Para sindicalista, cafeicultura está sem representação política

Publicado em 20/10/2019 - geral - Da Redação

Para sindicalista, cafeicultura está sem representação política

Tuzinho ainda relatou que Sindicato “bate forte” e defende trabalhador rural em Cabo Verde

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cabo Verde, Reginaldo Roberto da Silva, o conhecido “Tuzinho”, tem uma ampla visão sobre sindicalismo e cafeicultura. Analisando a atuação de políticos regionais, ele foi direto ao afirmar que ninguém pode se declarar legítimo representante da cafeicultura. No final, também confirmou sua pré-candidatura a prefeito de Cabo Verde.


TENTATIVA DE DESTRUIR O MOVIMENTO

Historicamente, o movimento sindical sempre esteve ligado aos grupos de esquerda no Brasil. Hoje, o presidente Bolsonaro representa a extrema direita. Tuzinho revela dificuldades para os movimentos sindicais e sociais, pois o governo tenta penalizar uma de forma muito bruta, sem considerar os benefícios gerados. Prefere observar esses movimentos como adversários políticos, mesmo após a eleição. Prova disso, que foram promovidos cortes gigantescos na arrecadação dos sindicatos, como as contribuições confederativa e sindical. “Os sindicatos que estão em pé hoje são aqueles que realmente atuam e contam com uma base consolidada”, disse. A liderança entende, inclusive, que há uma tentativa de destruir um movimento consolidado e que promove um amparo legal aos trabalhadores. 


PENALIZANDO O TRABALHADOR RURAL

O sindicalista citou situações que vem prejudicando a classe, como tributação em cima de férias e 13º salário, menor reajuste para o salário mínimo do próximo ano. Os financiamento estão todos travados. O Programa Nacional de Crédito Fundiário já não está atendendo, bem como os programas de incentivo e crescimento. “Não está fazendo para ninguém e está penalizando muito o trabalhador rural e o pobre”, criticou. Citou ainda a intenção de reduzir o BPC (Benefício de Prestação Continuada) de R$ 998,00 para R$ 440,00. Em Cabo Verde, o prejuízo será enorme, pois o município já chegou a somar 600 benefícios. Mas os cortes já estão acontecendo no município através das perícias médicas.


AMPLO TRABALHO EM CABO VERDE

A liderança destacou a força dos sindicatos que atuam em Cabo Verde, Muzambinho, Nova Resende, Monte Belo e Campestre. Sindicatos estes consolidados e que oferecem atenção médica, crédito rural, além de profissionais como engenheiros e advogados, aos seus associados. 

Tuzinho relatou que o Sindicato adquiriu uma nova sede no centro da cidade. Entre os serviços ao associado, destacou o ITR, cartão de produtor, nota fiscal, georreferenciamento, contador, advogado, engenheiro e agrônomo. O sindicato ainda fornece cestas básicas aos associados com quase 50% de desconto e contando com 36 itens, a um custo de R$ 150,00. Apesar de todos os problemas, foi possível aumentar o número de trabalhadores sindicalizados. Isto foi possível graças à economia e trabalho de base. 

O sindicato hoje trabalha como se fosse um escritório de prestação de serviço, inclusive atuando com crédito agrícola. Hoje, o sindicato é credenciado no Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Sicoob como gestor operacional das linhas de crédito. Também será o Correspondente Caixa no município de Cabo Verde, atuando na parte transacional como pagamento de benefícios e financiamentos imobiliários.


HABITAÇÃO E PRONAF

O presidente comentou linha de crédito de financiamento habitacional dentro do PRONAF - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. É liberado o valor até R$ 50 mil para construção ou reformas na zona rural, sendo que Cabo Verde já conta com projetos em andamento. Vale lembrar que o Sindicato de Cabo Verde foi referência na região em habitação rural, tendo viabilizado o maior programa no município com 135 unidade habitacionais.

