A exemplo de Dom Fernando, os cristãos e o verdadeiro cristianismo

Publicado em 23/04/2009 - editorial -

Li, há alguns dias, neste semanário, uma homenagem a Dom Fernando, clérigo muzambinhense, realmente merecedor de todos os elogios e reconhecimento pelo belo trabalho pastoral que faz na sua diocese, não raro, ao lado do carismático Padre Marcelo Rossi. Homenagem que deve ser entendida como “lição de vida!”.
Elogiável matéria que, mesmo omitindo a existência de tantos outros religiosos nascidos nesta terra profícua, faz merecida alusão aos franciscanos que tão bem conduziram esta paróquia por muitos anos.
Temos que reconhecer que Muzambinho é uma terra abençoada por receber, se não nascidos aqui, vindos para cá, tantos sacerdotes e pregadores cristãos, dentre os quais incluo pastores evangélicos de peso, que fazem da nossa gente um povo religioso e, mais que isso, verdadeiramente cristão.
Ao ensejo, o senso de justiça e de reconhecimento me leva a citar, nominalmente, os Padres Francisco e Guaraciba, que vindos para cá ainda jovens souberam dar continuidade ao trabalho franciscano pregando, evangelizando e desenvolvendo obras pastorais e sociais realmente dignas dos mais afetuosos elogios e gratidão. Tiago nos ensina que “a fé sem ação é uma fé morta” e, como que obstinados a atender tal ensinamento, Padre Francisco e Padre Guaraciba nunca economizaram esforços para ver essa máxima bíblica atendida, tendo entregue as suas juventudes à nobre missão de evangelizar e de fazer por Muzambinho, no silêncio dos benfeitores, o que muitos natos não fizeram, mesmo que alardeando fanfarronices.
O povo de muzambinho, em sua maioria significativa, sabe reconhecer esse trabalho e não se furta das oportunidades de aplaudir e agradecer aos nossos sacerdotes e a todos que tacitamente fazem algo pelos outros, sem esperar “recompensas” ou reconhecimentos terrenos.
É óbvio que encontram também oposição, afinal, quereria o demônio aliar-se ao bem ? Poderia a maldade ceder gratuitamente à bondade ? Poderiam os falsos profetas, os apóstatas, ouvirem pregações cristãs sem se incomodarem ? Poderia o invejoso reconhecer méritos de quem faz ? Poderia o interesseiro apoiar o justo ? O ingrato, sabe reconhecer ? O venal, faria sem interesse ?
Passando majestosamente sobre tudo isso, “Chico” e “Guará” pregaram a Sagrada Escritura, evangelizaram, assistiram aos necessitados, arrebanharam os incrédulos, consolaram os enfermos, abraçaram as crianças, apiedaram-se dos encarcerados, e chegaram, até, a orientar aos eleitores quanto à necessidade da consciência eleitoral. Assim,  sempre dando suas caras a tapa, como fazem os seres dignos, combateram e combatem o roubo e o ladrão, a desonestidade e o desonesto, a corrupção e o corrupto, o mal e o mau, a mentira e o mentiroso. Alertaram ao “seu rebanho” quanto à vergonha de se vender o caráter por uma nota de 100, de 50 ou até de 10. Se no todo não foram felizes, cumpriram sua missão. Não poderiam, portanto, passar ilesos diante da língua peçonhenta dos maledicentes ou da criativa boataria dos mentirosos.   
É natural que possíveis usuários dessas carapuças, ou merecedores desses adjetivos, se estremeçam e se rebelem, às vezes até com certa maestria professoral, mas impelidos pelo incômodo da realização dos outros, quando se sentem incapazes de realizar algo além da desavença e da pregação do rancor, do ódio, da inveja e do ciúme, enquanto se sucumbem à obscuridade do ostracismo, ou à lama da conspurcação.
Mas também esses têm o seu tempo de reconciliação e de remissão. Os nossos sacerdotes, por certo, pela sua índole, saberão aguardar, sob a serena égide da verdadeira cristandade, o momento certo de receber e perdoar. Enquanto isso, majestosamente altivos, ouvindo os grunhidos dos ímpios, com certeza continuarão na sua árdua empreitada, merecendo o reconhecimento da comunidade cristã, mormente da católica.
A nós resta agradecer, também a eles, mas principalmente a Deus, por tê-los colocado no nosso meio. Oxalá todos nós possamos servir aos outros, despojando-nos principalmente das nossas vaidades e aceitando e exercitando os ensinamentos que Cristo nos legou ! Oxalá saibamos homenagear pessoas como Dom Fernando, sobretudo, seguindo seus exemplos de amor e cristandade !    
Ivan Antônio de Freitas