IEF inicia reabilitação de animais apreendidos na operação Macaw

Publicado em 28/09/2020 - geral - Da Redação

IEF inicia reabilitação de animais apreendidos na operação Macaw

Animais resgatados das mãos de criminosos durante a Operação Macaw, realizada entre os dias 17 e 18 de setembro, já estão sendo acompanhados por equipes veterinárias dos Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetas/Cetras) e serão conduzidos pelas equipes do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os dois órgãos atuam em conjunto nos três Cetas que compartilham em Belo Horizonte, Juiz de Fora e Montes Claros, e no Cetras estadual de Patos de Minas.

Ao todo, foram retirados da rota do tráfico 141 animais, sendo que 106 foram recebidos nessas estruturas. Dentre os resgates feitos estão algumas espécies raríssimas e ameaçadas de extinção, como a arara-azul grande e o mico-leão-dourado. Outros recebimentos foram de papagaios, tucanos, cágados, pítons, faisões, maritacas, macaco-prego, tigre d'água, jiboia, jacarés, entre outras espécies.


De acordo com a diretora de Proteção à Fauna do IEF, Liliana Adriana Nappi Mateus, os animais foram distribuídos entre as quatro estruturas, tendo sido destinados ao Cetas Belo Horizonte 33 animais, enquanto a unidade de Montes Claros recebeu 6 e o Centro de Triagem de Juiz de Fora ficou com 63 animais. Para o Cetras de Patos de Minas foi encaminhado um animal.

No caso do Cetas de Juiz de Fora, segundo a veterinária do IEF que atua na unidade, Laura Silva de Oliveira, alguns animais chegaram com visíveis sinais de maus-tratos. "A maioria dos animais estava com condição corporal elevada, proveniente de alimentação inadequada, levando-os à obesidade", explicou.

Segundo ela, dois animais em específico estão com quadros mais graves. Um gavião Carcará apresentou uma fratura exposta e uma maritaca que também está com uma das asas fraturada. "De início, todos os animais foram triados, avaliados e se encontram em quarentena para avaliação do comportamento, ingestão hídrica e alimentar, e para presença ou não de alguma patologia que possa se manifestar", acrescentou Laura.

O mesmo ocorreu no Cetas de Belo Horizonte, segundo a veterinária Érika Procópio. Entre as espécies que a unidade recebeu estão arara-azul grande, um píton com cerca de três metros de comprimento e macacos-prego. "Chama a atenção porque algumas espécies nem ocorrem em Minas e no Brasil. No caso do píton suspeitamos que estava sob cativeiro há bastante tempo ou passou por um processo intenso de superalimentação pelo tamanho que apresentou", avalia Érika.

Reabilitação e soltura

Os animais passarão pelo processo de reabilitação e serão destinados pelos órgãos ambientais para as Áreas de Soltura de Animais Silvestres (Asas), onde serão reintegrados à natureza. No caso dos três micos-leões-dourados resgatados e encaminhados ao Cetas de Juiz de Fora a destinação será feita conforme instruções do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Plano de Ação Nacional para conservação da espécie.

Estes animais serão encaminhados, provisoriamente, para o Centro de Primatologia do Rio de Janeiro. Lá será decidido se haverá soltura ou conservação em cativeiro, o que dependerá de vários fatores como genética e estado de domesticação, dentre outros. As espécies exóticas como araras-azuis e pítons serão destinadas a criatórios regularizados junto ao IEF e ao Ibama.

Operação Macaw

Deflagrada na última quinta-feira (17/9), a operação Macaw teve a coordenação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), mas contou, também, com a participação do IEF, Ibama, de fiscais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad), da Polícia Militar de Meio Ambiente (PMAMB), Polícia Civil do Estado de Minas Gerais, da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).


O objetivo da força-tarefa foi combater o crime de associação criminosa (quadrilha), lavagem de dinheiro e a prática de crimes contra o meio ambiente, como a guarda ilegal em cativeiro, maus tratos, comércio ilegal e tráfico de animais silvestres. Ao todo foram expedidos 24 mandados de busca e apreensão para 23 alvos nos municípios de Caratinga, Uberlândia, Sete Lagoas, Manhuaçu, Ribeirão das Neves, Caraí e Nova Friburgo (RJ).

Seis pessoas foram presas em flagrante por posse irregular de arma de fogo (uma em Ribeirão das Neves, três em Caratinga, uma em Sete Lagoas e uma em Uberlândia). Além disso, foram apreendidas seis armas de fogo e munição e instrumentos utilizados para transporte de aves, como gaiolas, anilhas, celulares, notebooks e outros equipamentos eletrônicos. Também foram resgatados diversos animais silvestres em cativeiro irregular, sendo que alguns deles estavam em situação de maus-tratos.

Apenas em Caratinga, foram apreendidos 35 animais ameaçados de extinção, 41 animais exóticos e outros 42 de demais espécies. Em Sete Lagoas e Uberlândia foram apreendidas aves, além de 105 amostras de sangue de papagaios e araras-canindé. As amostras foram colhidas por veterinários do IEF para rastrear a origem dos animais, apurando se os espécimes foram criados em cativeiro legalizados junto aos órgãos ambientais ou se são animais "esquentados" para comercialização.

A ação também consistiu na apreensão de notas fiscais e outros documentos com indícios de ilegalidade. A operação ocorreu por meio da Promotoria de Justiça de Caratinga com o apoio da Coordenadoria Estadual de Defesa da Fauna (Cedef), do Núcleo de Combate aos Crimes Ambientais (Nucrim), do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet), do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema-RJ).

Foram mobilizados 13 servidores e 6 veículos do Ibama, 20 servidores e 14 veículos da Semad, 13 servidores do IEF, entre os quais sete são veterinários, 87 policiais e 33 viaturas da PMMG, 18 policiais e 7 viaturas da PRF, investigadores da Delegacia especializada em Crimes Ambientais (Dema) e do Gaeco, dois auditores da Receita Federal e duas promotoras de Justiça.

A apuração dos fatos ocorreu no âmbito de Procedimento Investigatório Criminal do MPMG, que se deu em virtude da apreensão de araras que estavam sendo traficadas. Algumas delas morreram. Devido a isso, o nome da operação Macaw faz alusão à tradução do nome arara para a língua inglesa. O combate ao tráfico de animais silvestres é compromisso firmado entre os participantes da operação, que compõem grupo temático para definição de estratégias de atuação no estado de Minas Gerais.


ascom