Conforme Tuzinho, o PRONAF gira aproximadamente R$ 50 milhões por ano em Cabo Verde. Mesmo assim, revelou que o cafeicultor está totalmente endividado em decorrência do preço do café. Saiu uma normativa de negociação de dívida através de parcelamento junto ao Banco do Brasil e gestores financeiros. Porém, o sindicalista revela que muitos dos bancos não estão aderindo às propostas de negociação. “As instituições financeiras estão contrariando a normativa do manual de crédito rural e não estão aderindo”, revelou. Neste contexto, deixou um alerta para que os produtores rurais procurem os sindicatos para a devida orientação. Em Cabo Verde, o sindicato “está batendo forte” e viabilizando a negociação. A alternativa é totalmente possível se o produtor apresentar a proposta antes do vencimento, com a instituição contando com o prazo de 30 dias para analisar sem aumentar o juro, podendo haver o parcelamento em cinco anos.


FORÇA DA AGRICULTURA FAMILIAR

Tuzinho declarou que a agricultura familiar carrega a economia regional. São as muitas pequenas propriedades rurais que geram emprego e leva o alimento para a mesa do povo brasileiro, mesmo sendo pouco valorizado e penalizado pelas políticas públicas. Valorizou também as parcerias com os municípios através do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e PAA (Programa de Aquisição de Alimentos). Cabo Verde conta com uma associação bem organizada que entrega parte da merenda escolar em Muzambinho e no próprio IFSULDEMINAS Campus Muzambinho, como também nas cidades de Campestre, Bandeira do Sul, Botelhos, Monte Belo, Areado, Divisa Nova e Serrania. Negociação em andamento poderá viabilizar a entrega também em Guaxupé, Monte Santo de Minas e Varginha. A associação conta com 38 produtores cadastrados, podendo chegar a 60 no próximo ano, para a entrega em mais de 100 escolas.


CAFEICULTURA SEM REPRESENTAÇÃO

“A minha cidade está triste”, revelou. Tuzinho completou: “Quanto mais longe do pé de café, mas dinheiro se ganha. Quanto mais perto, menos dinheiro se ganha”. Foi assim que Tuzinho falou sobre a crise econômica na cafeicultura. Contou que os corretores de café estão todos ricos, enquanto que o produtor está cada vez mais pobre. Entende que o governo deveria estocar pelo menos 10 milhões de sacas, promovendo uma recuperação dos preços. “O produtor vive do ano que vem. O ano que vem vai dar certo”, disse.

Tuzinho também criticou a falta de representação política na cafeicultura. “Fica um monte de deputado pegando microfone e arrebentando de fazer política em cima do cafeicultor e não faz ‘m.’ nenhuma. Só vende um sonho. Na hora de conversar, senta-se em reunião fechado com o Banco do Brasil e BNDES e não vem resposta”, falou. Criticou também a falta de resultado de manifestação que aconteceu recentemente em Cabo Verde. Disse ainda: “Na época da eleição vira um sensacionalismo de tapinha nas costas e abraço. Não tem deputado que representa a cafeicultura. Só fala e não traz resultado”.

O sindicalista detalhou as dificuldades e dívidas do cafeicultores. No final, analisou que o preço ideal para a saca de café nos dias atuais gira em torno de R$ 700,00 para cobrir os custos. Revelou a situação de Cabo Verde que em 2007 chegou a receber 8 mil trabalhadores e atualmente não registrou 1 mil pessoas. Hoje, o município produz muito café, mas não gera emprego, apenas informal. 


PRÉ-CANDIDATO A PREFEITO

Tuzinho foi candidato a prefeito no último pleito em Cabo Verde, sendo que foi superado por apenas 140 votos, menos de 1% do eleitorado local. Ele confirma que é novamente pré-candidato, mantendo o otimismo e conversações. Entende que Cabo Verde precisa mudar a política como um todo. Portanto, vem conversando com a comunidade, principalmente com as comunidades rurais. Vem dialogando, inclusive, com o ex-prefeito Claudinho Palma.