A florada dos Ipês realça o cenário da colheita do café em Muzambinho

Publicado em 01/09/2020 - especial - Da Redação

A florada dos Ipês realça o cenário da colheita do café em Muzambinho

De acordo com a Fundação Osvaldo Cruz, o Ipê é uma palavra de origem Tupi, que significa “árvore cascuda”. É o nome popular usado para designar um grupo de nove ou dez espécies de árvores com características semelhantes de flores brancas, amarelas, rosas, roxas ou lilás.
Após os ipês-roxos e rosas colorirem Muzambinho, começa a florada dos primeiros ipês-amarelos. Nesta época, com a estiagem intensa, as árvores perdem as folhas. No lugar surgem as flores que mudam a paisagem. A floração do ipê-amarelo ocorre entre os meses de julho e setembro. Os cafeicultores aproveitaram este ano para registrar como o amarelo intenso está colorindo a área rural do município.
De acordo com o engenheiro agronômo e mestre em ciências ambientais, Frederico Luiz Pereira, a floração dos ipês-amarelos dura, em média, 15 dias. A espécie floresce no inverno e é influenciada pela intensidade da estação. Quanto mais frio e seco for o inverno, maior será a intensidade da florada do ipê-amarelo.
Em Muzambinho, é possível apreciar nas áreas urbana e rural a florada dos ipês. Nas escolas municipais Frei Florentino e Sagrado Coração de Jesus tem plantas adultas com copas bem desenvolvidas, que este ano floriram com uniformidade. Já na praça da antiga estação de trem, a imponência do ipê amarelo que ali está é um espetáculo de beleza que pertence a história da cidade. Na Avenida Dr. Américo Luz e no Jardim Altamira existem plantas jovens que quando florecem também chamam a atenção na área urbana pela sua imponência. Existem no município também ipê-roxo, rosa e branco, mas sem dúvida as plantas de flores amarelas são em maior quantidade.
O engenheiro ensina: “Os ipês são caducifólias, ou seja, perdem todas as folhas que são substituídas por cachos de flores de cores intensas. São árvores de grande porte que gostam de calor e sol pleno. As flores surgem no inverno por conta do stress hídrico. Na Praça Pedro de Alcântara Machado, em 2019, por ocasião do Dia da Árvore fizemos um plantio de 13 mudas de várias cores com os estudantes da Escola Estadual Cesário Coimbra. E no Jardim da Avenida Frei Florentino plantamos com os estudantes da Escola Municipal Sagrado Coração de Jesus ipês brancos. Na nossa região em média demora quatro anos para os ipês começarem a florir. Na sequência do ipê-roxo e amarelo, está prevista a floração do rosa e, por último do branco, provavelmente em setembro. Esse calendário, no entanto, não é rígido, mas como a previsão do tempo está anunciando chuva para os próximos dias, a expectativa é de uma florada ainda mais intensa, principalmente na área rural, onde muitas árvores estão cheias de botões, explica Frederico
E para o cafeicultor apaixonado por árvores, Armando Santos, que fez questão de plantar ipés bem perto do terreiro de café “é uma planta muito resistente, às vezes fica só com o tronco da muda e logo que chove ela brota. Já as mudas de ipes são resistentes e a cada ano nos encantam durante a colheita do café com sua florada”.
Já na Fazenda Santo António, no bairro Campestre, a cafeicultora Raquel Souza, registra todos os anos a florada dos ipes amarelos. “As flores amarelas sempre surgem no meio da colheita do café, mas paramos um momento para admirar o presente de Deus, um enfeite natural que nos enche de alegria. E quanto mais intensa seja a estiagem mais intenso é o colorido”.
No bairro Patrimonio os ipês estão fazendo um espetáculo. As flores chegaram bem nos dias que a colheita do café foi finalizada. “Terminamos o trabalho na lavoura e ganhamos os ipés que este ano estão tão intensos no colorido quanto a qualidade da bebida dos grão. É sempre uma grande sintonia entre a intensidade da cor dos ipês amarelos e a boa bebida dos café. Os dois gostam de intensas estiagem”, conta seu Aparecido Donizetti Domingos, do Sítio São João.
Já Flávia Domingos, filha de seu Aparecido diz que gosta mesmo é da árvore que esta em frente a igreja no Distrito do Moçambo. ‘Quando vejo aquela árvore bem amarelinha na frente da igreja sinto bem a presença de Deus”, disse.

(COLABOROU: VALÉRIA VILELA)