Cadeia ou lixo ao fim do governo Temer

Publicado em 05/01/2018 - marco-regis-de-almeida-lima - Da Redação

Cadeia ou lixo ao fim do governo Temer

Há coisa de um mês, no espaço público de um banco estatal aqui em Muzambinho, conversava eu com um amigo residente em uma comunidade rural, quando alegrei-me por também encontrar um velho amigo aqui da cidade, mas morador da Capital paulista de várias décadas. Em dado momento daquele papo ocasional e fugaz, certamente que documentado pelas câmeras de vigilância da agência bancária, e sem áudio que constatasse o nosso diálogo, o meu amigo sitiante, interpela o outro, um administrador de empresas, da seguinte forma: “O que o Senhor acha do governo do Temer?”. Desassombrada e desafiadoramente respondeu o paulistano por adoção e, provavelmente, por profissão de fé feita em um dos templos do Deus Mercado, da Avenida Paulista: “Diante da queda da inflação, dos juros e da diminuição do desemprego, posso lhe garantir que, com pouco mais de um ano, Temer é o melhor governo que já teve o Brasil”. Sem dúvida, que a assertiva merecia um reparo, mas, feito por mim, soou como um trovão anunciando tempestade e encerrando o clima ameno: “Vejam que o IBOPE é certeiro, enfim acabamos de encontrar um dos 5% que acham este governo bom ou ótimo. No meio em que ele vive, certamente que não tem desempregados, não deve conviver com gente que vive com o suor do trabalho e que tem de suar para arrumar bicos prá sobreviver”.
               Claro que temos de respeitar opiniões diversas das nossas. Entretanto, temos também o direito de refutá-las. Mais do que direito, temos de ter coragem para contradizê-las. No zelo por amizades, pela concórdia, não podemos baixar a cabeça ou sinalizarmos consentimento com posições insustentáveis. No diálogo em questão, nos embasamos nos minguados 5% ou 6% que aprovam o atual governo, através de diversos institutos de pesquisa e por meses a fio. Não poderia ser diferente, pois os próprios meios de comunicação que deram guarida ao “golpe constitucional”, difundem denúncias de investigações feitas pela Polícia Federal, transformadas em acusações formuladas pelo Ministério Público Federal junto ao Supremo Tribunal Federal, classificando este governo de “organização criminosa”. Ou queremos mais evidências do que as gravações apresentadas de gente correndo com mala de dinheiro, de apartamento com malas e caixas de dinheiro? Não ouso apontar o dedo para o Presidente, mas uma quadrilha agia por perto e, em parte, foi desbaratada.
                A controvérsia fica por conta da “pior crise já vivida pelo Brasil”. O ódio fomentado contra o PT – Partido dos Trabalhadores – culpa esse partido por todas as mazelas dessa crise. Mas, boa parte dos críticos faz vistas grossas aos partidos aliados que fizeram parte desses governos e que, posteriormente, conspirariam para a sua derrubada. Dilma deixou de tomar medidas contra a crise, é verdade, porém ninguém deveria se esquecer de que o segundo mandato dela não existiu. Aliás, desde que ela foi proclamada vitoriosa na sua reeleição, a oposição e os tais “aliados” começaram a lhe puxar o tapete sob os seus pés. A começar pelas denúncias de fraude eleitoral, Depois, através de sucessivas estocadas, até chegarem ao desejado e longo processo do “impeachment”. Conseguiram o objetivo deles, pois o país desgovernado via cada vez mais sua economia afundar, ou como pregavam aberta e descaradamente: “vamos deixar esse governo sangrar”. Ou seja, chegaram ao objetivo da deposição do governo pela deterioração da economia, do desemprego e trazendo para o lado golpista as camadas mais pobres da população – o apoio popular.
                 Nunca defendi o golpe de estado, “constitucional ou não”. Por outro lado, se o governo saído das urnas foi usurpado por outro, dentro de um figurino de constitucionalidade, defendo que vá até ao final do seu mandato, pois nunca defendi eleições extemporâneas, que representariam um novo golpe de estado. Não podemos aceitar, no entanto, que um governo ilegítimo, sem respaldo popular, pratique atos lesivos à Pátria ou ao povo, através de privatizações de setores estratégicos ou de reformas que penalizem os trabalhadores assalariados públicos ou do setor privado, protegendo as grandes fortunas e, principalmente, os banqueiros – que também foi o grande pecado de Lula. Quanto às falcatruas apuradas e pendentes, esperamos que os altos escalões da Justiça não venham a pipocar como às vezes têm pipocado, ao final da contagem regressiva que já rege este governo impostor.
  

*Marco Regis é médico, foi prefeito de Muzambinho (1989/92; 2005/08) e deputado estadual-MG (1995/98; 1999/2003) – [email protected]