Encontro de Egressos relembra histórias de pioneiros do Campus Muzambinho

Publicado em 15/12/2019 - educacao - Da Redação

Encontro de Egressos relembra histórias de pioneiros do Campus Muzambinho

Os corredores do Prédio H do IFSULDEMINAS – Campus Muzambinho – foram tomados pelo som de risadas e abraços acolhedores daqueles que foram os pioneiros desta casa de saber. A manhã do sábado, 07 de dezembro de 2019, foi a data de encerramento das festividades dos 66 anos do Campus, com o Encontro de Egressos. O momento em que o passado da antiga Escola Agrotécnica Federal de Muzambinho se fundiu ao presente do Instituto Federal de Minas Gerais – Campus Muzambinho – para que novas histórias venham a ser escritas.

O evento foi realizado pelo Setor de Acompanhamento de Ingressos, Carreiras e Egressos, sob os cuidados do servidor e egresso, Carlos Esaú dos Santos. Ele organiza o Encontro de Egressos há 15 anos. “Cada ano que passa os alunos sentem essa saudade e necessidade de rever o local em que passou alguns anos estudando e também os amigos. Para a instituição é a oportunidade de saber como estão e onde estão nossos egressos. É importante o acompanhamento constante dos nossos alunos.”

Os egressos Ieda Mayumi Sabino Kawashita, Ivan Antônio de Freitas, Débora Shemennia Gularte de Souza, Gusthavo Augusto Alves Rodrigues e Neylson Eustáquio Arantes foram homenageados e marcaram a solenidade com suas narrativas saudosas, afirmando a importância da instituição ao longo de suas trajetórias de vida.

O evento contou com com o lançamento do Livro “O Aprendiz de Muzambinho”, de autoria de Neylson Eustáquio Arantes, egresso do Curso Técnico em Agropecuária, entre os anos de 1964 e 1968. “Foi extremamente prazeroso escrever esse livro. Tenho uma identidade muito grande com Muzambinho. Vivi por 5 anos nesta escola, cheguei aqui uma criança e saí um adulto. Recebi dessa escola uma formação que foi muito importante na minha vida. Eu sou um profissional realizado e, se tivesse que fazer novamente, faria tudo da mesma forma, de tão feliz que fui como profissional. Todo o começo foi aqui. Aqui foi a semente de tudo isso.”

Representando todos os ex-alunos, Jorge Vanderlei da Silva, ex-membro do Conselho Superior do IFSULDEMINAS, Produtor Rural e Técnico em Agropecuária, é presença garantida em todos os Encontros de Egressos. Ele emocionou ao público com suas palavras. “Foi aqui que aprendemos a ser homens, amar ao próximo, amar à família, enfim, a frequentar a sociedade. Eu sei que tudo o que nós somos e tudo o que nós temos, devemos à Escola. Eu espero que essa juventude que hoje frequenta a Escola continue com o mesmo espírito. Nós amávamos nossos professores, nossos funcionários, nós éramos uma família e isso precisa continuar.”

Reconhecido pelo serviço prestado à Educação e aos Esportes, com destaque ao Judô Mineiro e Nacional, Ivan Antônio de Freitas foi professor de diversas disciplinas no Curso de Educação Física e Cursos Técnicos, além de diretor-geral da Escola Agrotécnica Federal de Muzambinho. “Eu cheguei com 12 anos e nunca quis sair daqui. Morei aqui por 38 anos. Nesses 38 anos fui aluno, fui aluno/professor, depois assumi a função de professor e dei aula por 41 anos ininterruptos.”

Fernando Nogueira de Oliveira, egresso da instituição, emocionou-se várias vezes, durante a entrevista ao relembrar as histórias vividas. Ele e outros egressos foram atuantes para que acontecesse a volta do curso Técnico Agrícola, em 1964, com 42 alunos na primeira série. “Ter vivido aqui representou a minha formação. Em 5 anos tive todas as bases e valores para poder continuar. Na verdade, eu devo ter convivido muito mais com esse grupo do que às vezes com um familiar, e aqui nos tornamos uma irmandade. É muito gostoso reencontrar essa turma e saber que ninguém foi para o caminho errado.” Conhecido como Fernandinho, o ex-aluno, participou de uma série de projetos agrícolas com destaque nacional e internacional.

Professor José Rossi (in memoriam), diretor-geral por dois períodos, de 1967 a 1988 e 1990 a 1994, foi representado na solenidade por seus dois filhos, Fábia Rossi da Silva e Alisson Bueno Rossi. A filha contou que foi a primeira vez que veio ao Campus Muzambinho sem o seu pai e destacou um importante aprendizado que teve com ele. “Uma coisa muito marcante que meu pai nos dizia era: ‘vocês são privilegiados, porque todo mundo cresce, a casa onde morou é destruída, outra cidade é desenvolvida no lugar, mas com vocês, não. A casa onde vocês cresceram sempre vai estar lá.’ Então eu sempre carreguei isso comigo. Eu me mudei há trinta anos, mas sempre soube que minha casa nunca iria desaparecer”. Alisson conta que nasceu na Escola e que conhece “cada metro desse chão, embora não esteja presente aqui fisicamente a escola nunca saiu de dentro da gente. Trabalho com cafeicultura e o que eu aprendi foi graças a essa Escola. É muito gratificante pertencer a essa história.”