Emissários em Jerusalém checam homenagens a brasileiro

Publicado em 27/10/2017 - marco-regis-de-almeida-lima - Da Redação

Emissários em Jerusalém checam homenagens a brasileiro

Em artigo publicado nesta ‘A Folha Regional’, em 22 de setembro passado, intitulado ‘ONU, a Babel dos nossos tempos’, discorremos acerca desse organismo internacional – a Organização das Nações Unidas. Assim sendo, não nos tornaremos repetitivos tratando dos fatos e datas marcantes da sua fundação nem da sua precursora, a Liga das Nações, fartamente expostos naquele texto.

                  Como em tudo há exceção, nada de mais repetirmos a contribuição do notável artista brasileiro Cândido Portinari para com a ONU, através do “majestoso painel Guerra e Paz”, que emoldura uma das suas dependências. Todavia, a contribuição nacional mais significativa para as Nações Unidas foi do advogado, político e diplomata, Oswaldo Aranha, pois o mesmo foi um dos articuladores da sua fundação, quer como Embaixador do nosso país junto aos Estados Unidos, antes do Estado Novo, período em que se tornou amigo do presidente Franklin Delano Roosevelt – o idealizador da ONU – quer como Ministro das Relações Exteriores do governo revolucionário de Getúlio Vargas, depois do Estado Novo, oportunidade em que articulou a entrada do Brasil na II Guerra Mundial ao lado dos aliados ocidentais, com a obtenção de vantagens políticas e econômicas. Posteriormente, é indicado Chefe da Delegação brasileira junto às Nações Unidas, participando decisivamente na criação do Estado de Israel mediante a partilha da Palestina.

                     No artigo citado, que encima o atual, escrevemos que Oswaldo Aranha dá nome a ruas em cidades israelenses e a uma praça em Jerusalém “onde existe uma placa de gratidão a ele, colocada pelo governo israelense”. Essas e outras citações, nós extraímos de pesquisas na Wikipedia, no UOL Educação/biografias/Oswaldo Aranha e em matéria jornalística do Jornal do Comércio, de Porto Alegre, baseada no livro ‘Oswaldo Aranha – uma fotobiografia’, da Editora Capivara, escrito pelo neto desse respeitável estadista, Pedro Corrêa do Lago, publicada na versão digital em: jcrs.com.br/conteúdo/2017/06/cadernos/panorama/570997-nova-biografia-conta-historia-do-gaucho-oswaldo-aranha.html.

                      Alguns dias depois da circulação deste semanário, contendo o aludido artigo a respeito da ONU, no qual enfatizamos a trajetória desse gaúcho e brasileiro, meio que ignorado pela História pátria, talvez pela ojeriza à vinculação dele ao getulismo e ao antagonismo à revolução paulista do‘9 de Julho’, soubemos de uma viagem turística ao Oriente Médio, a ser feita por uma cunhada minha, Profª Daclé Vilma Carvalho, com  tríplice residência em B.H., Juréia e Muzambinho, acompanhada pela família do sobrinho dela, o médico Lucas Vieira Nunes de Carvalho. Foi então que lhes pedi como missão que procurassem pela Praça Oswaldo Aranha, em Jerusalém, trazendo-me fotos comprobatórias, a fim de que as palavras por mim escritas pudessem demonstrar veracidade. Encontraram-na e disseram que não foi nada fácil. Nem precisaram retornar para me apresentar tais fotos, pois a tecnologia atual antecipou tudo, via “whats app”. Compartilho-as com os meus diletos leitores e formulo agradecimentos à Daclé e ao Lucas. Ao redor do mundo, o Brasil não é somente Pelé, Neymar, Sônia Braga, Carmem Miranda, futebol e carnaval. Oswaldo Aranha, também, e tantos outros.

                     EM TEMPO: (1) certa feita, em um restaurante do Rio de Janeiro, que foi a Capital da República até os idos de 1960, me surpreendeu ver estampado no cardápio: “filé Oswaldo Aranha”, nome dado ao prato que o homenageado sempre pedia – cuja foto e receita o leitor poderá obter na internet; (2) como se observa, a placa colocada na referida Praça, foi confeccionada por uma associação israelita do Brasil, claro que com autorização e/ou solenidade local de Jerusalém.

   *Marco Regis é médico, foi prefeito de Muzambinho (1989/92; 2005/08) e deputado estadual-MG (1995/98; 1999/2003). – [email protected]