Caso Grão Verde: Recursos no Banco do Brasil irão pagar produtores cadastrados nos próximos dias

Publicado em 07/11/2020 - judicirio - Da Redação

Caso Grão Verde: Recursos no Banco do Brasil irão pagar produtores cadastrados nos próximos dias

O impasse envolvendo a cafeeira Grão Verde continua repercutindo em Muzambinho. Uma audiência levou dezenas de produtores ao Fórum da Comarca local em busca de novidades quanto ao primeiro pagamento compromissado. Vale lembrar o empenho dos Sindicatos dos Produtores e Trabalhadores Rurais.

Rodrigo Machado, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, considerou a audiência produtiva. “Não foi o que a gente queria, mas foi o que era possível ser feito num primeiro momento”, falou. No final, foram beneficiados mais de 170 produtores.

Nesta primeira etapa, os empresários apresentaram os valores depositados em conta judicial, somando R$ 1.865.89,00 para pagamento inicial de até R$ 21 mil a 167 produtores. Mais de 150 produtores tem créditos superiores, recebendo então R$ 10 mil, mas ficando sem garantias de recebimento do restante. Diante disso, Rodrigo relata que já existe uma negociação com a empresa visando uma indisponibilidade de bens a serem colocados na conta judicial, havendo então esta garantia. Com a venda dos bens, o recurso poderia ser colocado para pagamento. Porém, os advogados da empresa (que participaram da audiência por vídeo conferência) alegaram que não há nada para colocar em garantia. Ao mesmo tempo, o proprietário da empresa garantiu que existem bens que podem ser colocados em garantia, informando que fará o devido levantamento a respeito.

A empresa ainda alegou que tem crédito de até R$ 5 milhões a receber junto aos produtores. Surgiu, inclusive, a sugestão de colocar este recurso a receber em conta judicial para garantir o pagamento aos produtores. Porém, Rodrigo manifestou seu entendimento de que o produtor “ficaria a ver navios”, pois uma ação judicial demanda muito tempo e o produtor não tem tempo para esperar o desenrolar do caso. O café de muitos produtores representa o capital de giro para fazer a gestão da propriedade até o próximo ano.

Para o recebimento do valor até R$ 21 mil, conforme acordado entre as partes na audiência realizada, cada produtor do Sindicato dos Produtores Rurais receberá um alvará individual para fazer o recebimento do dinheiro na agência bancária. Poderá fazer a previsão para receber em espécie ou poderá determinar uma conta para depósito. Do total, 103 produtores que tem um valor superior a R$ 21 mil receberão o valor de R$ 10 mil neste primeiro momento. O pagamento posterior deverá ser definido em audiência prevista para o dia 16 de dezembro. Vale informar que o recurso de quase R$ 1,9 milhão foi arrecadado com a venda do café depositado no armazém da empresa e com a venda de um imóvel dos empresários.


Juiz informa que expediu todos os alváras judiciais (Nota do Poder Judiciário)

O Poder Judiciário, Comarca de Muzambinho, vem, pelo presente, comunicar a população e, em especial aos Produtores e Trabalhadores Rurais credores do Grupo Grão Verde, que, de acordo com a audiência no último dia 26/10/2020, EXPEDIU nos autos do processo n. 5001332-17.2020.8.130441, todos os alvarás judiciais para pagamento dos credores listados pela empresa e Sindicados de Produtores e Trabalhadores Rurais em face do Banco do Brasil, Agência Muzambinho, onde se encontra depositado os recursos judiciais; contudo, por normas internas da Agência local, informado à secretaria do juízo, houve atraso no repasse dos recursos aos credores, o que será regularizado nos próximos dias e de acordo com as normas internas. 

(Flávio Schmidt, Juiz de Direito)


Banco do Brasil está seguindo as normas para pagamento

Procurado pela reportagem, José Luiz, gerente geral da agência do Banco do Brasil de Muzambinho informou que todos os produtores devidamente cadastrados através dos alvarás judiciais serão atendidos, já que os valores fogem da alçada da agência e são realizados no centro de operações do banco. Segundo ele, a liberação dos alvarás gira em torno de 3 a 4 dias e a agência está rigorosamente em dia seguindo os prazos e normas da instituição.