Pandemia e a realidade da educação municipal: “Já são quatro meses parados e não há qualquer perspectiva de retorno”, revela Secretária em Muzambinho

Publicado em 04/08/2020 - educacao - Da Redação

Pandemia e a realidade da educação municipal: “Já são quatro meses parados e não há qualquer perspectiva de retorno”, revela Secretária em Muzambinho

A realidade da educação municipal em Muzambinho neste momento de pandemia da COVID-19. Este foi o tema principal de entrevista com a Secretária Municipal de Educação, Simone Martins. “Totalmente diferente e algo inédito”, disse logo no início. Acredita que a educação, juntamente pela grande abrangência, é um setor que está sendo muito prejudicado. Foi necessário reinventar uma nova educação, surgindo então a “educação remota”. As atividades foram retomadas no dia 04 de maio, somando então 03 meses de trabalho.


ANO LETIVO

Na última semana, o Senado votou a liberação das escolas de cumprir a carga de dias letivos. Simone explica que houve a flexibilização dos 200 dias letivos, mas ainda não há a flexibilização das 800 horas de carga anual. No entanto, há um movimento do Conselho Nacional de Educação solicitando esta segunda medida. A Secretária acredita que é impossível falar em cumprimento dos dias letivos. Principalmente, porque já são quatro meses parados e não há qualquer perspectiva de retorno. No Sul de Minas, os casos estão aumentando e há uma insegurança muito grande por parte de todos, educadores, autoridades e pais de alunos. O pensamento, neste momento, é exatamente oferecer qualidade de ensino. Também é preciso embasar nos conhecimentos científicos para vislumbrar um retorno presencial. Também é preciso considerar a escala de elevação da pandemia e a exigência de um protocolo adequado, inclusive com a possibilidade de surgimento de uma vacina. “É tudo incerto. Se retornarmos, mesmo com todos os protocolos, não retornam todos”, disse. Entende, ainda, que tudo mudou para um novo tempo e a educação hibrida vai perdurar.


ENSINO MUNICIPAL

Quanto às aulas remotas em Muzambinho, a Secretária lembrou que houve uma paralisação no mês de março e foi pensada uma proposta para a rede municipal. Através de várias reuniões e mentes pensando, foi estabelecida uma metodologia, utilizando o material didático. No fundamental, através da apostila Aprende Brasil, além da criação de um semanário com o conteúdo programático. Para comunicação com os pais, alunos, professores e coordenadores, foram criados grupos de WhatsApp. Na sequência dos trabalhos, as ideias foram sendo alinhadas e a documentação está sendo arquivada para a validação da carga horária de 2020. 


VALORIZANDO AS FAMÍLIAS

A parceria dos pais tem sido de grande valia atuando com “tutores ou mediadores” das crianças na execução das atividades diárias. A Secretaria valorizou os pais e familiares da zona rural, reconhecendo as dificuldades neste momento de colheita do café. “Estamos atingindo mais de 90% dos nossos alunos da rede municipal”, garantiu. Mas todos os alunos estão sendo acompanhados pelos gestores ou até mesmo pelo Conselho Tutelar. Quando o aluno não tem acesso à internet, recebe o material impresso diretamente na escola.


PROFESSORES ATUANTES

Simone reconheceu as dificuldades para todos, inclusive para os professores. Até porque não houve tempo suficiente para a melhor preparação visando a educação remota. Com isso, os professores estão se reinventando. O desafio é chegar a um aluno através de uma tela. Algumas escolas contam com plataformas que possibilitam ao professor ministrar as aulas “ao vivo”. Na rede pública, este canal de comunicação é exatamente o telefone celular, via WhatsApp e gravação de vídeos. Muito difícil, é um processo que está sendo construído. Pesquisa aponta que mais de 80% dos professores do país se sentem inseguros e despreparados para as aulas remotas. É uma grande demanda de aprendizagem para todos. Mesmo em casa, aumentou a carga de trabalho dos professores que ficam à disposição dos alunos e pais, além de atividades complementares para arquivamento das atividades e reuniões virtuais.


CRECHE DOS IMIGRANTES

A novela da creche do Jardim dos Imigrantes está nos seus últimos capítulos. A construção de arrasta por anos. A Secretária de Educação ressalta que a mobília já estava comprada há dois anos e chegaram agora os utensílios restantes para a cozinha. Toda documentação já foi encaminhada para a Superintendência em Poços de Caldas, restando apenas a vistoria. Mas, justamente devido à pandemia, tudo parou. A creche está em fase final, passando então para a fiscalização e liberação do prédio. A expectativa é de liberação e inauguração ainda neste ano.


PORTAL DA EDUCAÇÃO

Simone concluiu informando a criação de um site do setor da educação vinculado à prefeitura. A intenção é que seja uma ferramenta que venha somar ao trabalho neste período de pandemia. Através desde novo caso, todo trabalho estará sendo apresentado à comunidade.