Conservação de estradas rurais melhora escoamento da produção agropecuária em Lambari

Publicado em 15/02/2020 - geral - Da Redação

Conservação de estradas rurais melhora escoamento da produção agropecuária em Lambari

Iniciativa reúne Emater-MG, prefeitura e comunidades rurais 

 Como adequar estradas rurais, evitando a erosão do solo e a consequente degradação do ambiente? Em Lambari, estância hidromineral que faz parte do Circuito das Águas de Minas, a resposta ao desafio está sendo enfrentada pelo Programa de Conservação de Estradas Rurais. O trabalho, implantado há oito anos,  reúne ações e participações da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG),  prefeitura municipal e cafeicultores das comunidades rurais do município.  

Com mais de 1,7 mil quilômetros de estradas rurais, o município tem enfrentado ao longo dos anos dificuldades na manutenção e conservação dos acessos na zona rural. Nos períodos de chuva, muitos trechos apresentam pontos de alagamento, atoleiros, fortes enxurradas, falta de saídas de água e bacias de contenção, entre outros problemas. Na estiagem, demais dilemas também surgem,  como por exemplo, as chamadas “costelas de vaca”, pedras pontiagudas, buracos e poeira.  

A Emater-MG, empresa vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), é a idealizadora do projeto de conservação e mobilização dos produtores. A prefeitura garante o maquinário, equipamento e cimento para fabricar os bloquetes (blocos feitos de concretos que permitem a drenagem da água) usados na pavimentação e na montagem das canaletas. Já os produtores financiam a maior parte da empreitada, destinando frações das vendas do próprio café para a compra de materiais. Além disso, garantem a mão de obra, constituindo entre eles um mutirão para executar os serviços.  

O objetivo é garantir o tráfego normal de veículos e o escoamento da produção agrícola, focada principalmente no café, durante todo o ano. Até o momento, a iniciativa já promoveu a pavimentação de 18 quilômetros de estradas vicinais, do município, com adesão de 12 comunidades rurais, segundo informações do extensionista agropecuário, o agrônomo do escritório local da Emater-MG, José Oscar Brandão. 

De acordo o agrônomo, que divide a autoria do projeto, com a colega, a extensionista de Bem-estar Social Rossana Toledo, tudo começou quando foram consultados por um produtor, líder de comunidade,  se havia crédito rural (Pronaf) para melhorar estrada vicinal. “Então iniciou-se um projeto de recuperação de pontos críticos das estradas vicinais do município, através da pavimentação com bloquetes sextavados, tendo a participação da Emater, comunidades rurais e prefeitura”, explicou.  

O pavimento com bloquetes sextavados (feitos de cimento) é considerado sustentável, pois como são assentados em areia ou no solo, sem rejunte (intertravados), permite que água da chuva seja escoada para os lençóis freáticos, evitando a impermeabilização do solo. Por ser antiderrapante, o revestimento oferece maior segurança a pessoas e veículos que percorrem as estradas.

 

Estrada recuperada, vida mais fácil 

A primeira comunidade a ser beneficiada foi a da Serra do Paiolinho, mas o projeto estendeu-se para todas as comunidades rurais do município, entre elas, Campos, Serrote, São Bartolomeu, Barba de Bode, Capelinha e Vargem Grande. “A cada ano é construído um trecho de cada estrada vicinal. E isso vem melhorando o transporte de insumos, da safra de café e facilitando o deslocamento de veículos escolares, equipes de saúde, além das famílias que residem no meio rural.  É uma iniciativa que está facilitando a vida de todos, deixando as estradas transitáveis o ano todo”, comemora José Oscar Brandão.  

Moradores das comunidades atestam também como tudo está ficando mais fácil para escoar a produção de café e realizar outras atividades. É o caso do cafeicultor Carlos Bacardi, que compara a situação atual, com a do passado. “Antes de melhorar essas estradas a vida era mais difícil. A gente pensava para sair e muito mais no voltar. Era difícil pra levar o que se produzia no sítio e ter acesso às coisas da cidade.  Agora a gente tem tranquilidade em sair e chegar. Isso está contribuindo para a melhoria da nossa comunidade”, afirma.  

O também cafeicultor Sebastião de Oliveira confirma as dificuldades em transitar na estrada para trabalhar na colheita do café, antes das intervenções.   No mês de seca ele aponta a poeira como o maior obstáculo a enfrentar na travessia da estrada.  Mas na época de chuva, o barro é o grande vilão por dificultar as subidas dos carros. “Tudo ficava parado e a gente não conseguia vir adubar e dar manutenção na nossa lavoura”, garante. Apontando uma parte da estrada que está com as obras concluídas e outra que ainda será feita, Oliveira sintetiza: “o que a gente fez lá embaixo ficou excelente. Agora fazendo esse morro fica melhor ainda”. Sobre se tem disposição para trabalhar na obra, após a colheita, o produtor garante que sim. “Aqui no Pelorinho todo mundo faz parte do mutirão. É só chamar. Todo mundo é muito unido na comunidade”, assegura.  

Motorista de ônibus escolar que roda as comunidades de São Bento, São Bartolomeu e Cachoeirinha,  Walter Pimentel é só elogios ao percorrer o trecho já pavimentado. “Agora desenvolve muito mais. O bloquete ajuda muito. Dá pra sair mais tarde. Antes a estrada tinha muito buraco e quando chovia fazia bastante barro, não tinha como passar. O trator tinha de vir ou então a gente ficava na cidade”, revela.

 

Prêmio e cafeicultura 

O Programa de Conservação de Estradas Rurais de Lambari conquistou o primeiro lugar no Prêmio MelhorAção de 2019. A iniciativa da Emater-MG escolhe os melhores trabalhos de destaque no ano para valorização profissional de seus funcionários e dos clientes da empresa.  

O município de Lambari tem como principal atividade econômica a cafeicultura. A área de café em produção no município é de 6,1 mil hectares e 820 hectares em formação. A produção é de 153 mil sacas por ano.  

 

Assessoria de Comunicação – Emater-MG