Noite de Gala na Academia Muzambinhense de Letras para a entrega da Comenda Uriel Tavares

Publicado em 08/12/2019 - especial - Da Redação

Noite de Gala na Academia Muzambinhense de Letras para a entrega da Comenda Uriel Tavares

A Academia Muzambinhense de Letras realizou grande evento para entrega da Comenda Uriel Tavares a personalidades que contribuíram ou contribuem para a divulgação da Cultura. As solenidades para a entrega de importante Titulo de Reconhecimento Público realizou-se na noite do último sábado dentro das comemorações do Aniversário da cidade de Muzambinho, que completava naquela data 139 anos.

A cerimônia iniciou-se com a presidência do Academico Dr. José Roberto Del Vale Gaspar, que passou a palavra para o Presidente de Honra, Trindade Escudero, que discursou fazendo um breve relato histórico da fundação da Academia destacando a importância histórica do Dr. Otonelson Eduardo Prado na idealização e fundação da Academia auxiliado por José Sales de Magalhães Filho e José Roberto del Valle Gaspar. Sob forte emoção finalizou seu discurso sendo muito aplaudido por todos os presentes.

Já com as dependências do Salão Poetisa Jacira Ribeiro, da Academia completamente tomado, Dr. José Roberto Del Vale passou a palavra para o Dr. Otonelson Eduardo Prado, que fez uma explanação sobre a vida e obra de Uriel Tavares, poeta que dá nome a uma das mais importantes comendas culturais de Minas Gerais.

Uriel Tavares, o “Poeta Caboclo”, amplamente conhecido e reconhecido pela crítica especializada da época figura de destaque na cena cultural de nosso país nas décadas de 1920 e 1930. Literato mais citado pelo órgão oficial da Academia Brasileira de então. Nasceu no Bairro rural da Laje, municipio de Muzambinho, destacou Dr. Otonelson. Uriel Tavares tornou-se professor em 1909 e 5 anos depois publicou seus poemas que se tornaram imortais na obra “Flores Ao Vento” patrocinado por um mecenas da família Paoliello. O Poeta Uriel Tavares foi acolhido pela cidade de Guaxupé, onde veio a falecer no final da Década de 1930. Dessa forma, Dr. Otonelson Eduardo Prado, bastante aplaudido, finalizou seu discurso e a Presidencia da sessão deu início a entrega das Comendas. Receberam Comendas e Diplomas da Ordem de Reconhecimento do Mérito Cultural: João Batista Dias (Jota Dias, radialista e politico), José Sales de Magalhães Filho (Prof. Jose Sales), Natanael Faria de Abreu (Escritor, romancista e roteirista), Dr. Otonelson Eduardo Prado(advogado e empresário) e Tarcisio de Souza Gaspar(Historiador escritor e professor).

Os Homenageados agradeceram as indicações e o recebimento das Comendas e Diplomas.

Jota Dias lembrou dos amigos Academicos com os quais conviveu em Muzambinho. Destacou o Aniversário de Muzambinho e discorreu sobre a Cultura no Mundo, da Roma Agrária até a influência da Grécia Helênica sobre os latinos, passou por movimentos que marcaram a Cultura Brasileira, como as aspirações de negros, índios e ibéricos em Vila Rica; o Movimento Modernista do início da década de 1920, que embalado pelo economia cafeeira fez São Paulo se transformar em um caldeirão cultural, as mudanças nas artes, nos Esportes e no Urbanismo ocorridos à época da mudança da capital do Rio para Brasília, influenciaram até os nossos dias. Finalizou sobre a cultura destacando pontos cruciais da vida e obra de Uriel Tavares e a necessidade da criação de uma Memória Cultural que perpetue fatos e personalidades de nossa história. Destacou trechos de Guimarães Rosa e Eduardo Galeano, no contexto do momento e da vida de Uriel Tavares.

José Sales, um dos ideólogos da Academia Muzambinhense de Letras, lembrou das difilculdades da Cultura, a falta de apoio institucional aos jovens que já não dedicam tempo para a leitura e outras formas de artes, optando – por falta de opções – pelas mídias digitais. Lembrou de suas lutas como estudante e depois Professor de Inglês, Português e Educação Moral e Cívica com sua preferência pela Literatura.

Natanael de Abreu discursou agradecendo a todos pela Comenda Uriel Tavares. Lembrou se seus tempos de estudante na Escola Estadual Salatiel de Almeida e da efervescência das noites de sábado na Av. Dr. Américo Luz. Ele é Escritor, Autor de Músicas de Sucesso, Peças Teatrais, Roteiros Cinematográficos. Está trabalhando dois novos romances, além do recentemente lançado “Pintando o 7 em 22”, que trata da Semana da Arte Moderna de 22. Das duas novas obras, a mais avançada, Sorriso de Eva, tem como cenário Muzambinho nos anos 1960/1970 com prefácio do Dr. Otonelson Eduardo Prado.

Otonelson Eduardo Prado recebeu a Comenda Uriel Tavares e discursou rapidamente sobre a vida de obra de Jackson de Figueiredo, destacando importante participação de um ateu convertido ao Catolicismo que acabou por criar no Rio de Janeiro, juntamente com Alceu Amoroso Lima o Centro Dom Vital mais importante centro de estudos católicos do Brasil e América Latina. Jackson ainda criou a primeira Faculdade Católica do Brasil, tornando-se nas atuais PUCs – Pontifícias Universidades Católicas.

Tarcisio de Souza Gaspar, Escritor e Professor do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Sul de Minas, campus Muzambinho, discursou e pediu para ocupação do espaço da antiga

Escola Municipal Prof. José Januário de Magalhães. Solicitou a participação da Academia neste sentido, o que foi aceito como objeto de discussão.

O Presidente da Sessão, Academico Dr. José Roberto Del Vale, passou a palavra para o Academico Paulo Dipe que encerrou as solenidades lembrando do filme “Casinha Pequenina” de Amacio Mazarropi, principalmente da musica “A Dor da Saudade”, um clássico de 1963 que embala as cenas do filmes. Paulo Dipe fez uma “ cappella ” da canção que inclusive havia cantou nos últimos momentos de vida de seu pai, recentemente falecido. Foi um momento de muita emoção, aplaudido por todos. Para imortalizar também na Cultura de nossa cidade, “A Folha Regional” trás ao final desta matéria os versos da canção de Mazarropi, um dos maiores ícones de nossa cultura popular.

Dr. José Roberto Del Vale encerrou as solenidades, convidando todos para um coquetel, servido no salão. Durante o coquetel, o ilustre Acadêmico Trindade Escudero, fez uma noite de autógrafos, com dedicatórias e fotos, de sua obra “Memórias do Cortiço” que tem Capa,


Contra Capa e Ilustrações centrais do Acadêmico Paulo Dipe.

A Dor Da Saudade

- Amácio Mazzaropi

A dor da saudade

Quem é que não tem

Olhando o passado

Quem é que não sente

Saudade de alguém


Da pequena casinha

Da luz do luar

Do vento manhoso

Soprando do mar


A dor da saudade

Quem é que não tem

Olhando o passado

Quem é que não sente

Saudade de alguém 2X


E até das mentiras

Que fazem sonhar

De alguém que se foi

Pra não mais voltar


Vá embora saudade

Da minha casinha

Que eu quero bem