Instituições de longa permanência para idosos precisam de atenção redobrada

Publicado em 15/06/2020 - especial - Da Redação

Instituições de longa permanência para idosos precisam de atenção redobrada

Passados quase três meses do início da pandemia do coronavírus, as atividades empresariais começam, lentamente, a serem retomadas no Brasil, onde caberá a cada estado e município definir quando liberar as operações em cada segmento econômico. Pensando nas necessidades dos pequenos negócios, que buscam orientação e informações referenciadas por autoridades de saúde, o Sebrae sistematizou uma série de protocolos com procedimentos que vão ajudar essas empresas na reabertura de seus negócios de forma segura para empresários, funcionários e clientes. Nesse contexto, um dos segmentos mais importantes, devido às especificidades do seu público, e que tem recebido a atenção das autoridades de saúde no Brasil e no exterior, é o setor das Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPI).

O protocolo de Reabertura elaborado pelo Sebrae para esse segmento, com base em referências nacionais e internacionais, alerta para o fato de que a Covid-19 é comprovadamente mais perigosa para pessoas com mais de 65 anos de idade. Dados disponíveis em um estudo na China revelam que a mortalidade na faixa etária entre 60 e 69 anos é de 3,6%, para pessoas entre 70 e 79 anos, a mortalidade é de 8% e, para os idosos com mais de 80 anos, fica em torno de 14,8%. Nesse sentido, alerta o protocolo, essas instituições devem implementar medidas rigorosas de prevenção e controle de infecção para evitar ou reduzir ao máximo que os residentes, seus cuidadores e profissionais que atuem nesses estabelecimentos sejam infectados pelo vírus.

A primeira orientação é a atenção aos decretos de cada região, para saber se as normas internas da instituição estão de acordo com as orientações das entidades reguladoras oficiais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), Agência da Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério da Saúde, entre outras; além de portarias das secretarias estaduais e municipais da saúde. O documento do Sebrae esclarece que os cuidados para a prevenção da doença junto a esse público e nessa natureza específica de empresas, vai muito além das recomendações básicas de lavar permanentemente as mãos, usar máscaras e praticar o isolamento social. Nesse negócio, outros aspectos envolvem desde a logística até os cuidados com a atenção emocional dos idosos.

É preciso garantir a limpeza correta e frequente das superfícies das áreas comuns, dos dormitórios e de outros ambientes utilizados pelos residentes. O desinfetante de mãos ou álcool em gel deve ser colocado em locais de destaque e é fundamental certificar-se de que funcionários, contratados e residentes tenham acesso a locais onde possam lavar as mãos com água e sabão. Os gestores das instituições devem ainda afixar cartazes com instruções sobre higiene das mãos, respiratória e sobre a etiqueta da tosse nos acessos e em locais estratégicos, além de garantir máscaras faciais e a redução da capacidade de público do estabelecimento, de modo que seja possível minimizar o contato.

Outro ponto observado pelo protocolo do Sebrae é que as pessoas idosas em isolamento ou quarentena devem receber cuidados e apoio emocional. Caso esse tipo de serviço ainda não seja oferecido de forma profissional, é importante que o gestor adote como prática a conversa diária com os residentes, escutando-os de forma atenta e gentil e demonstrando que o isolamento é necessário, mas será por tempo limitado. Esse cuidado dever ser objeto de atenção de toda a equipe de profissionais da empresa.

Para equipe profissional

Além das recomendações básicas da OMS e Ministério da Saúde, o Sebrae orienta que seja organizada uma área de chegada para os profissionais, disponibilizando álcool em gel para higienização das mãos e das solas dos sapatos (como um borrifador com álcool 70% ou tapete com desinfetante). Essa área deve contar com um espaço reservado para guardar bolsas e itens pessoais dos colaboradores, que devem trazer o mínimo de objetos pessoais, acondicionando-os em sacolas plásticas fornecidas pela instituição.

