Mobilização contra privatização de Furnas pauta audiência

Publicado em 09/03/2018 - politica - Da Redação

Mobilização contra privatização de Furnas pauta audiência

Deputados debatem, nesta segunda (12), ameaça do governo federal de vender empresa que tem forte ligação com Minas.


O início de uma grande mobilização contra a privatização de Furnas Centrais Elétricas, empresa de economia mista subsidiária do Sistema Eletrobras. Esse será o tom da audiência pública que a Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas gerais (ALMG) realizará nesta segunda-feira (12/3/18), a partir das 14 horas, no Auditório José Alencar Gomes da Silva. Na ocasião, também será lançada a Frente Parlamentar contra a Privatização de Furnas.

A atividade atende a requerimento dos deputados João Vítor Xavier (PSDB), presidente da Comissão, Emidinho Madeira (PSB), Dalmo Ribeiro Silva (PSDB) e Cássio Soares (PSD).

Foram convidados para o debate representantes do Ministério de Minas e Energia, da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e diversos prefeitos mineiros, entre eles Marcelo Mendes Passuelo, prefeito de Fronteira (Triângulo) e diretor administrativo da Executiva da Associação Nacional dos Municípios Sedes de Usinas (Amusuh).

Também foi convidado o diretor da Associação dos Empregados de Furnas (Asef), Felipe Sousa Chaves.

Frente parlamentar - Uma das lideranças dessa mobilização é o deputado Emidinho Madeira, que prega a união de todos os mineiros contra a venda de Furnas, o que o levou a idealizar a frente parlamentar, anunciada durante pronunciamento no Plenário no último dia 21 de fevereiro.

Segundo ele, será preciso também garantir a participação dos deputados federais e senadores em prol de um patrimônio dos mineiros cuja origem remonta a 1957, quando Furnas foi criada pelo então presidente Juscelino Kubitschek, mineiro de Diamantina (Central). Na época, a empresa foi uma resposta à necessidade de aumentar a oferta de energia elétrica necessária ao processo de industrialização do País.

“Não podemos deixar que Furnas seja privatizada. Como legítimos representantes do povo mineiro, não podemos assistir de braços cruzados à tragédia que isso seria. As perdas para Minas Gerais serão eternas e a hora de nos unirmos é agora”, afirma Emidinho Madeira.

O parlamentar lembra que a estruturação da empresa trouxe grandes impactos aos moradores das regiões das usinas, sobretudo aos produtores rurais, que tiveram suas terras inundadas e tiveram que se adaptar. Atualmente, atividades como a pesca e o turismo estão consolidadas, enquanto a pecuária também se aproveita da grande oferta de água.

Na avaliação do deputado, além do caráter estratégico que a geração de energia tem para a economia de um país, a privatização traz grandes riscos à economia do Estado de um modo geral e, sobretudo, dos municípios das regiões das usinas.

“São questões que envolvem diretamente a vida das pessoas. Milhares de empregos estão em risco caso Furnas venha a ser privatizada, isso sem contar na perda dos investimentos sociais que a empresa realiza em todas as regiões onde está instalada”, lembra Emidinho Madeira.

Resistência – Furnas está presente em quinze estados brasileiros e no Distrito Federal. Integram seu parque gerador 18 usinas hidrelétricas, duas termoelétricas e três parques eólicos, gerando aproximadamente 10% da energia elétrica consumida no País.

Por sua infraestrutura, com 66 subestações e mais de 23 mil quilômetros de linhas de transmissão, passa 40% da energia nacional. Um exemplo disso é o Linhão Madeira, com 2.375 quilômetros entre o Norte e Sudeste, a maior linha de transmissão de corrente contínua do mundo.

Em agosto do ano passado, o governo federal anunciou sua intenção de privatizar a Eletrobras, gigante formada por várias outras empresas, como Furnas, que controla 233 usinas e possui 61 mil quilômetros de linhas de transmissão, que atuam em toda a cadeia produtiva do setor de energia elétrica. Além de gerar receita para colocar as contas federais em ordem, o argumento é dar mais eficiência ao setor.

Em 1999, a empresa chegou a ser incluída no Plano Nacional de Desestatização, implantado pelo então ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, mas o governador de Minas Gerais à época, Itamar Franco, opôs forte resistência à medida. Policiais e bombeiros militares chegaram a ocupar a Usina Hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra (Sul), e os planos do governo federal foram revistos.

ascom