FUTEBOL PUNE ELITE BRANCA

Publicado em 08/12/2017 - marco-regis-de-almeida-lima - Da Redação

FUTEBOL PUNE ELITE BRANCA

Se escrever é um exercício de imaginação, assim me senti compelido a escrever tão logo foram encerrados os jogos da 38ª e última rodada da Série “A” do Brasileirão 2017. Claro ficou que as emoções reservadas para a rodada final estavam na parte de baixo da tabela de classificação, pois, ali se definiriam entre três clubes, quais os dois que afundariam junto com Atlético Goianiense e Ponte Preta, de Campinas, para a disputa nacional da temporada do ano que vem na Série B. Não fosse assim desmerecedor as torcidas rivais não entoariam para os rebaixados o conhecido refrão: “ão...ão...ão, segunda divisão...”. Não há palavras de consolo que atenuem o alijamento de um clube da elite do futebol brasileiro, ou mesmo internacional, para esse patamar inferior, onde as rendas dos jogos e as cotas financeiras da televisão são incontestavelmente menores. Sem contar as agruras das viagens para localidades menos badaladas e o porte mais acanhado dos estádios. Que o digam os grandes do nosso futebol que já passaram por situação desse tipo como Palmeiras, Corinthians Paulista, Fluminense, Vasco da Gama, Botafogo, Atlético Mineiro, e os gaúchos Grêmio e Internacional. Humilhação maior passou o Fluminense, que chegou a descer para a 3ª divisão. Até me lembro dele se defrontando com o Villa Nova no ‘Castor Cifuentes’, o alçapãozinho da mineira e aprazível Nova Lima. Naquela ocasião, uma jogada de tapetão da nossa confederação de futebol, a CBF, resgatou o ‘tricolor das Laranjeiras’ de volta para o camarote de cima. Isto aconteceu antes da seriedade dada à competição através da fórmula mundialmente adotada dos pontos corridos.

                Essa mesma fórmula passou a valer para a Série “B”, que recebe os quatro últimos colocados da Série “A” (2017= Atlético Goianiense, Ponte Preta/SP, Avaí/SC e Coritiba/PR) e os quatro primeiros colocados que subiram da Série “C” (2017= CSA/AL, Fortaleza/CE, São Bento de Sorocaba/SP e Sampaio Correia/MA) enquanto os seus quatro primeiros colocados sobem para a Série “A” (2017 = América Mineiro, Internacionaal/RS, Ceará e Paraná). No entanto, os quatro últimos: Luverdense/MT, Santa Cruz/PE, ABC/RN e Náutico/PE desceram para a Série “C”.

                  A série “C” tem dinâmica um pouco diferente onde suas 20 agremiações disputam uma 1ª fase em turno e returno, divididas em dois grupos de dez equipes, quase que regionalizados nas metades de cima e de baixo deste imenso Brasil. Na fase seguinte faz-se o “mata-mata” entre 1º e 2º de cada grupo jogando com vantagem contra 3º e 4º do grupo oposto. Os quatro vencedores já ascendem para a Série “B” mas disputam entre si semifinais e final (2017 = campeão o CSA – Centro Sportivo Alagoano; vice, Fortaleza/CE; São Bento de Sorocaba/SP; e Sampaio Correia/MA). Os dois piores colocados de cada grupo dos dez caem para a Série “D” (2017 = Mogi Mirim/SP, Macaé/RJ, ASA – Associação Desportiva Arapiraca/AL e Moto Club/MA.

                   Somente a Série “D” – 4ª divisão – ainda não adquiriu um formato definitivo dadas as dimensões continentais do nosso País e a fartura de times profissionalizados existentes por todos os rincões. Em 2017, foram habilitados a disputá-la 68 clubes, extraídos através dos campeões estaduais, que não estivessem em séries superiores, e outros promovidos em determinados torneios realizados pelas respectivas federações dos estados. A cada Estado cabe certo número de vagas de acordo com um “ranking” das federações estaduais, sendo 4 vagas à primeira federação do “ranking”, 3 vagas do segundo ao nono e 2 vagas aos 18 estados seguintes. A 4ª Divisão brasileira é inicialmente disputada entre 17 grupos de quatro times (A1 a A17), que jogam entre si na ida e na volta, dentro dos próprios estados ou entre estados próximos. Dos 68, saem dois blocos: UM BLOCO com os 16 melhores colocados; e OUTRO BLOCO com pior dos 17 melhores colocados + os 15 melhores segundo colocados, estando eliminados os dois piores segundo colocados (2017: foram eliminados Internacional de Lages/SC e São Raimundo/PA). As 2ª e 3ª fases vão se seguindo regionalizadas onde o melhor classificado sempre enfrenta com vantagem o pior classificado até sobrarem 2 grupos com 8 clubes e, finalmente, a fase de 8 clubes – tudo no “mata-mata”, sobrando os quatro finalistas que vão disputar o título e subir para a Série C (2017: campeão, Operário Ferroviário, de Ponta Grossa/PR; vice, Globo, de Ceará-Mirim/RN; Juazeirense, de Juazeiro/BA; e Atlético Acreano, de Rio Branco/AC.

                Minas Gerais contou em 2017 com Cruzeiro (5º) e Atlético (9º) na Série “A”; América (campeão) e Boa Esporte, de Varginha (10º), na Série “B”; Tupi, de Juiz de Fora e Tombense, de Tombos, entre os 8 melhores da Série “C” (quartas de final); e Villa Nova, de Nova Lima, Caldense, de Poços de Caldas, e URT – União Recreativa dos Trabalhadores – de Patos de Minas, esta última chegando entre os oito melhores.

               Se esta resenha ficou muito chata pelo vai-vem dos números e pela exposição dos desconhecidos, paciência! Eis aqui o futebol melhorando nossos conhecimentos da Geografia pátria. E a elite branca punida, por que? Deixa prá lá, sou mau humorista. Acho mesmo que é mau com “u”. Uma mania de misturar política com tudo. É que no minuto final em que o Vitória se livrou do rebaixamento e empurrou o Coritiba, com a ajuda da Chapecoense, mais o Santos mantendo o Avaí na segundona, aonde ele já estava havia muitas rodadas, além do Sport, que venceu o legítimo campeão – o Corinthians Paulista, de Andrés Sanchez (PT) -, conseguindo permanecer na elite, fiquei a matutar sobre os merecimentos de cada estado.

                 Estados em que o povo bateu mais panela e mais achincalhou Lula e Dilma foram pro beleléu da segundona. Que o digam os “coxas-brancas” da “República de Curitiba”; os branquinhos “barrigas-verdes” de Florianópolis e região; os matutos-fazendeiros e seus espertalhões políticos do agronegócio de Goiás, que nos ofereceram um serviçal-relator do golpe de estado contra Dilma; e, enfim, a Ponte, que é Preta, mas representa uma cidade de branquinhos batedores de panela. O Brasileirão 2017 fez justiça por linhas tortas com esse povo, aliás, porque safou os eleitores de Lula e Dilma, da Bahia, com o Vitória, e de Pernambuco, com o Sport. Tchau queridos...ão...ão...ão, segunda divisão! 

*Marco Regis é médico, foi prefeito de Muzambinho (1989/92; 2005/08) e deputado estadual-MG (1995/98; 1999/2003) – [email protected]