Também é preciso verificar se os locais de trabalho estão limpos, bem como se as superfícies (mesas e bancadas) e objetos (telefones, teclados) estão sendo higienizados com desinfetante regularmente. Importante ainda alertar os funcionários fiquem em casa, caso apresentem uma tosse leve ou febre baixa (37,3 C ou mais), esclarecendo que poderão contar esse tempo como licença médica.


Dicas práticas:

Sobre o local de Trabalho

- Garanta a limpeza correta e frequente, diariamente e sempre que necessário, das superfícies das áreas comuns, dormitórios e outros ambientes utilizados pelos residentes;

- No caso da ocorrência de residentes com sintomas respiratórios ou com suspeita (ou confirmação) de infecção pelo coronavírus, a desinfecção de todas as áreas descritas deve ser realizada logo após a limpeza com água e sabão/detergente neutro. Nesse caso, é importante maior atenção à limpeza e desinfecção das superfícies mais tocadas (maçanetas de portas, telefones, mesas, interruptores de luz, corrimãos e barras de apoio etc.) e dormitório, sendo recomendado, no mínimo duas vezes por dia.

- Diminua a capacidade de público do estabelecimento, de modo que seja possível minimizar o contato;

- Planeje um espaço separado para recepção de mercadorias, estoques e outros insumos. Denomine esse espaço de área suja. Esta deve ser limpa com frequência maior e pelo menos duas vezes ao dia. Imediatamente após a chegada de mercadorias, insumos ou mesmo recepção de fornecedores proceda à limpeza e desinfecção de mercadorias.

 Sobre os colaboradores

- Meça a temperatura de todos os funcionários para detectar febres

- Oriente que os colaboradores devem vestir o uniforme ou roupa de trabalho somente no local de trabalho. Uniformes, EPIs e máscaras não devem ser compartilhados;

- Escolha um colaborador para fiscalizar se os novos procedimentos estão sendo efetuados da forma estabelecida. Indicado trocar de colaborador periodicamente para essa função.

Sobre os residentes

Os residentes devem ser orientados a não compartilhar cortadores de unha, alicates de cutícula, aparelhos de barbear, pratos, copos, talheres, toalhas, roupas de cama, canetas, celulares, teclados, mouses, pentes ou escovas de cabelo etc.

- Elimine ou restrinja o uso de itens de uso coletivo, como controle de televisão, canetas, telefones etc.

- Certifique-se de que os residentes estejam com as vacinas em dia, principalmente aquelas relacionadas a doenças respiratórias infecciosas, conforme calendário de vacinação do idoso, definido pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério das Saúde. Todos os residentes devem estar com o Cartão de Vacinação para o Idoso completo;

- Reduza o tempo dos residentes nas áreas comuns para evitar aglomerações, garantindo a distância mínima de 1,5 metro entre eles. Deve-se estabelecer escalas para a saída dos idosos dos quartos para locomoção em áreas comuns, banhos de sol etc. Essas atividades são importantes para a saúde e bem-estar dos idosos, mas devem ser definidos horários e escalas para que haja um número limitado de idosos nas áreas comuns;

- Sirva as refeições, de preferência, nos quartos dos residentes ou escalone o horário das refeições de forma que uma equipe possa gerenciar a quantidade de pessoas (mantendo a distância mínima de 1,5 metro entre elas), e para proporcionar o intervalo de tempo adequado para a limpeza e desinfecção do ambiente. Preferir quentinhas individuais para que os residentes comam longe uns dos outros;

Sobre os Visitantes

- Reduza, ao máximo, o número de visitantes, assim como a frequência e a duração da visita. Estabeleça um cronograma de visitas para evitar aglomerações.

- Suspenda a visita de crianças, pois são possíveis portadores assintomáticos do coronavírus.

- Suspenda ou reduza a entrada dos voluntários e serviços que não são essenciais, como cabeleireiros e barbeiros.