Incêndios podem trazer prejuízos para agricultura no Sul de Minas

Publicado em 28/07/2018 - agronegocio - Da Redação

Incêndios podem trazer prejuízos para agricultura no Sul de Minas

A paisagem é a mesma na maioria das cidades do sul de minas: uma linha acinzentada cobre o horizonte e por onde se passa é possível visualizar fumaça de focos de incêndios. Com o inverno atípico de 2018 a cena deve durar até que as chuvas tragam alívio para vegetação seca. Até momento foram registrados apenas 2,6 mm de chuva neste mês. O chuvisco foi registrado no dia 10 de julho pela estação meteorológica do IFSULDEMINAS- Campus Muzambinho. Já no mês de junho, o acumulado do mês foi de 33,6mm, de acordo com os dados do boletim climático do campus e que podem ser acessados no site da instituição: www.muz.ifsuldeminas.edu.br.

Mas em alguns municípios a falta de chuva já dura mais de 60 dias. Com a falta d'água e a umidade relativa do ar em 35% os incêndios e queimadas se propagam pela região. Exemplo disso é o município de Guaxupé (MG), onde um incêndio destruiu mais de dez hectares de mata na Fazenda Nova Floresta. A área de floresta preservada é maior dentre dos municípios da AMOG com mais de 300 hectares de árvores de espécies da mata atlântica como a tabebuia e jequitibá rosa, além de animais como macacos, tamanduás e onças pardas.

Segundo o professor curso Técnico Subsequente em Meio Ambiente do IFSULDEMINASCampus Muzambinho, Claudiomir da Silva dos Santos, a área devastada pelo fogo pode demorar a se recuperar. “O processo é demorado, porque estamos em uma região onde estamos vivendo evento de climas quase que constantemente, não temos uma previsibilidade climática. Um exemplo é que estamos em um inverno seco com temperaturas acima da média, ao passo que era de se esperar ao contrário: chuvas razoáveis com temperaturas baixas. Mas não, as temperaturas estão altas, com índice pluviométrico abaixo de dez por cento da média histórica”, explica o docente, que é membro do Projeto IF Refloresta.

Reflexo na agricultura

A fumaça causa problemas para a saúde pública, em decorrência das doenças respiratórias, mas pode refletir na produtividade no campo. Nutrientes essenciais às plantas, como nitrogênio, potássio e fósforo, são eliminados no processo de queima. A prática também reduz a umidade do solo e acarreta na sua compactação, resultando em um processo erosivo.

“As pessoas que sofrem de doenças respiratórias passam muito mal por causa disso e ainda tem a questão ambiental, que é muito grave. Se você queima essas áreas, elas perdem uma fertilidade natural. Com o calor e com o aumento de temperatura, você aumenta a perda de matéria orgânica desse solo. Em uma região como o sul de minas, que é uma região essencialmente agrícola, que tem o café como principal produto do arranjo produtivo, consequentemente gera perda de produtividade no ano subsequente, porque as queimadas de uma maneira ou de outra prejudicam toda a fisiologia da planta”, ressalta Claudiomir.

Prejuízos para a fauna

Com a destruição da área de mata, a tendência é que animais silvestres busquem abrigo em outros locais, como nas áreas urbanas. “Uma vez que essas áreas naturais foram incendiadas, há uma tendência desses animais se refugiarem em áreas urbanas, podendo ocasionar acidentes com vítimas Acidentes com uma certa gravidade, porque o animal se sente acuado pelo fogo e pelo aumento de temperatura, há uma possibilidade dele sair dali por causa desse aumento de temperatura para um local que seja mais seguro para ele”, alerta o professor.