Jet Set e o início de Eli Muzamba - 30 anos de rock

Publicado em 25/10/2020 - especial - Da Redação

Jet Set e o início de Eli Muzamba - 30 anos de rock

Origem musical Eli 

A história de Eli começa em Muzambinho/MG, sendo levado pelas irmãs e cunhados nos festivais, ainda criança. Daí foi um pulo para resolver cantar, dando canjas para o Fábio Pires e Zito no Spaço Bar, e brincando de fazer letras com seu grande amigo Luciano Marques. 

No início dos anos 90, Eli monta sua primeira banda, revezando amigos da cidade. Era tudo junto e misturado. Eram eles Juliano Alencar, Alessandro Gonçalves, Leandro Gonçalves, Paulo Roberto Tavares, Miltinho Araújo e o saudoso “Marquinho do Som”. Vez por outra aconteciam participações do Thiago Mamede, Anuar e Aluani Qbar. 


Origem Jet Set

Em 1994, com a escolha de fazer faculdade de Publicidade, o sonho de montar uma banda de rock foi transferido para Campinas, onde logo passou a fazer parte do Coral da PUC. E em 1997 veio o convite para formar sua primeira banda, a Plug'n'Play, que com a mudança de integrantes passou a se chamar Jet Set (Instagram: @jetsetrock). 

A performance de palco de Eli, diz ele, foi uma "estratégia para espantar a timidez". E o que foi feito de improviso deu certo, criando com o público uma ligação que ainda hoje pode ser percebida nos shows. "Depois que vi que a galera gostava passei a me dedicar àquilo, queríamos que o público voltasse para casa lembrando que viram algo além do esperado, e acho que conseguimos fazer isso até hoje". 

Tocando em muitos bares surgiu o primeiro desafio, gravar um disco! O Jet Set percebia a necessidade de compor, e todos passaram a se juntar para fazer músicas. Eli se dedicou a fazer as letras, e logo se tornou o letrista oficial. Nas criações de Eli, vinham as referências iniciais de nomes como Renato Russo, Titãs, The Cure e Rolling Stones, e que depois foram se ampliando para Red Hot Chili Peppers, Pink FLoyd, Milton Nascimento, Lô Borges, Tom Jobim, Guimarães Rosa, Drummond, Fernando Pessoa, Neil Young e Bob Dylan.

Música e letra andando juntos, foi uma questão de tempo para que Eli também começasse a esboçar acordes no violão, e ao longo dos anos o Jet Set teve todas as suas composições (entenda-se letra e melodia) feitas por Eli. 

Eli passou a fazer mais músicas, mas som do Jet Set, forte e acelerado, sempre pediu textos mais fortes, e muitas canções leves destoavam do estilo da banda. Sempre havia o comentário interno "deixa essa pro seu disco solo Muzamba!" e apesar de parecer quase uma brincadeira, mais e mais músicas foram sendo arquivadas. 

O grupo gravou 3 discos, tendo clipes exibidos na MTV, e prossegue na ativa, com um vasto histórico de milhares de apresentações por todo o estado de São Paulo, além de Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. 


O início do disco novo

No ano de 2016, com o Jet Set em recesso de dois anos, Eli teve uma conversa com o escritor e diretor de cinema Rodolfo Magalhães, que o incentivou a não parar. No dia seguinte Eli escreveu a música que se tornaria um manifesto do novo disco. Eia (Fazendeiro do Ar) marcou o início de uma parceria de letras com Rodolfo, depois veio o amigo Marcelo Bortoloti. E neste trio os rumos do disco foram sendo discutidos, com parcerias e pitacos que ajudaram Eli a organizar o álbum cujo título será "Bonança". 


Bonança - Um verdadeiro "coletivo solo"

Novo disco será lançado gradativamente

Do start inicial ao término da gravação, Bonança levou dois anos para ficar pronto. As limitações e o enclausuramento impostos pela pandemia dilataram o tempo e refinaram as ideias. Com produção assinada pelo até então guitarrista do Jet Set Alessandro Cavenaghi (@alecavena), na verdade um hábil multi instrumentista, o álbum foi ficando totalmente eclético, com estilos como Reggae, pop, rock, baladas, bossa nova, rap, regionalismo, samba rock e até flamenco! Mas também vieram as criações antigas, músicas desaceleradas e sutis que esperaram pacientemente por anos, e que trouxeram uma leveza quase inédita no trabalho De Eli junto ao Jet Set.

E quando Eli achava que estava sozinho, o disco acabou se tornando um trabalho "coletivo solo". Além das parcerias nas letras, ainda temos João Paulo Martini, atual baixista do Jet Set tocando algumas músicas, também o guitarrista Thiago Hoover (que também teve sua temporada no Jet Set), fazendo pós produção e vozes em algumas músicas. Além de conversas de bastidores com sua mestra Regina Benassi e seu mentor literário Ailton Rocha. 

O que temos em 'Bonança' é um disco desacelerado e profundo. Antenado com as tendências, mas ao mesmo tempo livre de modismos. E se na cena musical atual e isso parece loucura, Eli chama isso de verdade. 

Desarmado do peso, do barulho gratuito, e das preocupações puramente comerciais, o que se vê aqui são músicas que pretendem soar atemporais. E como abre alas, a primeira a ganhar vida é o "manifesto bucólico" Eia (Fazendeiro do Ar)! 


Eia (Fazendeiro do Ar) - 27/11 no Youtube e Plataformas

Poesia e psicodelismo nas montanhas de Minas

No dia 27/11 será o lançamento oficial da música e do clipe de Eia (Fazendeiro do Ar). A música é um abre alas suave e poético de todas as sensações que o disco traz. 

A batida eletrônica combinada com uma levada de acordes Rock Bossa, carregados de efeitos sonoros e psicodelismo, dão à música um tratamento novo, sem perder a inspiração, Muzambinho! 

Com isso, gravar o clipe em Muzambinho foi irresistível, e Eli teve o apoio altamente talentoso de Mateus Prego com sua marca Born To Be Uai, e Bruno Camargo na captação de imagens. A edição foi feita sob supervisão do Rodolfo Magalhães, provocador e parceiro no disco. 

Pandemia

A pandemia afastou muito as pessoas do convívio social, mas no meu caso abriu brechas para que eu estreitar o contato online com amigos, familiares e fãs do Jet Set, que estão acompanhando mais de perto o processo. Penso que sem a pandemia eu não teria me dedicado tanto ao violão, nem estaria tão presente na vida de diversas pessoas que têm me acessado ultimamente. Não posso reclamar no que diz respeito à música. Até a entrevista que o Fábio Anderson fez comigo, que foi um verdadeiro presente, é algo que, se eu não estivesse fazendo as Lives, provavelmente não teria acontecido o convite. 

Por isso tudo, as Lives têm sido uma alegria, e às vezes até dou espaços entre elas com medo de cansar a galera, risos. 

Agrotur

Não tem como falar do Jet Set em Muzambinho sem associar a banda com a Agrotur, festa da qual a banda participou de várias edições, tocando no mesmo palco que nomes como 14 Bis, Almir Sater e Jota Quest. Sempre foi uma honra para a banda, que não vê a hora de pisar na avenida novamente. 


Projetos com o Jet Set?

Como estou no momento de lançar o disco solo, há todo um trabalho a ser feito, mas isso também gera resultados, contatos, parcerias, novos caminhos, e com certeza isso será benéfico para o Jet Set, que continua fiem, apesar das férias forçadas.