Natureza: Muitos falam, poucos praticam

Publicado em 16/06/2009 - editorial - Mário Rogeri Montipó

montipoVamos voltar a cinqüenta anos atrás. São Sebastião do Paraíso com doze mil habitantes (6.000 na cidade e 6.000 no meio rural) e Muzambinho com cinco mil habitantes no município e, mais ou menos, a mesma proporção, ou seja, cinqüenta por cento em cada setor. Vereadores e prefeito não recebiam salário. O leite era vendido “in natura” e em litros de vidro que eram levados até a porta da casa e trocados todos os dias. O leiteiro entregava o cheio, que era vedado com tampa de cortiça, e recebia o vazio. O açougueiro “furava” a carne após ser pesada e passava um barbante, que servia de apoio para ser transportada até a residência (lógico que o perigo de assalto era só o cachorro). Da feira livre ou do armazém, o comprador levava as mercadorias em cestas ou sacolas de sua propriedade e, portanto, retornáveis. Cervejas e refrigerantes – coisas raras – só em garrafas de vidros e, retornáveis. O pão, que era produzido de madrugada e apenas uma vez ao dia, tinha o privilégio do saco de papel. Saco este, que era dobrado, guardado e reutilizado pelas donas de casas. Os bebês eram envoltos em fraldas de pano que, após o uso, eram bem lavadas e passadas à ferro, com brasa de carvão, para serem reutilizadas pelas mamães zelosas.  Como fogão à gás era coisa rara, do fogão à lenha tirava-se a cinza que resultava no sabão para lavar roupa. RESULTADO: incômodo, dificuldade e muito sacrifício.
Todos nós sabemos que o marco do progresso foi a industrialização. O plástico, em várias formas, foi a “salvação da lavoura.” Hoje, o supermercado vende a peça de carne embalada no plástico pelo frigorífico. O comprador coloca dentro de um saco plástico, que ao passar pela caixa recebe uma sacola plástica. O leite que vem num saco de plástico grosso recebe uma sacolinha de plástico, para ser transportado. O sabão em pó, que vem em uma caixa plastificada, recebe uma sacola de plástico para transporte. Fraldas (quase toda de plástico), recipientes para refrigerantes, sucos, água mineral e produtos de higiene e limpeza, tudo de plástico. RESULTADO: Poluição, contaminação do solo e da água. LIXO E ESGOTO em abundância.
Na vida, nada é de graça. Tudo tem um preço. Na natureza não pode ser diferente. O progresso, que trouxe conforto e facilidade, cobra um preço altíssimo. A sociedade, cedo ou tarde, terá que pagar ou, já está pagando. Além do aquecimento progressivo da temperatura (chamado de global), mais variedades e um número maior de doenças, estão ocorrendo. É a NATUREZA ofendida que está se manifestando.
Chama à atenção, no presente momento, a discussão sobre o consórcio do lixo dos municípios da região. O prefeito atual de Guaranésia, receptora e hospedeira do problema, se recusa o ser tão hospitaleiro como se propôs o mandatário anterior. Vereadores de outros municípios condenam a decisão. Não temos onde colocar o nosso lixo, já que, nenhum bairro do município aceite ser o gentil anfitrião do problemático e indesejável hóspede. O que serve para Guaranésia não pode ser aceito pelos outros sócios?
Há alguns anos passados, fomos convidados a participar de uma comissão de quatro componentes, junto com dois vereadores, para conhecer e trazer subsídios de um projeto pioneiro e que despertou o conhecimento do mundo todo. Próximo a Viçosa, um pequeno município chamado COÍMBRA, era motivo de visitas de delegações do mundo inteiro que já se preocupava com o problema do LIXO. Delegações da China, Índia, África, Japão, etc., tinham o nome registrado no livro de visitas da USINA DE RECICLAGEM E COMPOSTAGEM DE LIXO DE COÍMBRA.  Fomos conhecer o projeto do professor, TINOCO, da Universidade Federal de Viçosa à custa da CÂMARA DE VEREADORES DE MUZAMBINHO. Como o gasto do dinheiro público deve ser transparente, acreditamos que as despesas estão contabilizadas na Câmara, assim, como também as fotos e o vídeo da visita estão nos arquivos da CASA. Com o propósito de justificar o gasto feito e pela responsabilidade e seriedade do problema, fizemos vários convites (inclusive para o senhor prefeito), para uma explanação no salão da Câmara. Trouxemos propostas e um projeto para a construção de uma usina semelhante, para o município de Muzambinho. O vice prefeito, que estava presente, fez uma promessa de que a usina estaria pronta dentro de seis meses. Hoje, existe em todo o Brasil, um número de oitenta municípios que executam um processo de tal envergadura. Naquela oportunidade, Muzambinho estaria entre as quinze cidades Brasileiras a cuidar ecologicamente do problema do lixo residencial urbano. Com certeza seria mais um motivo para o renomado repórter e leal  Muzambinhense, MILTON NEVES, divulgar e se orgulhar da cidade. Entretanto, a promessa do vice-prefeito (que representava o prefeito) não foi cumprida e nem sequer justificada. Tantos anos depois, passados outros prefeitos, e o debate de tão sério problema ainda continua em discussão na nobre Câmara de Vereadores de Muzambinho.
Em meio a todos os problemas, o município de ALTEROSA, que não perdeu tempo com “picuinhas”, continua infinitamente na frente (como diria meu amigo Régis Policárpio) na solução do problema. Lá, reciclagem do lixo já existe.  O prefeito anterior construiu uma usina de TRATAMENTO DE ESGOTO, que o atual prefeito (de partido oposto), está modernizando e adequando ao recebimento do incentivo ecológico. Atitude de comprometimento e enfrentamento dos problemas da comunidade. Se na época da nossa visita à COÍMBRA o prefeito tivesse tido vontade política, Muzambinho seria o município pioneiro, servindo de exemplo para toda a região. Ainda há tempo? Sim.
Com todo o respeito, gostaríamos de sugerir aos nobres EDÍS de Muzambinho e região, que façam uma visita à COÍMBRA. A cidade é hospitaleira e a distância não é tão grande. Todo município tem um ponto positivo na sua administração. O prefeito que conseguir agregar (copiar) o maior número de pontos positivos, com certeza, fará a melhor administração e proporcionará aos seus munícipes a melhor qualidade de vida. Dever do governante e direito do contribuinte.