gisele elogiou também a qualidade da Escola Sagrado Coração de Jesus e disse ser solidária com relação a situação dos alunos daquela escola, mas destacou que o Coronel é uma escola pequena para atender completamente as necessidades. Para ela, a superlotação de salas que ocorreria com a transferência dos alunos do Coronel para outras escolas pode prejudicar o aprendizado dos alunos. Os alunos do Sagrado Coração de Jesus também ficariam em salas lotadas.
Gisele sugeriu que seja construída uma nova escola municipal na cidade e pediu apoio para que escola Coronel José Martins continue como está. A professora disse que a escola está aberta para o diálogo e para uma possível parceria entre o Estado e município, para atender aos alunos do município na parte da tarde. Segundo ela, a escola recebeu uma visita do Secretário de Educação para tratar do assunto, sendo o único contato com a escola.

PALAVRA DOS VEREADORES
Luquinha disse que está preocupado também com a superlotação do Sagrado Coração de Jesus. Para ele, o colégio comercial poderia ter sido usado para isso, mas agora o local está com o IFSULDEMINAS. O vereador citou o exemplo da diminuição do IDEB em uma escola que teve o aumento de alunos na sala de aula, em Juruaia, onde é professor. Para ele, é preciso pensar primeiro nas crianças e na educação. Luquinha disse que tentou baixar o número de alunos nas salas de aula na cidade, mas o projeto não passou no executivo.
O vereador Pelezinho disse que a Escola do Retiro estava para fechar em 2012, mas conseguiram manter a escola, sendo atualmente de ensino integral. Para ele, é preciso manter a escola como está.
O vereador Nilson Bortoloti disse esperar sempre contar com a presença da população na casa de leis para debater temas importantes. Para ele, o assunto em pauta na tribuna escapa da responsabilidade de decisão do legislativo. Nilson propôs a formação de uma comissão com vereadores, servidores e pais de alunos para levar o pleito até o Secretário de Educação e ao Prefeito. Para ele, isto serve de reflexão sobre a dificuldade que passa a escola Sagrado Coração de Jesus, que não está em um local adequado, e há de se buscar uma nova alternativa, como a parte da capacidade ociosa de outras escolas, como o Coronel, Cesário e o Salatiel.
A professora questionou se na época em que o prédio do Comércio foi desapropriado houve uma preocupação com a questão do Sagrado Coração de Jesus. Nilson disse que isso aconteceu na gestão anterior.
João Pezão disse que quando o colégio Comercial foi transferido para o IFSULDEMINAS a câmara não foi consultada; que viu com bons olhos a construção da Escola Sagrado Coração de Jesus; que o executivo deveria melhorar a escola sem querer transferir para o Coronel. Segundo ele, na campanha vale tudo, como prometer a volta das escolas da zona rural, mas na gestão não consegue manter o Colégio Comercial e quer acabar com o Sagrado Coração de Jesus. A professora disse que não está a favor ou contra nenhum partido, mas sim a favor do Coronel, pois mantê-lo é melhor para os alunos.
Pezão disse que há boatos de que são poucas as salas funcionando na escola. A professora disse que são 9 salas de manhã, de educação normal, e 1 à tarde, de educação integral, e uma sala de educação especial. “Está pequeno porque há 2 anos nós não recebemos alunos de 6° ano”, disse a professora. “Estão tentando enfraquecer para poder matar”, disse Pezão.
O vereador Cleber Marcon disse estar surpreendido com a quantidade de recursos que a escola recebeu nos últimos anos. Para ele, se fosse municipal não receberia tantos recursos. Cleber sugeriu uma mudança no decreto sobre o transporte escolar, para que alunos do Jardim dos Imigrantes, por exemplo, tenham direito ao transporte. Para ele, municipalizar o Coronel não irá resolver o problema do Sagrado coração de Jesus, porque não caberia os alunos. O vereador disse que o prédio onde está a escola do Sagrado Coração de Jesus poderá ser leiloado,segundo informações do juiz da comarca em entrevista ao Jornal A Folha Regional. Para a professora, se houver o leilão, as crianças não serão colocadas na rua, sendo feito algum acordo para manter a escola até que seja construída uma nova escola. Sobre o transporte escolar, é preciso pensar na distância da escola – pois seria mais barato levar para uma escola próxima- e também no número de alunos nas salas, pois isso dificulta o aprendizado.
João Poscidônio disse que, infelizmente, foram colocados os alunos no prédio que está por falta de lugar e que espera que a mudança não seja feita, sugerindo que seja marcada uma reunião com o prefeito. Para ele, com superlotação da sala não há como ter um ensino de qualidade. “É preciso trabalhar melhor na educação”, concluiu.
O vereador Cristiano falou sobre políticos que investiram na educação citando Brizola e Vargas, entre outros. Sobre a educação de tempo integral, o vereador disse que é preciso ter uma metodologia diferencial para trabalhar com aluno, com refeições, atendimento psicológico, por exemplo. Cristiano disse que estará atento e irá conversar com os professores.

OUTRO LADO
A reportagem manteve contato com o Secretário Municipal de Educação, Leandro Silva Bueno, sobre o caso da Escola Coronel. Segundo declarou, ele não iria se manifestar já que não tinha nada de oficial para esclarecer. Mesmo porque apenas foi feito um pedido de cessão do prédio da citada escola junto à Superintendência Regional de Ensino e Secretaria de Estado da Educação. Assim, o pedido por enquanto é verbal e não há nenhum documento oficial do Estado. Para o professor, até o momento tudo não passa de especulação.