As duas frentes de luta na Amazônia

Publicado em 26/10/2020 - cesar-vanucci - Da Redação

As duas frentes de luta na Amazônia

“A Amazônia corre risco permanente por causa da devastação e por causa da cobiça estrangeira.” (Antonio Luiz da Costa, educador)

Cobiça estrangeira e devastação florestal. Na atilada percepção da sociedade brasileira são duas questões candentes que comportam ser enfrentadas, a um só tempo, com máxima disposição e destemor. 

Minimizar a gravidade da ação predatória, fora de controle, detectada no fabuloso bioma amazônico, atribuindo a divulgação persistente, sobre o que vem acontecendo, exclusivamente a grupos que, lá fora, promovem permanentemente articulações no sentido de obter acesso livre, para explorá-las a bel prazer, às prodigiosas riquezas dos dadivosos solo e subsolo, não representa, de maneira alguma, a verdade fatual. É certo, absolutamente certo – não há como negar -, que grupos e personagens influentes, das mais diferentes nacionalidades, ora dissimuladamente, ora às escancaras, defendem a estapafúrdia tese de que a Amazônia é região a ser internacionalizada. No momento presente, esses setores se mostram mais alvoroçados que de costume, em seus destemperos verbais, por causa justamente do volume mais intenso, escorado em recordes históricos, das queimadas despropositadas nos principais biomas de nosso país.

Cabe, obviamente, ao Governo brasileiro tomar a si a responsabilidade de repelir, com toda a veemência, de conformidade com o sentimento nacional, quaisquer ações oriundas de tais grupos e personagens, que, agora e sempre, atentem contra nossa soberania. A Amazônia é brasileira e os problemas a ela atinentes dizem respeito tão somente à Nação brasileira. 

A atitude de repulsa do Brasil a qualquer intromissão terá que levar em conta, naturalmente, outros aspectos. Por exemplo: que história mais insana é essa de cartilhas escolares, em alguns países ditos amigos, como já foi insistentemente denunciado, apontarem o território amazônico como zona regida por organismos internacionais, e não parte indesvinculável de nossa pátria? Que história mais adoidada é essa de revistas de quadrinhos mostrarem o “famoso” Capitão Marvel usando seus “poderes miraculosos” para “proteger” a Amazônia de “marginais brasileiros” que estariam a “invadi-la” com o fito de se “apoderarem” de suas riquezas?

Chegamos, assim, nestas considerações, a uma clara constatação. Devastação florestal e olho gordo estrangeiro na Amazônia são situações com características distintas. Como muito bem diz o ditado popular, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Advém daí o imperativo de se reconhecer que o “dever de casa” governamental não vem sendo realizado a contento, no tocante à necessária, urgente e indeclinável defesa do meio ambiente. Amazônia em chamas, Pantanal em chamas, Cerrado e Mata Atlântica pegando fogo são fatos insofismáveis mostrados pelos sistemas de monitoramento. A culpa pelo que rola não pode ser imputada, assim sem mais nem menos, a índios e a moradores de recônditos lugarejos espalhados pela vastidão amazônica. Os culpados são outros: grileiros, madeireiros, garimpeiros, a banda podre do agronegócio. Esses aí, sim, carecem ser contidos em sua reiterada insubmissão às leis e portarias que dão suporte à política ambientalista do país.

O desserviço que a predação florestal acarreta é tremendo. Das fragilidades que deixamos à mostra, no combate aos abusos ininterruptos cometidos, nossos inimigos, embuçados ou não, se prevalecem a mancheia, para lesionar a imagem brasileira, para prejudicar interesses econômicos brasileiros em suas vinculações com o resto do mundo. 

A conjugação de vontades políticas com as dos demais segmentos da sociedade é reclamada para constantes e infatigáveis esforços em duas frentes de luta: a da criminosa destruição florestal e a das insidiosas e solertes manobras dos grupos que contemplam a Amazônia com gula colonial.

*  Jornalista ([email protected])